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Beneficência usa novo método para tratar hiperidiose

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A equipe de Cirurgia Torácica Pr. Dr.Vicente Forte do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, utiliza um novo método no tratamento da hiperidiose, distúrbio que causa suor excessivo nas mãos, rosto, axilas e pés que acomete em torno de 1% da população mundial. O problema, provocado por um aumento de atividade do Sistema Nervoso Simpático, responsável pelas funções autônomas como a respiração, batidas cardíacas e temperatura corpórea, pode ser resolvido com uma cirurgia simples e segura, segundo o cirurgião de tórax da Beneficência, Dr. Petrúcio Abrantes Sarmento. Pelo método, chamado de simpaticotomia, o cirurgião faz pelo tórax a interrupção de alguns nervos específicos da cadeia simpática, que comandam a transpiração. Cada um desses gânglios responde a uma área: o T2 controla o suor e o rubor da face, o T3 o das mãos e o T4 e T5 as axilas. O sucesso da cirurgia, feita por videotoracoscopia, é de 100% quando a sudorese acomete as mãos e entre 70% e 90% nos casos de rosto, axilas e pés.
“Como a cirurgia é pouco invasiva e tem um índice de complicação próximo a zero, a recuperação é rápida”, afirma Dr. Sarmento. Normalmente o paciente pode ir para casa no mesmo dia e em três dias já volta a trabalhar e a dirigir. É preciso aguardar 15 dias para carregar peso e fazer exercícios. Segundo o cirurgião, a utilização do bisturi harmônico também colabora para os melhores resultados. “Com este bisturi harmônico, há menos dor durante a recuperação do que com o bisturi elétrico tradicional porque, em vez de usar calor e queimar os tecidos, utiliza o ultra-som para cauterizar”, explica. O procedimento é feito com anestesia geral.
A secção do simpático elimina completamente o suor do local onde é mais intenso (mãos, face, axilas e pés) e o transfere, durante seis a doze meses, para outras regiões do corpo, como abdome, costas e coxas. É a chamada sudorese compensatória. Apenas 7% dos pacientes se queixam da persistência dessa compensação de forma desagradável. Entretanto, esse índice representa aqueles que passaram pela técnica inicial, que interrompia todo o conjunto de gânglios acima descritos independentemente da localização do suor. “Com a técnica atual, que secciona menos o simpático, a sudorese excessiva em outros locais (compensatória) diminui bastante e hoje está em torno de 3%”. O médico ressalta que a cirurgia só é indicada para pessoas que tenham o diagnóstico da doença hiperidrose (hiperidrose primária), e não apenas por uma questão de conforto nas pessoas que não tenham hiperidrose primária.
A experiência dos pacientes que passam pela cirurgia se traduz em “vida nova”. O suor excessivo traz constrangimento nas relações sociais, e grandes incômodos no dia-a-dia, inclusive em questões simples, como não poder usar sandálias porque os pés escorregam, ou borrar folhas de papel.
É o caso do auxiliar de expedição Rodrigo Martins, de 17 anos, que passou pela cirurgia no começo do mês. Ele fez a cirurgia para resolver o problema nas mãos e nos pés e comemora a eficiência da cirurgia. Martins foi operado na Beneficência Portuguesa pelo SUS, mas a cirurgia também tem cobertura pelos planos de saúde.

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