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Avaliação e incorporação de tecnologias em saúde ainda são incipientes no Brasil

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A Avaliação e Incorporação de Tecnologias em Saúde (ATS), tema principal do 6º Simpósio Internacional de Economia da Saúde, têm atraído a atenção de países desenvolvidos. O interesse não é por acaso. Os recursos destinados à área da saúde são escassos e finitos e, para que o setor tenha perenidade econômica será necessário utilizá-lo da forma mais eficiente possível. Para Marcos Bosi Ferraz, coordenador do Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES), o Brasil está iniciando as discussões acerca da ATS. ?É um tema complexo, amplo, metodologicamente ainda em evolução, e que exige a participação e envolvimento de profissionais com diferentes formações?, explica. No Brasil, esta avaliação é feita de forma pouco estruturada e não abrangente. ?Isto não significa que ela não aconteça, mas ainda deixa desejar. Não existe uma orientação ou regulamentação que contemple esta avaliação de forma ampla, considerando-se as prioridades em saúde, os aspectos econômicos e de eqüidade que devem nortear a disponibilidade e uso da tecnologia?. Acompanhe a entrevista.
Saúde Business Web: A 6º edição do simpósio traz como assunto principal a avaliação de tecnologias em saúde. Este é um tema emergente no setor?Marcos Bosi Ferraz: Este é um tema que tem gerado muito interesse em países desenvolvidos, que apesar de disponibilizarem de forma relativa (% como do PIB) ou absoluta (US$/habitante) mais recursos para a saúde, tem tido enorme dificuldade em definir quais tecnologias devem ser incorporadas e disponibilizadas para a população. Todos nós reconhecemos a importância da geração de novos conhecimentos e de novas tecnologias no processo de ganho de saúde; não há quem não queira ter mais tecnologias à sua disposição para um eventual uso. Afinal viver mais (mais anos de vida) e com melhor qualidade de vida é o que todos nós queremos. O ponto crítico é o quanto a sociedade está disposta a abrir mão do consumo de outros bens e serviços, também necessários e/ou tentadores (segurança, lazer, educação, saneamento básico, transporte,….) para a melhoria ou manutenção de seu estado de saúde. Estamos acostumados a fazer escolhas (sacrifícios) individuais todos os dias e respondemos individualmente por cada escolha. Escolhas precisam ser melhor feitas também no âmbito coletivo (seja no sistema púbico ou no sistema suplementar), e para isto há necessidade de um método robusto (capaz de justificá-las, sustentá-las, pois haverão potenciais perdedores e ganhadores) e uma preparação e amadurecimento progressivo dos potenciais usuários deste sistema, ou seja, da sociedade. O simpósio terá o firme propósito de contribuir para que este amadurecimento aconteça!

SBW: Quais os principais enfoques do evento?Ferraz: O principal objetivo deste simpósio é discutir, debater o tema Avaliação e Incorporação de Tecnologias em Saúde. O fundamento desta discussão baseia-se no reconhecimento de que os recursos destinados à área da saúde são escassos e finitos e, portanto, devem ser utilizados da forma mais eficiente possível. Em outras palavras, o simpósio visa nos auxiliar a responder às seguintes perguntas: O que temos que fazer para promover o maior ganho possível de saúde com os escassos recursos disponíveis? Quais tecnologias devem ser incorporadas e disponibilizadas para nós, potenciais usuários do sistema saúde (público e/ou suplementar)? Neste sentido a definição de tecnologia em saúde é ampla e não só considera novos equipamentos e medicamentos, mas também o processo produtivo da cadeia desde a promoção até a assistência à saúde.

SBW: Faltam ainda informação e formação para os profissionais de saúde?Ferraz: Com certeza! Um fato pode ser constatado: há limitação de recursos para atender a todas as nossas necessidades! Paralelamente, em um mundo onde a velocidade de geração de novos conhecimentos, e a produção e oferta de novas tecnologias é brutal (e a sociedade deseja que isto aconteça), há uma necessidade crescente de formação e capacitação de profissionais para criticamente avaliarem as evidências existentes, sua propriedade e adequação na utilização, bem como orientar um processo de escolha (buscar as melhores escolhas) em nome de população a ser beneficiada. A compreensão das limitações do sistema, limitação dos métodos disponíveis para implementar este processo de avaliação, assim como o exercício de um processo de escolha baseado em preferências e valores precisa estimulado. O sistema saúde necessita de decisões que possam ser bem justificadas. Para tanto, e considerando os desafios e oportunidades de nosso sistema saúde, é imprescindível um investimento adequado em educação e capacitação de profissionais!
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SBW: Hoje, a ATS é uma realidade nas empresas brasileiras de saúde?Ferraz: Ainda não! Estamos apenas iniciando as discussões acerca do tema Avaliação e Incorporação de Tecnologias em Saúde. É um tema complexo, amplo, metodologicamente ainda em evolução, e que exige a participação e envolvimento de profissionais com diferentes formações (equipe multidisciplinar). Hoje, em nosso sistema saúde, esta avaliação é feita de forma pouco estruturada e não abrangente. Isto não significa que ela não aconteça, mas ainda deixa desejar. Não existe uma orientação ou regulamentação que contemple esta avaliação de forma ampla, considerando-se as prioridades em saúde, os aspectos econômicos e de eqüidade que devem nortear a disponibilidade e uso da tecnologia.

SBW: Como, um hospital, indústria ou operadora, pode iniciar a avaliação e incorporação de tecnologias?Ferraz: O processo de avaliação de tecnologias é complexo e depende basicamente de profissionais capacitados e treinados para tal fim. Isto não significa uma barreira para o início de sua implementação. Os serviços de saúde devem avaliar criticamente todas as evidências disponíveis ao adquirir qualquer tecnologia ou oferecê-la aos seus usuários. O processo de decisão que envolve a incorporação de uma tecnologia baseada nesta avaliação é dependente de fatores adicionais, tais como o papel que este serviço desempenha na cadeia produtiva de saúde. Em outras palavras, esta decisão dependerá e será influenciada por interesses específicos e coletivos (da coletividade a que atende). Considerando-se o interesse da sociedade, políticas públicas precisam ser definidas de modo a orientar uma lógica de incorporação visando o atendimento dos interesses do usuário em primeiro lugar (ou seja, o interesse da sociedade). Uma vez disponibilizada a tecnologia, estes serviços podem contribuir com a geração de dados e informação sobre a propriedade de uso desta tecnologia, bem como documentar de fato os ganhos de saúde que tal tecnologia / intervenção propicia a aqueles que desta necessitam. A documentação do uso de recursos para sua implementação, bem como uma análise das opções disponíveis que competem pelos mesmos e escassos recursos deve ser considerada. Em um ambiente competitivo, os serviços de saúde devem a cada dia procurar oferecer aos seus usuários a maior qualidade possível (maior ganho de saúde possível), porém reconhecendo-se a limitação dos recursos disponíveis (maior eficiência). A escolha do mix de serviços e tecnologias a oferecer de modo a atendar às necessidades da população a que serve, bem como o zelo pela viabilidade do sistema saúde do qual participa determinarão sua importância e, portanto, sua maior perenidade enquanto iniciativa de reconhecido valor para a sociedade. Resumindo, embora seja um processo complexo, o mesmo já está presente entre nós, e tem um enorme poder diferenciador num ambiente atualmente muito competitivo, como o sistema saúde.

Serviço:
6º Simpósio Internacional de Economia da Saúde
18 a 20 de agosto ? São Paulo
Informações: (11) 3341-2980 / 3207-8241
www.cpes.org.br

Leia também a entrevista com Marcos Bosi Ferraz, com a cobertura do evento sobre os principais desafios e soluções so

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