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Mercado Farmacêutico 2015: o que esperar?

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O ano novo começou! O ano de 2015 reserva muita movimentação e euforia para a economia nacional e, consequentemente, para o mercado farmacêutico nacional.

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Fechamos o ano em baixa, diante de tamanha expectativa! Ainda não saiu o resultado do PIB de 2014, porém estima-se algo em torno de 0,5%, depois de várias reduções na projeção. Diante deste cenário de queda e recessão, o que esperar do mercado farmacêutico nacional?

O fechamento dos números do mercado farmacêutico de 2015, ao que parece, irão persistir na casa dos dois dígitos com dificuldade, contrariando o mercado nacional. Provavelmente o resultado se deva ao primeiro trimestre de 2014, que apresentou a única alta de dois dígitos do ano, 16%. Já o 2° e 3° trimestre, fecharam com 5,5% e 7,3%, respectivamente. (Fonte: IMS Health)

No ano passado tivemos dois grandes eventos que comprometeram nosso calendário econômico: Copa do Mundo e Eleições Presidenciais. E, ainda, tivemos eventos “extras” como deflagração da operação Lava-jato, ou mais conhecida como o “Rombo da Petrobrás”, entre outros casos de corrupção.

Estes eventos revelaram a faceta mais cruel da política do nosso país, a corrupção. Infelizmente no Brasil, não temos mais como dissociar política de corrupção, e isto afeta diretamente a economia já fragilizada do nosso país.

Faço questão de dar este introdução em tom político, pois nosso país que vinha em crescimento e destaque internacional, reverteu em curto espaço de tempo sua curva ascendente de crescimento influenciada pela política econômica.

E como fica nosso mercado farmacêutico!? É por isso mesmo que falo assim.

Em um artigo de 2014, fiz referência a um crescimento no mercado farmacêutico, ainda que diante dessas dificuldades, na casa de dois dígitos; o que deve ocorrer por sinal. Mas começamos 2015 com péssimos indicadores econômicos, que irão afetar diretamente indústria e varejo.

A título de conhecimento:

– Dólar: bateu seu maior valor em 9 anos, chegando a R$ 2,73 (dezembro/2014)

Cerca de 90% da matéria prima da indústria nacional provém de produtos importados. Qual será o impacto disso na fabricação de medicamentos e seu reajuste de preços por meados de abril?

– Inflação: em 2014 ultrapassou o teto estipulado pelo governo 

A alta da inflação compromete diretamente o poder de compra dos consumidores, pois a inflação* atinge primeiro bens de consumo ou de necessidade, como alimentos e roupas, que não tem sua precificação regulamentada como no setor farmacêutico. Assim, as pessoas deixam de comprar o que parece “supérfulo”, como produtos de Higiene e Beleza (segmento HPC), Vitaminas e Suplementos Alimentares; a título de exemplo para o setor farma.

* IPCA: Índice de Preços ao Consumidor Amplo revela o quanto o comsumidor final está pagando pela mercadoria, em outras palavras, dita o “valor” das mercadorias. Se uma vitamina era X reais e agora ela é 2X reais, significa dizer que ela ganhou preço e perdeu valor, entende!? E mais uma vez eu volto a pergunta: Como isso vai influenciar o ajuste dos preços dos medicamentos? E por consequencia a saúde do nosso país?

– Bolsa de Valores: teve um impacto direto com a queda da economia e, claro, com os resultados do caso na Petrobrás, maior estatal brasileira listada na Bolsa. 

A Bolsa de Valores é um forte indicador da fiabilidade da economia de um país. Mostra para o mundo que o país está com controle sobre os fatores e variáveis econômicas. Se a Bolsa cai por um evento interno (nacional) mostra a fragilidade de um sistema econômico ainda sustentado por comunicados e informes, e não por ações e métricas.  Apesar de termos “poucas” empresas do mercado farmacêutico listadas na Bolsa, verificamos que estas sofrem um pressão pelos resultados, e quando trabalhamos para atender a resultados, números, podemos comprometer diretamente a qualidade da produção e do serviço entregue ao usuário.

PREVISÕES E PERSPECTIVAS

Todas estas relações são fatores importantes para o crescimento econômico de um país, e para o crescimento do mercado farmacêutico nacional. Mas não é só pessimismo que temos para 2015. Não sou guru ou místico mas deixo abaixo algumas previsões e perspectivas, positivas e negativas, para o ano novo:

– Recessão econômica: essa qualquer criança de 7 anos já poderia prever. O cinto vai apertar, tivemos queda em vários setores econômicos que estão diretamente ligados ao nosso setor farmacêutico, consequentemente, nosso setor sofrerá arrochos também;

– Preço dos medicamentos: podemos esperar uma alta considerável no preço dos medicamentos, devido aos fatores citados acima, como: alta do dólar, inflação, rejustes. Porém, temos uma grande batalha a ser vencida, a desoneração dos impostos sobre medicamentos que já tem avançado no último ano.

– Crescimento do mercado farmacêutico: Ainda, pode-se esperar para 2015, um crescimento na casa de dois dígitos, mas para aqueles que se diferenciarem. E para isso, muitos laboratórios estão trazendo lançamentos de novas moléculas, muitas delas estão com foco em alianças, em parceria com laboratórios extrangeiros. Além do que a indústria tem firmado sua parceria com o varejo, fortalecendo o trade marketing. Já para o varejo, a perspectiva é de expansão para as grandes redes, porém o pequeno varejo precisa se reiventar conquistando e fidelizando cada vez mais os clientes próximos, se localizando em bairros e pequenos centros, como no interior dos estados.

TENDÊNCIAS

E também tem as tendências para o mercado farmacêutico de 2015:

– Especificidade: a palavra é tão difícil quanto encontrar um nicho estável e rentável. Porém tanto a indústria como o varejo farmacêutico devem buscar o atendimento a mercados ultra específicos, atender necessidades de nichos altamente concentrados, que formam um padrão de consumo. Por exemplo: redes varejistas específicas para atendimento de idosos ou diabéticos, indútrias com foco no desenvolvimento de vitaminas ou suplementos alimentares; e criação de marcas próprias a fim de fidelizar cada vez mais os clientes no mix de produtos.

– Programas de Benfícios de Medicamentos (PBM): Sou suspeito para falar neste assunto, pois atuo diretamente nesta área como consultor. Mas o quanto tem crescido os Programas de Benefícios da indústria farmacêutica, tem sido algo fora do comum. E ainda pode-se explorar e muito o potencial de grandes empresas para aderirem aos Programas melhorarando a qualidade de vida dos seus colaboradores, e assim, a qualidade do serviço prestado. Estima-se que em cinco anos o mercado de PBM no Brasil cresça cinco vezes mais (Fonte: PBMA)

– Comércio eletrônico de medicamentos: A tecnologia avança ano após ano de modo e está cada vez mais introduzida no cotidiano da população e do mercado farmacêutico. Apesar de obedecermos a uma legislação específica, mais cedo ou mais tarde, aqueles que não adentraram no mercado eletrônico, terão que fazê-lo; para vender ou simplesmente para se comunicar com seu público alvo já que a cada dia a adesão aos “devices” se torna real e específica.

– “Na crise é que se cresce”: Está na hora de deixar o desejo pelo primeiro lugar nas vendas de lado, o desejo de abraçar o mundo com as pernas; e pensar na saúde econômica e sobrevivência da empresa. O ano de 2015 será de recessão econômica, mas será um ano de oportunidades, e para isso é necessário estudar o mercado, investir corretamente e atingir o consumidor com uma mensagem sólida e certeira.

Que bons ventos sobrem para o nosso mercado farmacêutico e que 2015 seja um ano de inúmeras possibilidades para você e o seu negócio.

 

“A necessidade é a mãe da inovação.”

Platão, filósofo e matemático grego

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