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Arquitetura Baseada em Evidência num período de crise

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A arquitetura baseada em evidência (ABE) é considerada cara, demanda materiais dispendiosos, quartos e lobby em estilo de hotelaria e grandes jardins luxuosos com alto custo de manutenção, coisas que eram possíveis quando o financiamento era fácil. Nos tempos atuais, austeridade, e não arquitetura por evidência, deve ser o lema.

Entretanto, se esta é a disposição de hoje, é hora de um olhar mais atento. ABE é um método de tomada de decisão, e não um produto. Requer que a tomada de decisão não seja somente baseada em experiência. A melhor evidência científica disponível deve ser empregada para apoiar as decisões críticas de projeto ou para avaliar alternativas. Requisitos legais, culturais e financeiros definem os limites de flexibilidade neste processo de tomada de decisão. Não existe “uma-solução-serve-para-tudo”, que abranja todos os contextos. Um exemplo da área da medicina são as opções disponíveis para a análise do vírus da AIDS  no  sangue, em que  há  uma opção de US$8  (com 90% de exatidão) e uma opção de US$50 (com 97% exatidão). Embora a opção mais barata não seja aceita nos EUA, recebeu ampla aceitação na África. Adotar uma opção tendo pleno conhecimento do desempenho é a essência da ABE.

Entender este fato é importante, já que segurança não é um conceito binário (seguro versus inseguro). É uma função do grau de risco que uma cultura está disposta a tomar. Portanto, ABE poderia resultar em diferentes soluções, dentro de diferentes contextos, dependendo dos fatores específicos do local. De forma semelhante ao exemplo dos exames de sangue, na arquitetura, poderiam se incluir pisos, projeto da pia, sistemas de ventilação, etc, casos em que escolhas devem ser realizadas entre projetos com diferentes desempenhos e custos.  Na medida em que o projeto físico por si só não pode promover resultados, características da equipe e cultura operacional, fatores que não são iguais em todos os contextos, devem entrar em consideração, quando se pensa em projetos com vistas à segurança.

O tumulto econômico não apagou as considerações de segurança. Ironicamente, a ABE tem um papel mais importante a desempenhar, uma vez que os riscos são mais elevados no delicado balanço entre desempenho e custo. Entender as implicações do desempenho requer pesquisa. Por exemplo, são apartamentos “mão única (same-handed)” mais seguros? Um projeto desse tipo tem um custo muito elevado. Um estudo feito pela HKS demonstrou que não existe evidência que suporte esse tipo de apartamento, porém a padronização dos quartos hospitalares é apoiada. Sem esta evidência, o custo não pode ser otimizado.

ABE deveria ser visão como um processo de otimização do desempenho dentro de limites culturais, legais, operacionais e de custo. A pesquisa ABE ajuda a prover evidência que apoie esse processo. Pesquisas feita pela HKS sobre o tempo economizado pelas enfermeiras na medicação à beira do leito, no Houston Medical Center;  sobre como a  exposição da equipe à luz natural a mantém mais alerta,  no Children”s Hospital of Atlanta; sobre a abordagem de objetivos estratégicos organizacionais por meio da reestruturação da experiência de espera no Children”s Medical Center Dallas, entre outras, produziram  evidências para criar ambientes de saúde mais seguros e com melhor desempenho nos cuidados médicos. Com o dinheiro mais difícil, projetos apoiados por pesquisa e evidência irão resultar em uma melhor otimização da utilização de recursos. Austeridade não é o antônimo de ABE. Pelo contrário, ABE pode ajudar a otimizar segurança durante um período de austeridade.

Leia mais na revista Fornecedores Hospitalares, edição 165

*Debajyoti Pati, PhD, FIIA, é o Diretor de Pesquisa da HKS Brasil Consultoria, Ltda., e tem um PhD pela Georgia Tech.

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

 

 

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