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Não é fácil Ser Médico

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O médico (leia-se aqui médico e médica) é alguém fundamental na vida de todos. Ele tem uma enorme influência em um dos bens mais preciosos que temos (se não o maior), que é a própria vida. Entretanto, exercer o papel de médico é uma tarefa que carrega grande dificuldade. Aspectos motivacionais, emocionais, mentais, financeiros, familiares, educacionais e sociais geram grandes desafios para este profissional.

Trabalho com médicos há quase 20 anos, em diferentes tipos de organizações e situações. Sou paciente há mais de 40 anos, mesmo tempo em que sou filho de uma médica pediatra. Além disso, tenho vários amigos bem próximos que são médicos, tendo participado de grupos de autoconhecimento com vários deles (o que permite um conhecimento mais profundo). Isso me possibilita ver a profissão por diversos ângulos.

Tudo começa com a decisão/escolha em ser médico, que ocorre numa fase onde muitas vezes não temos clareza de tudo (somos muito jovens) e também somos mais facilmente contaminados por desejos e ilusões (dos pais, da sociedade e de nós mesmos). Além disso, a razão desta escolha sofre desgaste com as dificuldades que encontramos no caminho, começando no curso de graduação e residência, onde a carga de estudo/trabalho já é enorme e, muitas vezes, sufocante.

Conviver e lidar todo dia com o desequilíbrio, que é outra forma de chamarmos a doença, gera muitos sentimentos negativos e contraditórios. Encontrar firmeza para não se perder no distanciamento, nem no desespero, é tarefa bem delicada, emocional e psicologicamente falando. Para dar um simples dado desta difícil realidade, o médico é um dos profissionais com maior índice de doenças laborais.

Financeiramente, encontramos muitas diferenças entre os médicos, mas a maioria trabalha em 2 ou mais empregos para gerar uma renda adequada. A remuneração dos sistemas pagadores é baixa e há uma concentração de profissionais, o que gera desequilíbrio e oferta exagerada nos principais centros.

Por trabalhar muito e ter uma grande responsabilidade, o médico muitas vezes tem pouco tempo para cuidar da sua família, o que gera dificuldades dentro de casa. Além de tudo, tem que estar sempre atualizado e precisa de novas competências para lidar com as regras de mercado e a complexidade das instituições de saúde (como gestão, liderança etc.).

Para finalizar esta curta análise, a sociedade idealiza o médico, esperando e cobrando dele algo que está muitas vezes acima do humano, como a perfeição (tem que ser rico, equilibrado, altruísta, atualizado etc.).

Estes fatores não servem de desculpa para um profissional deixar de ser cobrado e nem de dar o seu melhor, mas devem ser reconhecidos e usados de forma a podermos ajudá-lo a desempenhar bem o seu papel e Ser um bom Médico.

Minha experiência me diz que os problemas e as soluções na área de saúde passam pelo médico. O entendimento desta realidade nos ajuda a dar o devido e real valor a este profissional, por um lado, e, com isso, a gerir melhor as relações com ele, pelo despertar da compreensão e da compaixão.

Assim, este mês de outubro é uma oportunidade de rendermos uma homenagem especial ao médico e lhe dar um sincero Parabéns! Que tal fazer o mesmo, com intenção e reconhecimento verdadeiro?

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