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Bactéria que causa morte em bebês prematuros é desconhecida das parturientes e dos ginecologistas

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Exame laboratorial realizado até 48 horas antes do parto normal elimina o risco

A presença da bactéria estreptococo beta-hemolítico do grupo B (EGB), mais conhecida como estrepto B, no trato genital de parturientes, pode provocar infecção neonatal nos primeiros sete dias de vida e levar à morte do bebê. Esta bactéria está presente em cerca de 15 a 35% das gestantes ao longo da gravidez.

Segundo o médico obstetra Marcelo Luís Nomura, do Caism-Unicamp, autor da tese de doutorado que investigou o assunto, em 50% dos casos de parto em mulheres contaminadas, a bactéria – que não causa sintomas nas mães – pode ser transmitida ao recém-nascido. Esta infecção pode provocar meningite, pneumonia, osteomielite (inflamação da medula dos ossos) e septicemia (infecção no sangue), ocorrendo em 2% dos bebês de mães contaminadas. Os prematuros são afetados com mais freqüência e os sintomas aparecem poucas horas após o nascimento. Dos sobreviventes de meningite, 15 a 30% podem vir a apresentar seqüelas neurológicas, visuais e auditivas graves. A taxa de mortalidade varia de 2 a 30%.

Ainda não há vacina preventiva para o controle da bactéria; a única forma de prevenção é o controle laboratorial, que pode ser realizado em até 48 horas antes do parto. Com o diagnóstico positivo, a paciente é medicada com o antibiótico penicilina, único remédio capaz de eliminar a colonização bacteriana, mas que não pode ser prescrito indiscriminadamente para todas as gestantes por causa do risco de desenvolvimento da resistência da bactéria.

Para o médico Ulysses Moraes Oliveira, especialista no exame laboratorial que previne a ação da bactéria, falta informação à mulher e ao obstetra. “Na maioria dos casos, o médico deixa de investigar a presença da bactéria por falta de conhecimento. A coleta feita horas antes do parto para a identificação da bactéria e o tratamento imediato reduzem a zero o risco de morte do bebê no momento do parto normal”, explica Oliveira.

Para o médico Marcelo Luís Nomura, apesar de não haver recomendação oficial governamental, o CAISM-UNICAMP realiza o exame em todas as gestantes entre 35 e 37 semanas de gestação, como recomendado há alguns anos na América do Norte, em alguns países europeus e num protocolo oficial, seja de órgãos oficiais ou de sociedades de especialistas. “Esta é a única forma de garantir que o diagnóstico seja prática habitual do médico”, esclarece.

História

Há quase 100 anos, o EGB, ou estrepto Beta B, era conhecido como causador da mastite bovina. Em 1970, emergiu como o principal patógeno em UTIs neonatais elevando a mortalidade de recém-nascidos e acometendo também os adultos. O intestino é a principal fonte do EGB, e a proximidade das regiões anal e vaginal favorece a infecção feminina.

Sobre o laboratório Franceschi

Fundado em 1974, o Laboratório de Análises Microbiológicas Dr A. P. Franceschi significou o desenvolvimento e estruturação de novas áreas como Hematologia, Bioquímica, Urinálise, Imunologia, Parasitologia além da Microbiologia. Dirigido por médicos patologistas com larga experiência e atuação em medicina diagnóstica, o laboratório tem quatro unidades em Campinas, e outras três localizadas em Paulínia, Jaguariúna e Sumaré. Para saber mais, acesse: www.labfranceschi.com.br

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