Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

CMW Saúde fatura R$ 8 milhões em 2008

Publicidade

O segmento de mercado de nutrição especializada tem crescido muito nos últimos anos. Divide-se em verdadeiros nichos, com características peculiares. Para se ter uma ideia, cerca de 50% dos pacientes hospitalizados apresentam alguma forma de desnutrição. No Brasil, por exemplo, o mercado de nutrição enteral gira em torno de R$ 350 milhões; o de alergia alimentar e erros inatos do metabolismo, aproximadamente, R$ 80 milhões cada um. Grandes empresas multinacionais dominam esse segmento também na mira de companhias nacionais de pequeno porte. É o caso da CMW Saúde & Tecnologia que em 2008 viu seu faturamento chegar a quase R$ 8 milhões em 2008, com um crescimento de 73% sobre o ano de 2007. A companhia saiu de um faturamento de R$ 1,605 milhão em 2006 para R$ 4,5 milhões em 2007, ou seja, 182% de crescimento. Para este ano, a projeção é crescer de 25% a 30%.

Deixe o seu comentário sobre esta notícia

Tem mais informações sobre o tema? Então, clique aqui

Segundo Carlos Eduardo Gouvêa, diretor da CMW Saúde, o projeto para este ano é conquistar outros mercados na América Latina.

INVESTNEWS – O que é nutrição especial e como está o mercado desses produtos no País?

Carlos Eduardo Gouvêa A área de nutrição especializada tem crescido muito. São verdadeiros nichos de mercado que têm suas características peculiares, mas todos eles dentro de um setor que chamamos, para efeitos regulatórios, de alimentos para fins especiais. Dentro desses setores, a CMW Saúde optou por trabalhar em algumas áreas muito especificas. Uma delas é a de alimentação enteral, que tem crescido desde 1999 sempre em torno de dois dígitos, em média de 25% a 30% por ano. E tem potencial para crescer ainda mais porque a questão de desnutrição hospitalar ainda é um problema grave a ser enfrentado. Outro segmento interessante que adotamos é a área de erros inatos do metabolismo, ou seja, doenças genéticas descobertas logo no nascimento por meio de um exame chamado de triagem neonatal (teste pezinho). A mais comum delas é a Fenilcetonúria, e outras doenças descobertas tardiamente. Em todos os casos a dieta é restritiva. O terceiro grande nicho de atuação da CMW é a área de alergias, que vem crescendo bastante, não porque a população está mais alérgica, mas porque o diagnóstico tem melhorado e, com mais detecção, é possível um tratamento mais adequado.

INVESTNEWS – Quantas empresas especializadas nesse segmento existem no País?

Carlos Eduardo Gouvêa O mercado de nutrição enteral é o mais competitivo, com 10 empresas, sendo três brasileiras. É um mercado bem concorrido com grandes empresas. Já o mercado de alergia alimentar é mais restritivo com três grandes players atuando. No caso de erros inatos do metabolismo, há duas grandes empresas internacionais com linhas de alimentação disponíveis e uma pequena empresa nacional que está começando.

INVESTNEWS – Quanto essas empresas movimentam?

Carlos Eduardo Gouvêa Cada um dos mercados tem valores distintos. No Brasil, o mercado de nutrição enteral deve girar em torno de R$ 350 milhões. O de alergia alimentar e de erros inatos do metabolismo, R$ 80 milhões aproximadamente, cada um deles.

INVESTNEWS – O mercado mundial de alimentos funcionais tem um potencial de vendas de US$ 70 bilhões por ano, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais (Sbaf). Qual o potencial no Brasil? Quanto a companhia representa em market share no País?

Carlos Eduardo Gouvêa Os alimentos funcionais são aqueles que propiciam algum benefício ao metabolismo das pessoas que os consomem. Para serem registrados como tal (alimento com alegação de propriedade funcional) eles têm de passar pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), após um longo processo de análise que comprove a sua eficácia e segurança. Não pretendemos entrar no mercado de alimentos funcionais tal como é conhecido hoje, com vários produtos da área de consumo (varejo), já que nosso foco acaba sendo mais para o B2B, no qual o médico ou nutricionista são essenciais no endosso ou mesmo na prescrição do produto. No nosso caso, o produto tem quase que uma finalidade terapêutica, enquanto que com os alimentos funcionais isto não seria possível.

INVESTNEWS – As medidas tomadas pela Anvisa em relação a alguns produtos podem impulsionar esse mercado?

Carlos Eduardo Gouvêa No caso de alimentos funcionais espera-se um crescimento maior, resultando para diversas companhias, principalmente empresas menores, oportunidades para lançamentos de produtos próprios, a exemplo do que já fizeram as grandes líderes do setor.

INVESTNEWS – Qual o market share da empresa?

Carlos Eduardo Gouvêa Nas áreas de Erros Inatos do Metabolismo e Alergia Alimentar Severa, a participação chegou em 20% em 2008, em nível nacional, graças a algumas importantes licitações ganhas, que permitiram um rápido contato dos produtos recém-lançados, como o AminoMed e AlergoMed.

INVESTNEWS – Quais as perspectivas para este ano?

Carlos Eduardo Gouvêa Estávamos crescendo de forma extraordinária até 2008. Em 2009, não diria que vai haver uma crise de demanda, pois se tem um setor que acaba não sofrendo com a crise é o de saúde. Há sempre mais pessoas precisando de suplementação nutricional ou de uma internação. O que existe é uma crise de liquidez. Principalmente, os pequenos e médios hospitais, começaram a ter restrição ao crédito, pois dependem de bancos pequenos e médios que tiveram suas linhas cortadas pelas grandes instituições financeiras. Isso traz alguma preocupação. Mas como é um mercado muito pulverizado, com clientes públicos e privados, o segmento ainda trabalha com margem de segurança, por isso esperamos um crescimento em torno de 25% a 30% para este ano.

INVESTNEWS – Como tem sido o crescimento da empresa em termos de faturamento nos próximos anos? E quais as perspectivas para 2009?

Carlos Eduardo Gouvêa A CMW cresce de forma orgânica, porém a perspectiva é continuar crescendo. Estimamos um incremento em torno de 30%. Sempre com foco na linha de nutrição especializada. Estamos em fase final de acordos com uma empresa francesa e com alguns firmados na América Latina. Embora seja uma empresa pequena, já possui o processo de internacionalização em andamento. A CMW conta com distribuição e representação dessas empresas europeias em toda a América Latina e leva os produtos a países como Chile, Peru e Colômbia, que jamais teriam acesso a contratos com uma empresa grande.

INVESTNEWS – Quem são os principais clientes da CMW?

Carlos Eduardo Gouvêa Na área de nutrição enteral pequenos e grandes hospitais privados, aqui em São Paulo. Nas outras áreas, o grande cliente é o governo, por meio das secretarias municipais e estaduais de saúde.

INVESTNEWS – A CMW também trabalha com tecnologia, como ela entra nesse segmento? Há investimentos nesse setor?

Carlos Eduardo Gouvêa Trabalhamos bastante nessa área. Já temos um serviço de gestão hospitalar. No contrato com pequenos e médios hospitais, a CMW oferece uma equipe de nutricionistas. A grande vantagem é que o hospital ganha com a expertise da empresa (que trabalha com um protocolo de atendimento específico) e passa a não ter mais a glosa (recusa do pagamento por parte do plano de saúde). Já o paciente ganha um estado nutricional mais adequado. E a CMW tem a possibilidade de ter um contrato de médio e longo prazos. O da desnutrição hospitalar é muito atual. Para se ter uma ideia cerca de 50% dos pacientes hospitalizados se encontram em algum estado de desnutrição. Não que ele entre desnutrido no hospital, mas muitas vezes se desnutri durante o tratamento. O sistema de gestão propicia para o hospital uma estrutura adequada sem custo adicional.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta