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Medicina virou Commodity?

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A empresa de computadores Intel – que tem sua sede no estado norte-americano do Novo México e garante de planos de saúde para aproximadamente 10 mil pessoas, entre funcionários e familiares – procurou sua operadora de planos e solicitou uma lista da sua rede credenciada, classificada por critério de qualidade assistencial. Ao receber a lista, cortou o credenciamento da metade inferior, de forma a somente manter os 50% profissionais mais eficientes, pelos critérios adotados. Outro caso vindo do Norte foi com a empresa de aviões Boeing, que, mesmo sediada nos arredores de Seatle, na Costa Oeste dos Estados Unidos, estabeleceu contrato de prestação de serviço com a Clínica Cleveland, do outro lado do país. Se um paciente necessita de atendimento complexo, a operadora cobre deslocamento e estadia dele e sua família em Cleveland, de forma a receber a melhor assistência médica pelo preço competitivo. Longe de ser um modelo de saúde, esses dois exemplos mostram uma tendência do mercado privado de saúde norte americano de buscar soluções mais eficientes pelo melhor preço. O modelo atual no Brasil é o que os professores de Harvard, Michael Porter e Elizabeth Teisberg, em seu livro Repensando a Saúde, apontam como um enorme risco, chamado de ?competição de soma zero?, na qual o serviço de saúde recebe demanda compulsória, não porque é melhor, mas porque é o que está disponível. Seja no sistema público (SUS), seja no privado (planos de saúde), a maioria do mercado realmente se comporta desta forma, buscando o atendimento pelo menor preço (idealmente sem pagar nada), mesmo que o desdobramento seja a falta de crescimento e qualificação. As fontes pagadoras não fazem distinção de forma geral e remuneram o atendimento eficiente e qualificado da mesma forma que o serviço trivial e descompromissado. Felizmente, alguns grandes hospitais buscam certificações e acreditação, sabendo que ? de outra forma ? medicina se torna uma commodity. Cabe ao paciente um pouco mais esclarecido fazer sua lista de qualificação e exigir que seus gestores de saúde ? públicos e privados ? ofereçam a medicina adequada, pautada em ética e qualidade e não ?a que dá para pagar?.

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