Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Assistência domiciliar compete com hospitalar?

Publicidade

Ao falar em assistência a imagem predominante é de um hospital ou até mesmo em um ambulatório com o médico que traz no pescoço o estetoscópio e pergunta: “O que está sentindo?”. Esta é uma cena estereotipada, correto? Agora, imagine-se falando em assistência domiciliar, popularmente conhecida como homecare. A imagem é de uma cama hospitalar no meio de quarto e profissionais de saúde cuidando apenas de você em sua própria casa. Ora, o pensamento natural é de que você é retirado de um ambiente e levado a outro, ou seja, a sua saúde é disputada ora pelo hospital ou pela empresa de homecare, certo? Errado. Este pensamento também é carregado de estereotipo. Mas afinal quem ganha e quem perde com a assistência domiciliar?

Deixe o seu comentário sobre esta notícia

Tem mais informações sobre o tema? Então, clique

De acordo com o médico e gerente de negócios da Rede D´or, Mario Kandelman, sob o ponto de vista técnico e operacional, o hospital e a assistência domiciliar não competem de forma nenhuma. “A assistência, seja hospitalar ou domiciliar, está incluída dentro de uma cadeia de serviço. Portanto existe um sistema que possui players que convergem em idéias próximas, mas não concorrem diretamente, pois os objetivos são diferentes”, explica.

Durante o Workshop “Competitividade e Inovação na área da saúde, em especial na assistência médica domiciliar”, promovido pela Home Doctor no Rio de Janeiro, Kandelman defendeu que as empresas de homecare fazem justamente o gerenciamento dos pacientes crônicos, que quando desospitalizado traz impacto comercial positivo ao hospital. “O paciente crônico canibaliza um leito que poderia estar rodando com pacientes eletivos, por exemplo, e gerando receitas para as instituições”, pontua.

No caso do Copa D´or, um dos hospitais da rede carioca, de 200 leitos cerca de 8% são ocupados por paciente com mais de 100 dias de ocupação. Isto significa de que de 16 leitos, o que representa um hospital de pequeno porte, estão inativos. “O sistema pagador ou as operadoras de saúde perde, o hospital perde imensuravelmente porque não roda o leito e há um impacto em toda a cadeia produtiva da saúde”, acredita.

Quando a assistência domiciliar é a solução

Tendo este panorama em vista, as empresas de homecare cuidam especificamente daqueles pacientes que além de não precisarem estar em uma estrutura hospitalar causam ônus para os hospitais. Mas, para levar um paciente para a casa existem os empecilhos sociais e financeiros. “O sistema vive um dilema por falta de consentimento das famílias para fazer o tratamento em casa, rejeição por parte das operadoras, que precisam custear um serviço, que se mal gerenciado pode se transformar em um custo permanente, médicos que discordam deste modelo e famílias que não possuem estrutura física no lar”, diz Kandelman.

Hoje, de acordo com o médico, as operadoras de saúde e seguradoras mantém gerenciadores para trabalhar dentro dos hospitais para acelerar o processo de desospitalização. Em contrapartida, os hospitais mobilizam ouvidorias, assistentes sociais e equipe médica para treinar um futuro “cuidador” dentro da família e para ofertar a assistência domiciliar como solução. “Apesar destas estratégias, os hospitais passam por problemas, como a insegurança da família e muitas vezes os médicos assistentes não têm relação com o convênio, nem com o hospital, sendo que o único vínculo dele é com o paciente. Assim, ele prefere mantê-lo dentro da instituição”, aponta.

E quando ela é um problema?

Diante de uma população que tendência a uma expectativa de vida maior, surge uma nova geração de pessoas que desenvolvem doenças genéticas, que em sua maioria, são crônicas. Além disso, há um aumento pela demanda de serviços de saúde. Para o gerente da Rede D´or, para que a assistência domiciliar funcione de forma correta do sistema sem gerar ônus para ninguém da cadeia, é necessário um maior investimento em saúde e transparência no setor. “O Brasil gasta em saúde per capita 1/8 do que os Estados Unidos gastam e metade do que a Argentina gasta. Mais do que isso, é preciso elaborar uma gestão do atendimento domiciliar. Neste processo, o hospital é apenas o interlocutor entre paciente, operadora e empresa de homecare”, assinala.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta