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Baixos salários prejudicam Programa Saúde da Família no Rio

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Embora seja unanimidade entre profissionais da saúde que o Programa Saúde da Família é fundamental para a melhoria da atenção básica e do sistema de saúde como um todo, isso não se reflete em números no Rio de Janeiro. Menos de 4% da população têm acesso ao programa e a maioria sequer conhece a estratégia criada pelo governo federal em 1994 e implementada no Rio em 1999. Os baixos salários, na opinião dos profissionais que trabalham no programa, são o maior responsável pelo fraco desempenho do programa.
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Hoje, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a cidade possui 132 equipes completas: médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e agentes comunitários – sem odontologista. Outras 187 equipes estão incompletas, devido à falta de médicos. Por isso, não são reconhecidas pelo Ministério da Saúde.
Coordenador da unidade do PSF de Nova Brasília, zona oeste da cidade, o médico Oscarino dos Santos Barreto Jr. diz que o salário de aproximadamente R$ 5 mil para uma jornada de 8 horas diárias de trabalho é pouco, principalmente se levado em conta que a maioria dos locais que o programa cobre fica em áreas consideradas violentas. O salário mínimo instituído pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) é de R$ 8.239,24 para 20 horas de trabalho semanais.
“Com uma carga horária de 40h horas semanais, o salário tem que ser muito bom, pois o profissional não tem como ter outra fonte de renda. Além disso, os locais são geralmente em área de risco, o que é um agravante e inibe o interesse do profissional”, explica o médico. “Estou aqui porque acredito no programa e o retorno do meu trabalho é recompensador,” completa.
Barreto conta que a unidade chegou a ser fechada várias vezes em julho de 2007, devido a intensos conflitos entre policiais e traficantes de drogas no Complexo do Alemão.
A médica de família Jane de Castro explica que hoje os médicos preferem trabalhar em emergências, onde a jornada é de 20 horas. “E o restante do tempo complementar o salário com plantões ou em consultório próprio. A atenção básica voltada para a prevenção de doenças acaba ficando em segundo plano por conta do salário pouco convidativo”.
Barreto explica que os profissionais que permanecem no PSF acabam fazendo uma carreira, criando um misto de paixão pelo trabalho e satisfação muito grande pelo retorno que a comunidade dá. “Os resultados aparecem em pouco tempo: desde que estamos aqui, há quatro anos, vimos a redução dos índices de mortalidade infantil, a redução dos problemas em pacientes hipertensos e diabéticos, a prevenção do câncer de colo uterino, entre outros. E a gratidão deles (pacientes) conosco não tem preço”, declara o médico orgulhoso.
O Coordenador de Políticas e Projetos da Superintendência de Atenção Básica e Gestão do Cuidado (Sesdec/RJ), Pedro Lima, informou que a questão salarial é um dos pontos importantes para a atual gestão. “Queremos expandir a cobertura do PFS para 70% da população até 2012 e estamos estudando um novo plano de gestão que vai contemplar também a melhoria dos salários.”
 

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