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Na triagem de câncer de mama, preço alto não quer dizer resultado melhor

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Exames mais caros para triagem de câncer de mama não são melhores do que exames mais simples. O resultado apresentados pelos  investigadores da Yale University e da Cancer Outcomes, Public Policy, and Effectiveness Research (COPPER) foram publicado na prestigiada revista JAMA Internal Medicine e avaliaram os custos estimados em caráter nacional com triagem de câncer de mama, comparando aos desfechos observados.

Especialmente em mulheres com mais de 66 anos, não houve correlação entre custos dos exames e sucesso na triagem. Uma das explicações é que os novos equipamentos são desenhados para identificar lesões em mamas com maior densidade e as mulheres após a menopausa começam justamente a perder a densidade do tecido mamária, de forma que não houve vantagem em usar métodos mais sofisticados e caros em comparação aos exames simples disponíveis.

Os norte americanos gastam em torno de 1 bilhão de dólares por ano com exames de triagem, e 1,36 bilhão com tratamento. Os debates, frente a um momento de pressão para contensão de custos em saúde, é fundamental para compreender como gastar o orçamento que existe. Deve haver, portanto, análise cuidadosa para saber se o recurso em triagem está sendo gasto adequadamente.

O tema é pertinente para nosso país, e ainda existem alguns pontos adicionais a serem ampliados. No Brasil, o número de mamografias realizadas vem crescendo. Em 2012, houve aumento de 41% nos exames realizados no sistema público, na faixa de idade prioritária. Entretanto, o tempo de encaminhamento, entre identificação e tratamento propriamente dito, para tratamento dos casos identificados ainda é alto, podendo chegar a mais de 4 meses.

Os resultados dos estudo de Yale mostram que deve haver esforço em identificar quem é o grupo e perfil de pacientes que mais pode se beneficiar efetivamente de exames de triagem com cada tipo de equipamento. Por isso avaliação médica, exame clínico e exames complementares fazem parte de um processo mais amplo de triagem e, principalmente, um modelo que possa aumentar chance de cura do câncer. Exames de baixa qualidade, que são falsa sensação de segurança, e exames mais caros e que não agregam vantagem, que consomem recurso coletivo devem ser debatidos sob perspectiva técnica e científica.

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