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Como a casa do futuro vai cuidar de você

Como disse Dorothy no famoso O Mágico de Oz, “não há lugar como a nossa casa”. Casa é para onde vamos recarregar as energias. É familiar, confortável e nossa. Por isso cuidamos, limpamos e preservamos nossos lares. Além de consertarmos coisas que quebram ou dão errado. Mas e se nossas casas, além de ser um abrigo também cuidasse da gente em troca?

De acordo, com Chris Arkenberg, este pode ser o caso em um futuro não tão distante. Como parte da série Experts On Air da Singularity University, Arkenberg deu uma palestra intitulada “Como a casa inteligente do futuro vai cuidar de você”.

Arkenberg é Pesquisador e Líder de Estratégias na Orange Silicon Valley, uma das maiores operadoras de telecomunicações do mundo e, anteriormente, trabalhou para a Deloitte’s Center for the Edge e para o Institute for the Future. Ele disse ao público que há uma evolução em andamento, no qual as casas estão passando de funcionais para conectadas, e finalmente se tornarão inteligentes.

 

Tendências do Mercado

Tecnologias domésticas inteligentes estão sendo desenvolvidas neste momento, mas as tendências mais amplas apontam para um enorme potencial no futuro. Como consumidores, nós já esperamos por uma contínua conectividade aonde quer que vamos. “Como assim o meu telefone não tem sinal no meio das montanhas?” ou “O que você quer dizer com a Smart TV está desativada e não consegue transmitir Game Of Thrones?” são situações que não aceitamos mais em nosso dia a dia.

Arkenberg ressalta que como a conectividade tem evoluído de um privilégio para uma expectativa básica, nós também começamos a ter uma melhor noção do que significa desistir de nossos dados em troca de um serviço de conveniências. É muito fácil clicar em algum botões na Amazon e ter anúncios aparecendo na sua tela alguns dias depois – não ligando para o fato de que os dados sobre suas compras estão sendo gravados e agregados. “No momento, temos dispositivos únicos conectados. As companhias estão tentando mostrar qual o verdadeiro valor e quão durável eles são, além do hype”, comenta.

A conectividade é a base da casa inteligente. Você consegue transformar um objeto burro em inteligente através do acesso online. O dispositivo de tecnologia de automação Wemo da Belkin, por exemplo, permite aos usuários controlar luzes e aparelhos sem fio, remotamente e podem ser comparados com o Echo da Amazon ou o Google Home para controle ativado por voz.

Por falar nesse tipo de comando, o pesquisador apontou que as interfaces físicas também estão evoluindo ao ponto em que estamos nos livrando inteiramente das interfaces ou transitando para um tipo mais “suave”, como a gestual ou por voz.

 

Drivers em mudança

Os consumidores estão abertos às inovações das casas inteligentes e as companhias vêm trabalhando para fornecê-las. Mas quais sãos os drivers que tornam esta tecnologia prática e acessível? Arkenberg destaca os três mais importantes:

  1. Computação: Os computadores ficaram exponencialmente mais poderosos nas últimas décadas. Se não fossem por processadores que conseguem lidar com enormes quantidades de informação, nada parecido com o Echo ou Alexa seria possível. Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquinas estão alimentando esses dispositivos e eles também dependem do poder da computação.
  2. Sensores: “Há mais coisas conectadas agora que pessoas no planeta”, observa Arkenberg. A empresa de pesquisa de mercado Gartner estima que existem 8.4 bilhões de coisas conectadas atualmente em uso. Onde quer que o digital possa substituir o hardware, ele está fazendo. Sensores mais acessíveis significa que podemos conectar mais coisas, que pode então se conectar com outras coisas.
  3. Dados: “Big Data é o novo petróleo. As principais companhias do planeta são todas gigantes de dados. Se os dados são o seu negócio, então você precisa continuar procurando novas formas de obtê-los mais e mais”, enfatiza. Os assistentes domésticos são, essencialmente, sistemas colecionadores de dados que sentam em sua sala e coletam informações sobre sua vida. Os dados, por sua vez, configuram o potencial de aprendizagem das máquinas.

 

 

Desbravando a sala de estar

Alexa e Echo podem ligar e desligar as luzes e o Nest pode te ajudar com uma casa energeticamente mais eficiente. Mas além disso, como uma casa inteligente realmente parece? Na visão de Arkenberg uma casa inteligente utiliza sensores, segurança, produtividade e promove o bem-estar.

Podemos fazer uma comparação com os veículos autônomos: Estão rodeados por sensores que constantemente mapeiam o que está a sua volta para construir um modelo de mundo dinâmico, que entenda as mudanças e, assim, possa prever coisas. Podemos desejar que este se torne um modelo para nossas casas também? Ao ficarem inteligentes e conectados, o pesquisador acredita que eles se tornarão “mais biológicos”.

Já existe uma infinidade de produtos no mercado que se encaixam nesta descrição. O dispositivo RainMachine usa previsões do tempo para programar o horário de regar o jardim. Já o Neurio monitora o uso de energia identificando áreas onde desperdícios estão acontecendo e faz recomendações sobre melhorias. Estes são pequenos passos para conectar nossas casas com sistemas de informação, dando a elas habilidades para entender e agir sobre esses conhecimentos.

Arkenberg imagina os lares do futuro sendo equipados com orelhas digitais (na forma de assistentes domésticos, sensores e dispositivos de monitoramento) e olhos digitais (possibilitando tecnologia de reconhecimento facial e máquinas com visão para reconhecer quem está em casa). “Esses sistemas estão cada vez mais habilitados para interpretar emoções e entender como as pessoas se sentem”, pondera. “Quando você agrega mais inteligência ativa para as coisas, a necessidade de nossa interface direta com elas se torna menos relevante”.

Poderia nossa casa usar essas mesmas ferramentas para beneficiar nossa saúde e bem- estar? A empresa de tecnologia FREDsense utiliza bactérias para criar sensores eletroquímicos que possam ser aplicados no sistema doméstico da água com o objetivo de detectar contaminações. Se isto não é pessoal o bastante pra você, veja esta novidade: Os sensores da ClinicAI podem ser instalados no seu vaso sanitário a fim de monitorar e avaliar seus dejetos. Com qual objetivo? Você pergunta? Detecção precoce de câncer de intestino e outras doenças.

E se um dia o sistema de análise de resíduos do seu banheiro pudesse se conectar com a sua geladeira e então, quando a abrisse, você saberia o que comer, a quantidade e o horário certo?

 

Obstáculos para a inteligência

“A casa conectada e inteligente ainda é uma categoria recente tentando estabelecer seu valor, mas os requisitos tecnológicos estão agora em voga”, sugere Arkenberg. Nós estamos acostumados a viver em um mundo de conectividade e computação ubíqua, e passamos a criar expectativa sobre as coisas conectadas. Para as casas inteligentes se tornarem uma realidade generalizada, seu valor precisa ser estabelecido e os desafios superados.

“Um dos maiores empecilhos será se acostumar com a ideia de vigilância contínua. Teremos conveniência e funcionalidade se desistirmos dos nossos dados, mas quão distantes estamos disposto a ir? Estabelecer segurança e confiança será um grande desafio para o futuro”, diz o pesquisador.

Também existe custo e confiabilidade, intercomunicação e fragmentação de dispositivos ou, por outro lado, o que Arkonberg chamou de plataform lock-on (ou bloqueio de plataforma), onde você acabaria confiando em um único sistema de provedor e não conseguiria integrar dispositivos de outras marcas.

Em última análise, Arkenberg vislumbra casas capazes de aprender sobre nós, gerenciar nossas agendas e trânsito, observar nossos modos e preferências e otimizar nossos históricos enquanto prevê e antecipa mudanças.

“Esta é realmente uma provocação da casa inteligente e eu acho que vamos começar a ver esse jogo nos próximos anos”, finaliza Arkenberg.

Parece um tipo de casa que a Dorothy não reconheceria, no Kansas ou em nenhum outro lugar.

 

 


Fonte: SingularityHub // Autor(a): Vanessa Bates Ramirez // Tradução: Camila Marinho