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Ministério da Saúde inglês pede por hospitalistas

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Em recente discurso oficial do Secretário do Departamento de Saúde da Inglaterra, Jeremy Hunt, foi feita a defesa do que intitularam ?whole stay doctors?:

?In the United States, this role is fulfilled by what are called ?hospitalists?, but here I want to call them ?whole stay doctors?. A doctor not just responsible for dealing with the main cause of a patient?s admission, but someone with an overview of the whole case, someone accountable for an entire in-patient care plan, and someone who makes sure there is proper handover to a named, accountable GP on discharge?.

Confesso que me senti de alma lavada. Não apenas porque defendeu hospitalistas tal como venho defendendo há alguns anos, mas porque bateu em outros pontos que considero cruciais e com os quais também sou insistente: coordenação do cuidado hospitalar por generalista (hospitalista, ou como queiram chamar), coordenação do extra-hospitalar por generalista (General Practitioner – GP por lá), combate à fragmentação exagerada da assistência e defesa da máxima possível continuidade.

Em seu pronunciamento, Hunt começou denunciando problemas decorrentes da fragmentação, descrevendo casos reais a partir de cartas que recebeu de usuários do sistema NHS descontentes. Ilustrou ?2 anos de cuidados caóticos?, com paciente pipocando de médico para médico, em meio a perda de informações, confusões, testes desnecessários ou redundantes e baixa resolutividade. Tal como fiz em A saga médica do Compadre José (fev/2013) e O Efeito Espectador na Saúde (jun/2013).

Seguiu seu discurso trazendo trechos de conversas com médicos da linha de frente para provocações e reflexões. Marcou-me o relato de um colega que disse: “da maneira como o sistema está funcionando, raramente vemos o mesmo paciente mais de duas vezes”. Segundo outro, equipes estáveis estão sendo sabotadas por ?plantonismo inadequado”. Algo que, junto de Walter Mendes, expert brasileiro em segurança do paciente, critiquei recentemente em entrevista para o Proqualis.

Quando publiquei artigo na Zero Hora apresentando o médico hospitalista (Você conhece este médico?, ZH, 28.04.2008), fui prontamente respondido por Flavio José Kanter, colega gaúcho, no mesmo jornal e com um título provocativo (Quem quer este médico?). Flávio defendeu o relação médico-paciente através da máxima continuidade – por uma pessoa só, cobrindo todos os cenários possíveis, em todos os momentos. Ocorre que isto praticamente já não é mais possível (onde efetivamente for, penso como Kanter). Mas, se eu estava defendendo a divisão organizada entre cuidado ambulatorial e hospitalar, com máxima continuidade possível em cada um destes blocos, por um generalista em cada um deles como coordenador do cuidado, Kanter, mais experiente, talvez estivesse enxergando além de meu campo de visão, antecipando o mau uso de minha ideia, o que os norte-americanos chamam pejorativamente de “industrial” model of hospital medicine, onde vínculos naturalmente NÃO se fortalecem ou mesmo se constroem.

Este fenômeno já está ocorrendo no Brasil através de ?programas de MH? onde médicos, generalistas e até sub-especialistas, por pura conveniência, dividem-se de tal forma que um do grupo vai ao hospital na segunda-feira, outro diferente na terça, e assim por diante. Do ponto de vista de segurança do paciente, isto é uma calamidade! Reverbero Kanter: quem quer esteS médicoS? Eu não! Por mais brilhantes tecnicamente que individualmente sejam.

De maneira contundente, o Secretário de Saúde inglês disse que precisavam redescobrir trabalho em equipe. Segundo ele, ?continuidade das/nas equipes importa tanto quanto continuidade do cuidado ? na verdade, são uma e a mesma coisa?.

Quando falou dos ?whole stay doctors?, lembrou que lá na Inglaterra, anos atrás, colocava-se o nome do médico e do enfermeiro responsáveis sobre a cama dos pacientes, mas que isto desapareceu com a chegada dos times multidisciplinares. Criou-se uma cultura onde passou a ser errado dizer que há alguém no comando. Pois ele, sem desmerecer o trabalho em equipe, clamou por novamente ver nomes sobre as camas dos pacientes. E deseja hospitalistas nesta função.

?I want every hospital in the country to adopt whole stay doctors?, disse o governante inglês.

Leia na íntegra em GOV.UK

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