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Hospitalist(a): What is that?

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Quanta confusão tem sido feita…
Mas confundir hospitalistas com plantão clínico (por melhor que seja ou se torne a partir de gestão e protocolos) é o mesmo que confundir, ao diagnóstico, pneumonia com infecção urinária. Até poderiam se alojar em pacientes praticamente iguais, manifestando-se predominantemente por sinais e sintomas inespecíficos. Mas existem critérios diagnósticos pré-estabelecidos: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa – por mais que eventualmente a distinção prática não seja assim tão fácil. O difícil é compreender a confusão partindo da premissa, e é o que está acontecendo e atrapalhando o andamento do movimento brasileiro de médicos hospitalistas. Para tudo isto, pneumonia, infecção urinária, hospitalista, existem definições claras e disponíveis nas fontes bibliográficas médicas usuais, como o Pubmed.
Em uma de minhas primeiras postagens aqui no Saúde Web, tentei conceituar hospitalista e o seu escopo de atuação. Talvez fique mais fácil escrevendo o que não é Medicina Hospitalar:
Hospitalista não é, por conceito, aquele médico que trabalha em plantão clínico vigiando pacientes de terceiros que estão do lado de fora e coordenando o processo, por mais que componha o mais proativo dos plantões, ou o mais resolutivo.
Medicina Hospitalar não é sinônimo de Time de Resposta Rápida. Inclusive aquele que cunhou o termo hospitalist é conhecido crítico dos TRR?s.
Compor um Time de Resposta Rápida, ou mesmo um plantão clínico tradicional, vigiando pacientes de terceiros, pode estar no escopo de atuação complementar de hospitalistas. Os norte-americanos chamam de um “Add-On Service“. São várias as opções, entre elas o TRR, Programa de Cuidados Paliativos, COMEDI – Comissão de Medicamentos, etc.
By the Free Dictionary: add-on
1. One thing added as a supplement to another.
2. Computer Science: hardware device, such as an expansion card, that is added to a computer to increase its capabilities.
3. Business / Commerce: a feature that can be added to a standard model or package to give increased benefits.
Assim como a um intensivista poderia ser dado um Add-On Service, como compor o Sistema de Resposta Rápida. Evidências não respondem, até o presente momento, qual a composição ideal destes times.
Hospitalista não é, portanto, “intensivista consultor”.
Bem, vamos em frente:
Hospitalista não é mero auxiliar administrativo-assistencial com graduação em Medicina e empregado da instituição. Saiba que mais da metade dos hospitalistas norte-americanos sequer são contratados pelo seu hospital (edição de dezembro de 2011 do Today’s Hospitalist, resultado de survey).
Definição de conceito e escopos de atuação principal e complementar são importantes. Classificação também (part-time hospitalist, full-time hospitalist, cobertura 12/7, 24/7), bem como referenciais de qualidade e eficiência, e reconhecimento de cenários onde talvez não agreguemos valor. Servem para auto-conhecimento. Ou para conhecer melhor um sistema inteiro. Servem para conhecer o presente e planejar o futuro. Sabendo aonde se quer chegar (e então aonde se pode chegar com os recursos disponíveis), darão amparo a um plano de ação em pequeno hospital de periferia, ou mesmo a um projeto auspicioso de associação cujo propósito seja promover um modelo em seu mais alto padrão de especificidade e qualidade, intenção de quando criei a SOBRAMH.
Veremos que para os hospitais públicos há um mar de desafios para full-time hospitalists em larga escala, alguns insuperáveis em curto prazo. Quanto à part-time hospitalists, que, levando-se em conta estritamente o tipo de contrato de prestação de serviços com instituições necessário para caracterizá-los, já existiriam aos montes pelo Brasil, observaremos que os desafios são menores, mas ainda assim significativos, e passam prioritariamente por boa gestão, no mais amplo sentido: de ferramentas para valorização/capacitação profissional àquelas que salvaguardam o cumprimento e aproveitamento de horários nos serviços públicos brasileiros, o que, não sejamos hipócritas, não virá como melhoria isolada.
Nos hospitais privados e filantrópicos, considerando a possibilidade real de hospitalistas complementarem a remuneração vinda das fontes tradicionais com algumas possibilidades de Add-on Services em paralelo, talvez a maior barreira hoje enfrentada para fortalecimento do modelo seja cultural. E isto explicaria em parte sua deturpação conceitual até por pessoas que o conhecem bem ou em fóruns especializados de gestão hospitalar.
Irei aproveitar as próximas postagens para descrever algumas experiências interessantes no Brasil com hospitalistas… E aproveito para lembrar que, se uma quebra de continuidade existe neste modelo que motiva um Blog em tão importante Portal, é nossa obrigação bem trabalhá-la e de forma pactuada com todos os potenciais envolvidos. Convidamos para evento de transição segura do cuidado, a se realizar em Florianópolis, no próximo dia dia 26, com participação de internistas tradicionais, emergencistas, médicos de família e hospitalistas, e presença confirmadíssima de um dos mais importantes referenciais da MH norte-americana.

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