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Já estamos em condições de resolver os problemas de qualidade da saúde?

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A recente publicação do Institute of Medicine (Better Health at Lower Cost, IOM, EUA 2012) nos traz inúmeras reflexões que o Comitê chegou a partir da análise que fizeram das diversas publicações em relação à qualidade em saúde.

A principal reflexão coloca os grandes problemas enfrentados na saúde naquele país, que na realidade, não diferem muito do que observamos na saúde suplementar em nosso país. O mais importante, a meu ver, é a observação de um paradoxo perturbador: a coexistência de subtratamento e excesso de tratamento (ou supertratamento). Aliado a este paradoxo estão os problemas observados nas diferentes dimensões da qualidade em saúde: percepção de baixa qualidade, falta de segurança, alto custo, valor questionável entregue ao paciente e má distribuição da atenção.

Atualmente, como coloca o artigo, existe uma série de condições para lidar com estes problemas que não havia a uma década. Estas condições estão sendo analisadas aqui, sucintamente, sob meu ponto de vista para a realidade Brasileira. São elas: o intenso uso de sistemas informatizados; o incremento de conectividade; a melhoria da capacidade de gestão; e o ?empoderamento? dos pacientes.

Atualmente se percebe uma utilização expressiva de sistemas informatizados que permitem aglutinação de dados e geração de informações mais consistentes. No entanto, ainda o nosso mercado carece de informações mais inteligentes e concisas e de sistemas integrados. Quem quiser relembrar este tema, peço que acessem o meu artigo neste Blog: ?O que abunda prejudica?.

A conetividade é outra questão fundamental. Este foi um dos grandes investimentos da Kaiser Permanente na década passada e esta atitude contribuiu sobremaneira para tornar a Kaiser um dos maiores e melhores planos de saúde nos EUA. No Brasil, várias operadoras já estão discutindo conceitos de RES ? Registro Eletrônico em Saúde que permite a integração de diversos sistemas diferentes, porém ainda carecemos da demonstração de resultados concretos.

Outro ponto discutido pelos autores é a evolução da capacidade humana e competências gerenciais. Isto realmente tem-se observado no Brasil. Até pouco tempo, quando um médico assumia a presidência ou a diretoria de uma UNIMED ele ganhava um MBA… quando ele aprendia alguma coisa, já estava na hora de sair da gestão. Hoje em dia, profissionais mais bem formados estão assumindo cargos de gestão desde o início, melhorando sobremaneira a eficiência dos sistemas de saúde.

Finalmente é colocado o aumento progressivo do ?empowerment? (ou o ?empoderamento?) do paciente. Em outros países já ficou claro a importância de se reduzir a assimetria de informação entre o usuário e o plano de saúde. Quanto menor for esta assimetria, melhor o sistema flui, o custo é controlado e o uso é mais eficiente. Uma das estratégias utilizadas para isso é a divulgação pública do desempenho dos prestadores. Dentre várias instituições e países, vejam alguns exemplos nos EUA (www.leapfroag.com) e na França (www.compaqhpst.fr/br/).

No Brasil já temos algumas ações iniciadas neste sentido, no entanto ainda se discutir a difusão pública das informações.

O QUALISS da ANS deverá iniciar nos próximos dias um projeto piloto avaliando o desempenho de alguns hospitais voluntários. Na última reunião do COGEP (Comitê Gestor do Programa QUALISS), foi solicitada a participação voluntária de hospitais para um este piloto. Se algum hospital tiver interesse, peço que me envie um email para que eu oriente em como participar. Após este piloto, o processo formal de avaliação dos hospitais próprios de operadoras de plano de saúde ocorrerá. Estima-se que isso acontecerá em 2013.

No âmbito da saúde pública existem algumas secretarias estaduais que começaram a monitorar o desempenho dos hospitais (PROHOSP em Minas e HOSPSUS no Paraná).

O mais interessante deste estudo feito pelo IOM, é que o comitê reconhece que todos os profissionais de saúde trabalham diligentemente para prover um cuidado com alta qualidade para seus pacientes. O problema reside naquilo que já comentamos inúmeras vezes nos artigos anteriores: o sistema não suporta adequadamente o trabalho destes profissionais. Seja por um modelo de remuneração nocivo ou por não dar condições adequadas de trabalho. Charles Kenney em seu livro ?The Best Practice? (2008) afirma que: ?Problemas de qualidade decorrem do erro humano, o que não significa atribuir culpa. Os erros ocorrem em virtude de sistemas falhos e mal desenhados?.

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