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26 mil pessoas esperam por uma córnea no Brasil

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Existem no Brasil cerca de 26 mil pessoas à espera de um transplante de córnea, de acordo com o presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Hamilton Moreira. Em entrevista à Agência Brasil, durante o 3º Fórum Nacional de Saúde Ocular, em Brasília, Moreira explicou que o problema maior desse tipo de transplante é não só a falta de doadores, mas também a diferença que existe, em números de transplantes, entre os estados brasileiros.
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Em 2007, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, citados no relatório “As condições de saúde ocular no Brasil 2009”, divulgado hoje (30), foram feitos em todo o país pouco mais de 11,4 mil transplantes de córnea, sendo que dois em cada três na Região Sudeste e quase metade, 4,9 mil, no estado de São Paulo.
“Isso significa que nós temos que trabalhar muito para diminuir esse diferencial. Existem estados como, por exemplo, Sergipe e Mato Grosso, que não fizeram nenhum transplante de córneas no ano passado”, destacou Moreira.
A falta de conscientização das pessoas é a principal causa, para o oftalmologista. A doação tem que ser feita até seis horas depois da parada cardíaca e as córneas podem ser mantidas por até 15 dias. Qualquer pessoa, mesmo que tenha doenças como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, pode doar, já que a córnea é uma lente que recobre a parte externa do olho, sobre a íris, parte colorida do órgão.
Moreira explicou que, como o prazo é relativamente curto para a remoção das córneas do paciente falecido, isso acontece em um momento em que a família já providencia o funeral, e não lembra que o gesto de doar essa parte do corpo pode ajudar até duas pessoas que tiveram as suas córneas prejudicadas, por exemplo, por algum traumatismo.
“Então nós temos que ampliar essas equipes chamadas equipes de abordagem, pessoas treinadas, certificadas pelo Sistema Nacional de Transplantes, que podem de uma forma adequada facilitar a doação”, afirmou.
O assessor técnico do Ministério da Saúde, Alexandre Taleb, um dos autores do relatório sobre saúde ocular divulgado hoje, reforçou o coro a favor da atuação das família pela doação de córneas e ressaltou que são necessárias ações de conscientização por parte do governo: “É um quadro de lenta mudança, melhorar transplante de córnea é uma política do Ministério da Saúde também, favorecer campanhas que aumentem a doação e a gente está empenhado em fazer com que isso melhore, porque são muitas as pessoas necessitadas”, disse.
De acordo com Taleb, em alguns estados uma pessoa pode ficar até dois anos esperando na fila por um transplante, sem enxergar. “O nosso objetivo é que a gente tenha córneas disponíveis para quem precisar, na hora em que precisar. Ninguém faz transplante de córnea porque quer ou porque é bonito”, concluiu.

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