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Medicamentos: o que os futuros prefeitos precisam saber

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Medicamento vencido sempre representa risco para a segurança do paciente. Em unidades públicas, vira caso de polícia. Um exemplo foi a recente apreensão de quase 13 quilos de remédios vencidos – alguns, desde 2007 – encontrados pela Vigilância Sanitária goiana.

Os medicamentos vencidos estavam misturados a outros produtos em uso, nas prateleiras de dois hospitais de Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Um inquérito policial vai investigar os responsáveis pela possível negligência. E o Ministério Público aguarda o resultado das investigações da Polícia Civil.

Se em nossas próprias casas, na farmacinha do banheiro ou na gaveta da cozinha, encontramos medicamentos vencidos e mal acondicionados, mantidos entocados durante anos, o que dizer do sistema de saúde municipal, integrado por hospitais, AMAS, UBS, CAPS, entre outras unidades de saúde, cada um com seus almoxarifados e suas farmácias?

O que se vê regularmente nessas unidades?  Uma completa falta de sistemas de controle confiáveis, sem informações históricas reais de consumo que permitam avaliar perfil demográfico e patologias. E dessa forma direcionar corretamente as aquisições e controlar os estoques para evitar vencimento de produtos e falta de materiais e medicamentos nas redes de saúde municipais.

Assim como estoque vencidos, falta de medicamentos no hospital público e erros na administração de remédios aos pacientes são assuntos recorrentes nos meios de comunicação e comprometem a imagem da gestão municipal de saúde.

Na maioria dos casos, os problemas decorrem da complexidade da logística dentro das unidades de saúde, incluindo a gestão dos estoques e dos fluxos dos produtos. Essa logística exige inovação tecnológica e capacitação permanente, nem sempre possíveis na administração pública.

Quando avaliamos a complexidade da gestão logística nas cadeias de saúde municipais devemos sempre ter em mente o equilíbrio entre o que comprar, quando comprar e quanto comprar, pois é preciso considerar o tempo para viabilizar os processos de compra por licitação. Podem demandar cerca de 120 dias, do edital até a entrega!

Essa sintonia delicada, baseada em informação real de consumo e controle preciso da cadeia de abastecimento, é o que evitará que muitos pacientes deixem de receber a medicação prescrita. Impedindo, ao mesmo tempo, o desperdício e o vencimento dos medicamentos nos estoques.

Já me referi aqui ao peso da cadeia de suprimentos como segundo maior gasto de um hospital: materiais e medicamentos utilizados pelo paciente representam até 50% do que se cobra pela prestação dos serviços hospitalares. Considerando esse cenário, a gestão logística e a rastreabilidade dos produtos são indispensáveis para otimizar os sistemas de saúde municipais, pois podem gerar redução de custos em até 30%. E também assegurar a qualidade da assistência e a segurança do paciente.

Uma logística eficiente permite planejar as compras de forma equilibrada com a demanda, fazer rodízio de estoques entre as unidades e manter um controle rigoroso dos desvios, desperdícios e perdas.

Na mudança de administração municipal em 2013, teremos milhares de equipes substituídas, com perda significativa de capital intelectual. Nessa mudança, perdem-se rotinas. A logística dos sistemas de saúde é impessoal. E essencial à melhoria da qualidade da assistência e à redução de custos.

Os novos lideres de nossos municípios devem manter um olhar estratégico sobre essa questão.

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