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Artigo: A biotecnologia pode contribuir para a solução do problema da gripe aviária?

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Atualmente, uma das principais preocupações com a saúde pública mundial é em relação à gripe aviária. Vários países da Ásia vêm sofrendo com a propagação da doença, que já fez centenas de vítimas. O problema se torna maior e mais grave por causa da migração das aves, que se deslocam de um continente para o outro, alastrando a doença e contagiando outras aves. Os efeitos mais significativos sobre a economia mundial, no caso de uma pandemia de gripe aviária viriam da descoordenação de ações para evitar a contaminação no mundo. Segundo dados do Banco Mundial, os prejuízos poderiam chegar a US$ 800 bilhões por ano.
Outro grave complicador na questão da gripe das aves é o temor que se instala na população. Especialistas afirmam que para o ser humano contrair o vírus, ele precisa ter contato direto com o animal. Até agora, a transmissão do vírus só foi observada entre as aves e de aves para seres humanos. A grande preocupação é de que através de uma mutação genética, o microorganismo possa ser transmitido de humano para humano. Como a transmissão do vírus da gripe é via aérea, ou seja, através de gotículas expelidas pela boca e nariz da pessoa infectada, quase não há limites para se espalhar a doença para todos os pontos do planeta.
Até agora, milhares de aves já foram sacrificadas em diversos países, causando prejuízos para os avicultores e para o pequeno produtor de frangos. Muitas famílias que criavam as aves em seus quintais para subsistência também perderam seus animais.
Soluções para o problema

O Brasil, capitaneado pelo Ministério da Saúde, tem o seu plano de contingência para prevenir um possível surto da gripe aviária em humanos. O País adquiriu o antiviral Tamiflu e está investindo na fabricação experimental de 20 mil doses de vacinas, que serão produzidas no Instituto Butantan. A vacina, que será transgênica, precisa ainda de autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, CTNBio e do Conselho de Ministros, antes de começar a ser produzida.
Cientistas de outros países também vêm desenvolvendo pesquisas com o objetivo de extirpar a gripe aviária. Uma equipe de pesquisadores na Grã Bretanha está desenvolvendo um projeto para criar frangos geneticamente modificados imune ao vírus H5N1, causador da gripe aviária. Caso eles sejam bem sucedidos, o sacrifício das aves infectadas não precisará mais ser feito, fato que evitará mais prejuízos aos avicultores da Ásia e da Europa..
Depois de desenvolvida a pesquisa e os testes, ainda levará alguns anos até que se possa usar os frangos transgênicos para substituir os frangos normais das fazendas, pois há uma série de requisitos exigidos pelos organismos reguladores para a autorização do uso comercial de organismos geneticamente modificados.
A equipe de especialistas, dirigida por Laurence Tiley, professor de virologia molecular na Universidade de Cambridge, e Helen Sang, do Instituto Roslin de Edimburgo, aposta no êxito do projeto e defende que repovoar as fazendas com a nova ave transgênica tornará mais difícil a mutação do vírus e sua conseqüente transmissão para os humanos.
Os cientistas já comprovaram que as células dos frangos podem resistir à doença mediante a inserção de pequenos segmentos de material genético e, agora, desejam utilizar o mesmo procedimento com ovos. O desenvolvimento de um frango resistente à gripe aviária aporta claros benefícios à saúde animal e humana.

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