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Biotecnologia – sinônimo de inovação na indústria de remédios

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No último artigo falamos sobre o interesse dos Venture Capitalists americanos na indústria de biotecnologia. Mas afinal, o que é biotecnologia? No Brasil, quando se fala em biotecnologia, geralmente o que vêm à mente das pessoas são assuntos relacionados à agricultura, produção de álcool (etanol), etc. Mas neste artigo vamos mostrar o que é biotecnologia aplicada à saúde.

Qual a importância da biotecnologia na área da saúde?

Se você trabalha na área da saúde provavelmente já se deparou com pacientes com doenças consideradas de difícil tratamento, como Alzheimer, câncer, HIV. Apesar de difíceis de serem tratadas, graças aos avanços da biotecnologia, melhores remédios e vacinas têm sido desenvolvidos, o que tem resultado em melhora da qualidade de vida das pessoas afetadas. Células tronco com potencial de regenerar tecidos nobres do corpo humano, agentes quimioterápicos, vacinas contra AIDS e câncer…são todos bons exemplos de frutos de esforços dos cientistas da indústria de biotecnologia.

Qual a diferença entre indústria de biotecnologia e farmacêutica?

A diferença principal está nos produtos. Enquanto as empresas farmacêuticas produzem remédios a partir de pequenas moléculas não biológicas (ex: aspirina), as empresas de biotecnologia produzem vacinas, hormônios, anticorpos, etc a partir de células. Ou seja, as células são modificadas para produzirem a substância desejada, funcionando como uma mini-fábrica. Alguns consideram a indústria de biotecnologia como parte da indústria farmacêutica. Algumas outras diferenças estão no quadro 1.

Quais as principais características da indústria de biotecnologia?

As empresas mais proeminentes da indústria global de biotecnologia estão no quadro 2.

Mercado em expansão: Segundo a empresa de consultoria Ernst & Young, o faturamento de empresas de biotecnologia públicas em 2009 foi de cerca de US$ 80 bilhões, 8% maior do que no ano anterior. Este aumento apesar da crise mundial prova que a indústria de biotecnologia é capaz de sobreviver a condições econômicas desfavoráveis.  O envelhecimento da população é um dos fatores que impulsionam o crescimento desta indústria.  É esperado que o faturamento em 2011 cresça em 5-10%, e que grande parte deste crescimento venha de países emergentes, incluindo o Brasil. A IMS Health (renomada empresa de consultoria na área de saúde) prevê que o crescimento nestes países seja de 15% em 2011.

O processo de desenvolvimento dos remédios é lento, mas os resultados podem ser muito atraentes. São necessários muitos anos para que novas drogas sejam desenvolvidas.  Geralmente, de 5-10 mil novas idéias para drogas, apenas 1 chega ao final do processo e é aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration, organização semelhante à Anvisa). O processo pode levar até 20 anos.

Grandes empresas como Amgen demoraram cerca de 10 anos para serem lucrativas. Apesar do processo lento, a indústria de biotecnologia atrai muitos investidores , pois o lucro obtido com a droga que chega a ser comercializada mais do que compensa a espera. A patente obtida protege contra imitações e a empresa tem exclusividade de produção por 20 anos.

No entanto, várias tendências tornam o investimento mais atraente para VCs e outros investidores:

– Avanços em biologia de sistemas (combinação de tecnologias de ponta, como diagnóstico molecular, computafores avançados e bancos de dados genéticos extremamente eficientes) eventualmente levarão a um desenvolvimento de drogas mais eficaz, mais rápidido e menos oneroso.

-Existe atualmente a possibilidade de investir somente em compostos (anticorpos, vacinas, moleculas) que tem maior potencial de se tornarem drogas comercializáveis, ao invés de investir na empresa como um todo. Desta forma, empresas de VC, como a CMEA Capital de Sao Francisco, podem conseguir um retorno do investimento muito maior, com menos risco. Esta empresa por exemplo, está a procura de compostos para investir nos ensaios clínicos, e vende-los para grandes empresas farmacêuticas

– Muitos dos investidores em biotecnologia são as próprias grandes empresas farmacêuticas (como a Roche, Eli Lilly, etc). Como a patente das principais drogas de várias empresas farmacêuticas estão prestes a expirar, estas empresas precisam de adquirir novas drogas para serem lançadas no mercado. Daí a grande onda de fusões e aquisições na indústria farmacêutica de de biotecnologia.

Onde estão as oportunidades?

Há duas semanas, 8500 investidores e CEOs e executivos das áreas de saúde se reuniram em São Francisco para o JP Morgan Annual Healthcare Conference. Vários CEOs de empresas de biotecnologia, farmacêuticas e de saúde deram palestras falando de seus planos e expectativas para 2011 (webcasts disponíveis em http://jpmorgan.metameetings.com/webcasts/healthcare11/ondemand.html).  O clima de otimismo prevalesceu entre os palestrantes, e todos esperam que este ano seja um ótimo ano para a indústria.

Um dos temas abordados foi a perda das patentes pelas grandes empresas farmacêuticas.  Esta pode

ser uma grande oportunidade para empresas produzirem e lançarem suas versões genéricas no mercado. Interessante notar que os remédios produzidos por empresas farmacêuticas tradicionais são muito mais facilmente replicáveis do que os produzidos pelos complexos métodos usados pelas empresas de biotecnologia. Como os remédios produzidos pelas empresas de biotecnologia provem de células, e não são simples moléculas que podem ser reproduzidas, as empresas de biotecnologia estão relativamente mais protegidas do que as puramente farmacêuticas.

As empresas que lidam com o desenvolvimento de células tronco também têm um futuro que promete. As células tronco podem ser a solução para muitos problemas que até então não tinham  perspectivas de curas, como lesões na medula óssea,  Parkinson, Alzheimer, etc.

Uma outra boa idéia é ajudar as empresas de biotecnologia a crescerem. Existem empresas que produzem tecnologia e/ ou matéria prima para as empresas de biotecnologia produzirem seus remédios. No próximo artigo falaremos sobre algumas dessas empresas na Califórnia e no Brasil.

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Fontes: JP Morgan, Ernst & Young, IMS Health, Fredonia

Elaine Horibe Song é médica cirurgiã plástica formada pela Universidade Federal de São Paulo, com Especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas e MBA pela Universidade da Califórnia. Atualmente atua como consultora da Kaiser Permanente e de startups nos EUA.

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