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Informações estratégicas para a gestão em saúde nas organizações

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No final de dezembro de 2015, a ANS publicou a última edição do “Caderno de Informação da Saúde Suplementar” que é um raio-X do setor e que aponta algumas tendências importantes que podem ser úteis no planejamento e nas estratégias de ação.

Podemos constatar que em 2014, o número de beneficiários da saúde suplementar crescia a uma taxa de mais de 3% por trimestre. Já em 2015, este percentual foi se reduzindo, chegando a um valor negativo (menos 0,3%) no último trimestre do ano, ou seja, uma redução de cerca de 400.000 beneficiários. Esta queda no número de beneficiários foi mais importante no segmento das seguradoras onde, a partir de um índice 100 em março de 2010 atingiu um número-índice de 72,5 em setembro de 2015.

A tendência à redução do número de operadoras em atividade permanece no terceiro trimestre de 2015. Depois de alcançar duas mil e quatro operadoras médico-hospitalares em atividade em dezembro de 2000, em setembro de 2015 o total das mesmas foi de 999 operadoras, das quais 843 contavam com beneficiários. Além disso, 80% dos beneficiários se concentram em 155 das 841 operadoras com beneficiários presentes no setor. Enquanto a maior operadora do segmento tem cerca de quatro milhões de beneficiários, as 555 menores tem cinco milhões.

Frequentemente, os gestores dos programas de saúde enxergam o Brasil de maneira homogênea no que se refere à taxa de cobertura assistencial pelos planos privados. No entanto, o Caderno de Informações da ANS revela que na maioria dos Estados brasileiros a taxa de cobertura é inferior a 20%, chegando a menos de 10% no Maranhão, Piauí e Tocantins. Esta taxa supera os 40% somente no Estado de São Paulo (58% na Capital e 39,4% no interior). Deste modo, na gestão de saúde populacional, muitas vezes devemos considerar empresas e organizações onde os usuários utilizam somente os recursos do sistema público de saúde.

Outra informação importante se revela pela taxa de rotatividade dos beneficiários dos planos de saúde. Nos planos coletivos, no período de janeiro a setembro de 2015, pode chegar a quase 30% na medicina de grupo, variando de 17,2% (filantropia).

Uma informação bastante relevante neste documento é a taxa de sinistralidade das operadoras. O segmento da autogestão está com sinistralidade acima de 90% desde o quarto trimestre de 2013, com uma tendência consistente de elevação, chegando próximo a 95% no terceiro trimestre de 2015. Uma tendência oposta foi observada com relação à medicina de grupo que tem revelado taxas de sinistralidade decrescentes a partir do terceiro trimestre de 2014, chegando próximo a 80% no final de 2015. Os demais segmentos estão com taxas próximas a 85%. O índice combinado saúde, por sua vez, resultado da divisão das despesas administrativas, comerciais, outras despesas operacionais e eventos líquidos (despesas assistenciais) pelas contraprestações efetivas, entre outras, retornou ao patamar visto no 1º trimestre de 2015, a 99,6%. Este resultado indica que a soma das despesas operacionais tem sido semelhante à soma das receitas operacionais, confirmando as baixas margens do setor.

A última edição do Mapa Assistencial da ANS (2014) traz alguns dados interessantes. Com relação às internações, comparando-se as informações entre os dois semestres de 2012 e de 2013 constata-se uma certa estabilidade no número de internações por doenças cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio, doença hipertensiva), doença cerebrovascular, diabetes e câncer.  No entanto, chama a atenção a elevação consistente no número de cirurgias bariátricas (de 32.456 em 2012 para 41.123 em 2013), de internações em UTI no período neonatal (de 13.949 em 2012 para 28.240 em 2013).

Finalmente, a edição de janeiro de 2016 da Variação de Custos Médico-Hospitalares publicada pelo Instituto de Estudos em Saúde Suplementar mostrou que o índice VCMH/IESS para planos individuais atingiu 17,1% no período de 12 meses terminados em junho de 2015. A publicação destaca que no período analisado todos os itens de despesa assistencial apresentaram aumento da VCMH. Este índice se manteve superior à variação da inflação geral (IPCA) que foi de 8,9%, para o mesmo período. Durante todo o trimestre de Abril a Junho de 2015 o índice apresenta crescimento.

Estas informações são relevantes para o planejamento dos gestores em toda organização em que se vise uma gestão estratégica de saúde e não somente negociações anuais de reajuste que não vislumbrem o contexto geral do setor e da economia e os fatores que podem afetar a sustentabilidade da atenção à saúde em nosso país.

Novamente, ressalto que a gestão em saúde nas organizações deve considerar os custos totais (incluindo a saúde ocupacional, questões tributárias e trabalhistas e os custos intangíveis) criando condições para criação da cultura de saúde que permita obter resultados consistentes a médio e longo prazos.

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