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Bons gestores no setor da saúde

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“A saúde está consolidada”, afirma o presidente da Confederação Nacional de Saúde, José Carlos Abrahão após concluir que o Brasil possui um conceito de que a saúde é uma só. O resultado seria a consequencia de boas estratégias no setor hospitalar. Em entrevista ao portal Saúde Business Web, o presidente da CNS explica quais são essas estratégias e as tendências para os próximos anos.

Saúde Business Web: O que pode ser considerado estratégia vencedora no setor da saúde?

José Carlos Abrahão: Nós temos conhecimento de três modelos distintos: privado, filantrópico e público. Posso citar, por exemplo, o hospital de Barretos que recebe recursos via SUS e uma complementação por causa de um déficit que vem através da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e parte por doações de comunidades, esse seria um exemplo claro de um hospital que tem estratégias vencedoras. No modelo privado, nós temos a Rede D”OR, no Rio de Janeiro, que é sustentada pelas operadoras e tem seu financiamento através do sistema suplementar. No caso de uma instituição filantrópica podemos falar da Santa Casa de Porto Alegre (RS), talvez muitos venham se lembrar que ela era uma instituição puramente filantrópica, que tinha uma gestão não muito profissionalizada, e numa determinada fase da sua vida partiu para a profissionalização. Isso mostra o lado que nós tanto debatemos que é o lado da gestão, da profissionalização, do treinamento dos seus profissionais, é fazer com que haja um desenvolvimento contínuo dessas instituições. Esses modelos mostram que hoje nós temos a saúde diariamente em foco. Todos os dias temos colocações nas quais se falam sobre a gestão, que precisamos, sim, melhorar, mas por outro lado nós temos gestores muito bons de saúde.

SBW: Algumas entidades médicas e hospitais, por exemplo, se mostram insatisfeitos com a gestão no Brasil. Qual é a base utilizada para se afirmar que o país tem bons gestores?

Abrahão: Porque os recursos não são os ideais. Eles são inclusive maiores porque eles são complementados pela iniciativa privada, quer seja através do próprio sistema suplementar quer seja dos gastos diretos. Com esses recursos, que são muito menores do que os recursos que nós temos hoje quando comparados com países da Europa que estão gastando US$ 3 mil per capita, ou quando comparado com o próprio Estados Unidos que estão gastando cerca de US$ 7mil per capita e tem uma exclusão de 47 milhões, e esses números são fornecidos pelo próprio presidente Barack Obama. Enquanto isso, estamos no Brasil com gastos de US$ 300 per capita e somos referências em imunizações e em tratamentos de aids, além disso, somos o segundo país do mundo em transplantes. Nossa nação é um modelo de exemplo. Temos o próprio hospital de Barretos e várias outras ilhas de referência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco mostrando que esse complexo da saúde brasileira tem a obrigação de mostrar e fazer com que a nossa sociedade tenha consciência que ele é muito importante.

SBW: O que o complexo brasileiro da saúde tem de mais importante?

Abrahão: Ele responde hoje por 8% do nosso PIB, emprega 2, 8 milhões de trabalhadores diretos e quase 5 milhões indiretos. Temos 204 mil estabelecimentos de saúde no Brasil, possuímos 6,7 mil hospitais, além de 500 mil leitos hospitalares. A confederação também conseguiu um novo dado: nos últimos meses estamos acompanhando a movimentação do Caged, que é o cadastro geral de emprego, e ele tem sido positivo, mostrando o crescimento do setor da saúde e de todo esse complexo como um todo.

SBW: Seria uma tendência para os próximos anos continuar com essa boa gestão e estratégias nas unidades hospitalares?

Abrahão: Acredito que sim. Primeiro porque a nossa população está se desenvolvendo e se você tem uma maior longevidade você, consequentente, terá uma maior utilização dos serviços de saúde. Os próprios serviços do setor estão se profissionalizando, desenvolvendo projetos de acreditação e de qualificação. As unidades têm procurado se reestruturar e se reaparelhar, então o braço da indústria médico-hospitalar tem sido fundamental. A confederação tem procurado, inclusive, fazer um trabalho junto da Abimo mostrando que nós no Brasil produzimos equipamentos e já exportamos, podendo utilizar esses produtos em maior quantidade, e isso tudo mostra que hoje a iniciativa privada está consolidada, temos um conceito de que a saúde é uma só e, mais do que nunca, está consolidada a nível mundial. Precisamos manter a iniciativa privada junto com a iniciativa pública e o desenvolvimento desse setor tem sido significativo, assim como os próprios números do crescimento do PIB e das unidades têm demonstrado isso.

SBW: O senhor citou a acreditação, essa certificação tem algum incentivo do governo ou algum convenio para ajudar a unidade hospitalar?

Abrahão: Procuramos desenvolver um trabalho junto com a ANS e com o BNDES no final do ano passado. Hoje, o banco já disponibiliza linhas de créditos, cartões de créditos que podem até três por instituição no valor de R$ 250 mil cada um para implementação de um projeto de acreditação. A acreditação vai ser uma necessidade não só dos serviços das instituições de saúde mas também dos nossos clientes, eles vão querer uma instituição acreditada e a acreditação não vai bater só do lada da operadora, mas também do lado do prestador que com certeza vai poder propiciar uma melhor atenção a saúde da nossa população.

Assista a entrevista na íntegra, webcast

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