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Como investidores avaliam oportunidades de negócios – Parte II

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Se você está pensando em abrir um negócio e está pensando em atrair investidores, um dos passos mais importantes é entender a anatomia e fisiologia do cérebro dos investidores.

Em 2010 tive a grande honra de representar a UCLA Anderson School of Management em uma competição entre escolas de MBA dos EUA chamada Venture Capital Investment Competition (VCIC – http://www.vcic.unc.edu/). Nesta competição, cada escola compõe um time de 5 estudantes com diferentes experiências profissionais (saúde, tecnologia, finanças, etc), para que o time seja apto a analisar quaisquer tipos de negócios. Como parte da estratégia de preparação adotada pelo meu grupo, entrevistamos vários investidores (angels e venture capitalists) e coletamos informações em livros e artigos do gênero, com o objetivo de aprender a pensar como um investidor. Neste segundo artigo da série, disponibilizarei para os leitores do EmpreenderSaúde uma das respostas que encontramos para a pergunta:

“Como você avalia o modelo de negócios?”

Russel Siegelman, Partner da Kleiner Perkins Caufield & Byers (KPBC) responde:

Para simplificar, Siegelman vê dois tipos de oportunidades de investimento:

No primeiro tipo de oportunidade de investimento, o mercado ou produto é conhecido. A empresa está buscando melhorar o produto ou serviço em um mercado conhecido. O investimento é feito em um modelo de negócios que ele tem certeza que domina.

No segundo tipo, o mercado ou modelo de negócio é completamente novo. O investidor apenas acha, mas não tem certeza, que sabe em que está apostando. Friendster foi um bom exemplo de investimento deste tipo que deu certo para o KPBC. Friendster é um website em que os usuários podem jogar online. Quando Siegelman investiu na empresa há alguns anos atrás, a mesma apresentava crescimento explosivo, potencial para efeitos de rede (crescimento e valor do negócio é baseado em rede de relacionamentos, em que uma pessoa chama a outra), e um modelo de negócios incerto. O modelo de negócios era baseado em anúncios e pagamentos por contato, modelos nunca antes testados pelo KPBC naquela época. Apesar de apresentar um grande risco por ser um modelo de negócio totalmente desconhecido, Friendster tinha um grande potencial e várias idéias que mudariam a regra do jogo, o que fez com que Siegelman decidisse arriscar.

Um outro exemplo em que o modelo era incerto foi a Amazon. Quando KPBC investiu na Amazon, o modelo era bem novo. Porém, a empresa já estava tendo faturamento de alguns milhões de dólares na venda de livros pela internet, o que provou para Siegelman que o modelo seria bem sucedido. Naquela época ainda era cedo para dizer se a empresa poderia manter margens significantes ou se a empresa teria o faturamento de bilhões de dólares que tem hoje. Mas Siegelman sabia que algo bom estava acontecendo.

 

Como todos os venture capitalists, Siegelman também investiu em modelos que não funcionaram. Um bom exemplo foi o de uma empresa que promovia trocas de produtos online. A idéia parecia ótima, parecida com a do eBay. No entanto, não funcionou. Siegelman não sabe ao certo se foi má execução ou se o plano de negócios era ruim.

Saber a hora certa para investir também é crucial para ser um investidor bem sucedido, porém ao ver de Siegelman, poucos entendem sobre o assunto. Investir na hora certa e o ritmo em que o dinheiro é investido fazem uma grande diferença no retorno financeiro. O investidor pode errar ao investir muito cedo ou muito tarde. Ao investir muito cedo demais, o investidor pode ter que colocar muito capital e ter retornos relativamente menores a investidores que chegam mais tarde e não tem que arcar com o investimento inicial. Ao investir tarde demais, empresas que tem ótimos modelos de negócios podem perder a oportunidade de ganharem sua fatia de mercado e acabam sendo esmagadas pelos competidores. Saber a hora certa de investir é difícil, mas bons investidores acabam desenvolvendo um certo instinto.

Em suma, podemos ver que Siegelman investe em modelos de negócio que domina e em outros modelos que pode não dominar inicialmente, mas passa a conhecer bem. Além disso, o novo modelo deve apresentar conceitos que mudam a regra do jogo, e passam a ser a nova realidade.

Saber a hora certa de investir é crucial para ser ter altos retornos. Este ‘instinto’ ao qual Siegelman se refere, tembém é mencionado por muitos investidores e empreendedores de sucesso. No próximo artigo continuaremos com a série “como investidores avaliam oportunidades de negócios”, respondendo a questão:  “Qual é o processo de investigação conduzido para decidir se o investimento vale a pena (due diligence)?”

Sobre a KCPB

Desde quando foi fundada em 1972, Kleiner Perkins Caufield & Byers tem investido em empreendedores em mais de 500 empreendimentos, incluindo AOL, Amazon.com, Citrix, Compaq Computer, Genentech, Google, Intuit, Netscape, Lotus, Symantec, e Xilinx. O portfolio de empresas da KPCB emprega mais de 250 mil pessoas. Mais de 150 empresas do portfolio tornaram-se públicas.

 

Referências:

New Business Venture and the Entrepreneur 6th Edition, Mc Graw Hill

PR Newswire

Elaine Horibe Song é médica cirurgiã plástica formada pela Universidade Federal de São Paulo, com Especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio VargasMBA pela Universidade da Califórnia. Atualmente atua como consultora da Kaiser Permanente e de startups nos EUA.

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