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Comércio Exterior: ainda mais dos básicos

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De acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em setembro de 2010 o superávit comercial brasileiro somou apenas US$ 1,09 bilhão (frente à US$ 2,4 bilhões em agosto e US$ 1,3 em setembro de 2009), devido ao maior dinamismo das importações relativamente às exportações, que cresceram 2% e 0,8%, respectivamente, na série com ajuste sazonal. Com esse impulso adicional, as importações atingiram o recorde histórico de US$ 17,74 bilhões ou US$ 844,8 milhões por dia útil, valores superiores aos vigentes antes do efeito-contágio da crise (em setembro de 2008, US$ 17,25 bilhões e US$ 785 milhões por dia útil). Já exportações somaram US$ 18,83 bilhões (US$ 897 milhões por dia útil), a melhor média diária desde setembro de 2008 (US$ 910 milhões). É importante detalhar esses resultados gerais.
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Do lado das exportações, apesar de menos dinâmicas do que as importações, seu desempenho em setembro foi favorável em função, sobretudo, das vendas externas de bens básicos, mais especificamente, de commodities cujas cotações têm se elevado no mercado internacional, seja em função de choques agrícolas, seja devido à desvalorização do dólar, seja em decorrência das operações especulativas no mercado futuro estimuladas pelas taxas de juros historicamente baixas nos países centrais.
Considerando as 12 principais commodities exportadas pelo país (que respondem por 60% das exportações de básicos), o preço médio avançou 20% frente a setembro de 2009 e 4,3% na comparação com o mês anterior. Com isso, as exportações de básicos cresceram 8,3% frente a agosto na série livre de influências sazonais. As exportações de semimanufaturados também se beneficiaram da alta dos preços das commodities, mas em menor intensidade, registrando uma expansão de 2,7% na mesma base de comparação. Em contrapartida, no caso dos manufaturados, as vendas externas recuaram 2,6%, resultado especialmente preocupante dado o contexto de aceleração do crescimento nos países latino-americanos, que absorvem parcela significativa dessas vendas. Além do patamar excessivamente apreciado da moeda brasileira, o fraco desempenho econômico nos Estados Unidos (outro importante destino desses bens) e a concorrência no mercado internacional no contexto pós-crise (especialmente de produtos chineses) devem estar contribuindo para esse resultado.
No âmbito das importações, ao contrário do observado em agosto (quando as importações de bens de capital foram mais dinâmicas), em setembro o avanço das compras externas na margem decorreu do crescimento das importações de matérias-primas e bens intermediários (5% frente a agosto, com ajuste sazonal), impulsionado pelo aquecimento da produção industrial em função das vendas de final de ano. Já as importações de bens de capital e de bens de consumo recuaram nessa base de comparação (2,9% e 1,3%), resultado que reflete, ao que tudo indica, um ajuste após as altas expressivas registradas em agosto (8,2% e 3,9%). Ou seja, nos próximos meses, se a conjuntura atual – de dinamismo do mercado interno e moeda apreciada – não sofrer alteração, essas importações devem retomar a trajetória ascendente.
Resultados Gerais. Durante as cinco semanas de setembro, o saldo comercial foi igual a US$ 1,1 bilhão, representando uma média por dia útil de US$ 52,0 milhões. A partir de dados dessazonalizados pelo IEDI, podemos observar que a média diária de setembro frente a média de agosto registrou uma queda de 20,7%, por um aumento na média das importações superior às exportações. Na comparação entre médias por dia útil, o saldo do mês em questão foi 16,5% inferior ao da média relativa no mesmo mês do ano anterior (US$ 62,3 milhões), a quarta queda consecutiva nesta comparação. Entre janeiro e setembro de 2010, a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 12,8 bilhões (média diária de US$ 68,0 milhões), enquanto que nesse mesmo período de 2009 o saldo foi de US$ 21,2 bilhões (US$ 113,3 milhões por dia útil), assinalando um recuo de 40,0% em termos diários e de 39,7% em termos absolutos. Cabe ressaltar que se houver manutenção dos saldos mensais no mesmo ritmo, o saldo de 2010 atingirá os US$ 16,0 bilhões, bem inferior ao resultado de 2009, quando o saldo acumulado no ano foi de U$ 25,4 bilhões. Nos últimos doze meses, o saldo comercial fechou em US$ 16,9 bilhões, comparativamente aos US$ 26,5 bilhões observados no mesmo período imediatamente anterior.
Importações. No mês de setembro de 2010, as importações totalizaram US$ 17,8 bilhões, indicando uma média por dia útil de US$ 844,8 milhões. Contribuíram para esse desempenho as importações da 3ª e 4ª semana, principalmente (com médias diárias de US$ 883,8 milhões e US$ 924,6 milhões, respectivamente). Na comparação de média diárias, em setembro observou-se uma expansão de 2,8% frente a agosto na série com ajuste sazonal. Com relação a setembro do ano passado (média por dia útil de US$ 597,8 milhões e US$ 12,5 bilhões no total), houve ampliação de 41,3%. No acumulado dos nove primeiros meses de 2010, as compras de produtos estrangeiros atingiram US$ 132,1 bilhões (US$ 702,9 milhões por dia útil), valor diário que obteve crescimento expressivo de 45,1% referente ao mesmo período do ano passado (média por dia útil de US$ 484,6 milhões). Nos últimos doze meses, as importações totalizaram US$ 469,3 bilhões comparativamente aos US$ 132,4 bilhões do mesmo período do ano anterior.
Exportações. As exportações fecharam o mês de setembro em US$ 18,8 bilhões. Em termos de média por dia útil, as exportações de setembro registraram valor de US$ 896,8 milhões, indicando uma variação positiva de 35,9% em relação à média de setembro do ano passado (US$ 660,1 milhões). Para esse desempenho, cabe destacar as exportações da 3ª semana (US$ 4,9 bilhões no total e US$ 988,8 milhões por dia útil) e da 4ª semana (US$ 5,0 bilhões e média diária de US$ 1,0 bilhão). No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a venda de produtos brasileiros no exterior fechou o mês com um total de US$ 144,9 bilhões (média por dia útil de US$ 771,0 milhões). Com relação à média diária do acumulado do mesmo período de 2009 (US$ 597,8 milhões), houve um aumento de 28,9%. No acumulado dos últimos doze meses, as exportações somaram US$ 186,1 bilhões, em comparação aos US$ 158,9 obtidos no mesmo período imediatamente anterior, assinalando acréscimo de 17,2% em termos de média diária.
Corrente de Comércio. A corrente de comércio, soma das exportações e importações, foi de US$ 36,6 bilhões no mês de setembro, representando cerca de US$ 1,7 bilhão por dia útil. Frente a setembro de 2009, a corrente de comércio assinalou um acréscimo de 38,4% em termos de média por diária. No acumulado de 2010 até o mês de setembro, o fluxo de comércio chegou a US$ 277,1 bilhões, um crescimento de 36,2% contra o mesmo período de 2009 em médias diárias. Nos últimos doze meses, a corrente de comércio totalizou US$ 355,4 bilhões, comparativamente aos US$ 291,3 bilhões obtidos no período anterior, registrando avanço de 22,0%.
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