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Inovação em Atenção Primária

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Hoje não vou escrever sobre Medicina Hospitalar, mas sim sobre Atenção Primária. Até mesmo em evento de hospitalistas, ocorrido em Las Vegas e encerrado anteontem, disseram que a bola da vez é “focus on Primary Care”.

Estive com Zubin Damania, da mente inquieta responsável pelo vídeo do post anterior, e pelo projeto turntablehealth.com, que já foi matéria de Folha de São Paulo.

Em conversa com ele e a gerente Astrid, comecei recebendo interessante explicação sobre a origem do nome. Turntable é também a plataforma giratória dos antigos aparelhos tocadores de discos de vinil. Pensam que a medicina, há algum tempo, parece o mercado de músicas contemporâneo: downloads de conteúdos soltos, a preço “baixo”, se não gostar coloca na lixeira e quem sabe o próximo emplaca, mas muito provavelmente será por pouco tempo. Quem lucra o faz por quantidade, muito mais do que qualidade, em um modelo onde talvez muitos não escutem a mesma música mais de uma meia dúzia de vezes. Há menor identificação com os cantores, não se aprende a gostar das menos famosas do álbum, que não mais vira relíquia, como ocorria antigamente. Na analogia deles, querem fazer medicina como se fossem um tocador e LP, capaz de representarem uma experiência completa, de acoplamento e sintonia entre equipe de saúde e paciente, mesmo que nem todas as “faixas” entusiasmem.

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Encontrei, no centro antigo de Las Vegas, uma pequena clínica, com um antigo tocador de vinil quase na entrada. Há meia dúzia de consultórios, nenhum decorado igual ao outro, dois bastante pouco tradicionais, sem mesas de exames, especialmente para conversar com pacientes e familiares. Há também uma sala de exercícios e outras atividades, e uma cozinha, onde dão cursos. Não é possível encontrar nenhum material educativo/promocional de indústria farmacêutica, pois entendem que os afastaria de um dos objetivos principais: redução de custos.

Os profissionais (inclusive os médicos, todos generalistas) ganham um salário fixo. Não há, portanto, ganho por produção. O modelo é Capitação. Agendamento é de até duas não primeiras consultas por hora para os médicos, mas grande parte da anamnese que compreende informações “menores” é feita de maneira padronizada, por enfermeiros, que trazem os dados. Fazem parte da equipe ainda “health coaches”, profissionais sem necessariamente nível superior, treinados internamente, que ajudam em várias questões paralelas, mas não necessariamente menos importantes, como sociais [lembra muito estratégia já ilustrada neste Blog em “Podemos aprender com hospitais indianos?“]. Há um plantão disponível 24hs. Quem atende primeiro é um health coach, mas há sempre um médico na retaguarda, mesmo nas madrugadas, onde utilizam de ferramenta capaz de realizar chamadas de vídeo/áudio através de dispositivos pessoais, a partir da qual podem conversar com os clientes, orientar, quem sabe agendar uma avaliação breve e evitar uma visita à emergência de hospital. Quando precisam, encaminham para hospitalistas. Atendem dois tipos de pacientes: trabalhadores de empresas, onde o contrato é feito entre as corporações (situações onde eventualmente atuam entre a empresa/paciente e um segundo plano de cobertura mais ampla), e clientes individuais, que normalmente não possuem outro convênio. Paga-se um valor médio de 80 dólares mensais, que dá direito ao time de cuidado e ao programa de qualidade de vida.

Há ainda uma sala na clínica onde todos os profissionais se reúnem diariamente cedo pelo manhã, com uma grande televisão que serve de dashboard. Nestes encontros, discutem casos e estratégias, priorizando pacientes que pontuam alto em ferramenta de risco para hospitalização, baseada em algoritmo complexo.

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