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A Gestão e a Saúde

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No momento em que discutimos a gestão de saúde nas empresas, sempre vem à pauta a Qualidade de Vida. Este termo, tão disseminado no mercado desde meados da década de 90, até hoje continua sendo pouco empregado na sua essência e muito utilizado de forma genérica.

Um dos principais fatores nesse contexto é a preocupação cada vez maior do empregado com a sua saúde e em poder equilibrar a vida profissional e pessoal da melhor forma. Quando transportamos tal ideia para os programas de saúde das organizações, entendemos que temos uma divergência de expectativas. Uma recente pesquisa da Towers Watson – Health Care Costs Survey/2009 – indica que 39% das empresas possuem consciência da sua função frente ao gerenciamento dos custos e no acesso dos colaboradores a benefícios competitivos, porém esse grau de consciência reduz significativamente quando abordado o seu papel em influenciar a decisão dos usuários na utilização dos serviços e na melhora/manutenção do seu estado de saúde, cujo porcentual é de apenas 12%.

Muitas empresas afirmam possuir uma atividade fundamental em prover benefícios competitivos aos funcionários, porém a mesma proporção sugere que sua ação é primária em suportar os empregados na tomada de decisão sobre saúde. Ora, se temos de prover o benefício, por que deixamos para diferentes agentes a tarefa de educar, gerenciar e criar modelos de utilização? Para os próximos anos, a tendência das organizações, além de intensificar seus controles trabalhando com metodologias de banco de dados integrados e análises de perfil de utilização e epidemiológicas, será buscar influenciar seus usuários nas suas decisões, o que comumente chamamos de “consumerismo”.

Atualmente, os usuários têm um nível de conscientização sobre saúde muito baixo, 68% das companhias indicam que os usuários não compreendem ou não entendem como o modelo de saúde/gestão das empresas funciona, pois muito provavelmente as políticas de RH consideram que os mesmos já estejam aptos a utilizar o sistema que lhes é fornecido, o que é prejudicial ao programa, uma vez que eles estão sempre “aprendendo” a usar o sistema com diferentes agentes de saúde, na maioria das vezes, com recursos das redes prestadoras, onde são criados os vínculos de confiança – unidade principal que faz um consumidor decidir sobre seguir um tratamento ou não, de determinada forma ou de outra.

As organizações discutem formas de tratar esses casos sem que haja uma invasão ao direito de escolha do usuário. Mas, acredite, o processo começa na formação dos mesmos e não pode apenas concentrar-se no momento da decisão. Como observado, as companhias acreditam que eles devam ser livres para escolher as melhores opções para cuidar de sua saúde, mas por outro lado, os usuários esperam receber auxílio, na maioria dos casos, da empresa ou de alguém com mais experiência e condições técnicas para decidir quais seriam suas opções, pois o objetivo já está definido. É num contexto assim que atuam os profissionais de saúde.

As organizações ainda não conseguiram visualizar o resultado do consumerismo nos seus programas de saúde, mas é preciso entender que ao se determinar um objetivo a ser cumprido o mesmo deverá ser compartilhado e endossado por quem será responsável pela sua viabilização, ou seja, os usuários do plano. Engana-se aquele que acredita no médico como viabilizador dos procedimentos, pois sem que ele confie no tratamento e dê o seu consenso, o mesmo não será liberado.

As companhias terão de atravessar desafios crescentes no gerenciamento dos seus programas, principalmente em relação aos custos. A maioria acredita no impacto moderado das ações de criação e disseminação do consumerismo, já que aposta que o problema está concentrado no modelo do sistema (fee for service). Porém, elas não consideram que ao assumir seu papel de gerenciador e facilitador no contexto não serão apenas “pagadoras de contas” e, sim, gestoras dos padrões de saúde e, com isso, estarão criando um círculo virtuoso, absorvendo do mercado colaboradores que possuem os conceitos de Cultura de Saúde e, consequentemente, investindo menos tempo e recursos na criação de consciência do mesmo, revertendo tais esforços na melhoria do programa e devolvendo ao mercado profissionais aptos a entender o seu papel no sistema de saúde público ou privado.

Até quando pensaremos que o risco em saúde não é responsabilidade da empresa e dos Recursos Humanos? Os modelos do atual sistema, que estão com seus custos altos ou que provem pouca atenção à saúde, precisam ser ajustados a esta nova realidade e encararem que o risco é e será sempre da empresa.

A administração de saúde dentro das empresas não é problema para ninguém e, sim, a solução de todos.

*Ricardo Augusto Lobão é Consultor Sênior da Towers Watson, especializado em benefícios.

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

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