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Seu próximo médico pode ser um robô: IA se encontra com blockchain

A startup doc.ai vem trabalhando com pesquisadores universitários para criar uma plataforma de blockchain onde os pacientes possam discutir seus dados de saúde com  um “médico” de inteligência virtual avançado.

Em 24 de agosto deste ano, a doc.ai anunciou que sua avançada plataforma de processamento de linguagem natural baseado em blockchain, seria uma timestamp de conjunto de dados e inteligência artificial descentralizada. A startup indicou que a plataforma foi “imaginada e construída” por pesquisadores das universidades de Stanford e Cambridge.

O objetivo da doc.ai é ajudar empresas de saúde a melhorar o atendimento ao paciente, bem como a experiência através de um avançado sistema de diálogo natural que será capaz de gerar insights de dados médicos combinados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, existe no mundo uma escassez de 7 milhões de profissionais, e a defasagem continua em ascensão. Há uma crescente pressão sobre os médicos que se deparam com as necessidades desafiadoras da população e precisam continuar acompanhando os últimos desenvolvimentos em saúde e medicina. Além disso, a formação profissional leva anos de educação e experiência. Com a ajuda da IA,  a doc.ai pretende enfrentar esses desafios, enquanto melhora o atendimento aos pacientes e proporciona melhores experiências médicas.

“Estamos fazendo o possível para que testes de laboratórios conversem diretamente com os pacientes, ao alavancar inteligência artificial avançada, dados médicos forenses e blockchains descentralizados. Nós imaginamos grandes possibilidades para o uso dessas tecnologias por médicos, pacientes e instituições médicas”, comentou Walter De Brouwer, Fundador e CEO da doc.ai, em um comunicado.

A Deloitte Life Science juntamente com a Healthcare trabalham com a startup a fim de testar a solução Robô-Hematologia da empresa, que foi desenvolvido recentemente na Deloitte University em Dallas, no Texas.

“Os médicos baseados em IA do doc.ai fornecem respostas às questões de saúde utilizando uma plataforma alimentada por inteligência artificial. Plataformas como essa abrem novas possibilidades para pacientes e organizações médicas, ao fornecer atendimento mais personalizado e inteligente. Nós estamos empolgados para colaborar com o doc.ai e ser precursores nessa tecnologia”, disse Rajeev Ronanki, Responsável pelo Life Sciences and Health Care da Deloitte Consulting LLP.

A plataforma opera como um Software as a Service (SaaS), fornecendo serviços para companhias médicas, que permitirão aos seus pacientes ter conversas personalizadas alimentadas por IA sobre sua saúde, 24 horas por dia. As conversas são individualizadas e baseadas nos dados do paciente via aplicativo móvel. A companhia espera lançar três módulos de processamento de linguagem natural para seus clientes: Robo-genomics, Robo-Hematology e Robo-anatomics.

Os usuários podem fazer perguntas de IA relacionadas a sua saúde como por exemplo “Qual deveria ser o meu valor ideal de ferritina de acordo com a minha deficiência de armazenamento de ferro?” ou “Como posso diminuir meu colesterol nas próximas 3 semanas” e ainda “Por que meu nível de glicose foi maior que 100 e uma semana depois está em 93?”

Segundo a startup, a inteligência artificial será capaz de fornecer respostas para os pacientes com contexto adicional para cada uma dela. Além do mais, pacientes podem se comunicar com os médicos-robôs alimentados por IA para “alcançar melhores resultados de saúde a partir de consultas com o médico do paciente”.

 


Fonte: BitcoinMagazine // Autor(a): Benjamin Vitaris // Tradução: Camila Marinho

Google quer utilizar blockchain para segurança na saúde

A DeepMind Health – empresa de inteligência artificial adquirida pelo Google – está planejando utilizar uma nova tecnologia livremente inspirada em bitcoin para permitir que hospitais, o NHS (Serviço Nacional de Saúde, do Reino Unido) e, eventualmente, os pacientes rastreiem o que acontece com os dados pessoais em tempo real.

Apelidado de “Verifiable Data Audit” – Auditoria de Dados Verificáveis – o objetivo é criar um arquivo digital que registra automaticamente cada interação com os dados do paciente em um modelo criptograficamente verificável. Isso significa que qualquer alteração ou acesso a esses dados estaria visível.

A DeepMind vem trabalhando em parceria com a London’s Royal Free Hospital para desenvolver um software de monitoramento renal chamado Streams. As ações da empresa têm sido alvo de grupos de pacientes que afirmam  serem acordos de compartilhamento de dados excessivamente amplos. Os críticos receiam que as informações compartilhadas tenham potencial para dar a DeepMind, e portanto ao Google, muito poder sobre o NHS.

Em um post, Mustafa Suleyman e Ben Laurie – o co-fundador e o chefe de segurança e transparência da DeepMind, respectivamente – explicaram como o sistema vai funcionar. “Uma entrada vai registrar o fato de que um dado específico foi utilizado e também a razão pelas quais, por exemplo, a verificação de dados de exame de sangue para detectar possíveis lesões agudas no rim estão em contradição com o algoritmo do NHS”, eles argumentam.

Suleyman diz que o desenvolvimento da proposta de auditoria de dados começou muito antes do lançamento do Streams, quando Laurie – o co-criador do popular servidor web HTTP Apache – foi contratado pela DeepMind. “Este projeto vem sendo fermentado desde antes de começarmos a DeepMind Health”, informou ele ao The Guardian, “No entanto foi adicionada uma outra camada de transparência”, completou.

“Nossa missão é absolutamente primordial e parte fundamental disso é descobrir como podemos fazer um trabalho melhor e que gere confiança. Transparência e maior controle dos dados serão os pilares para construí-la ao longo do tempo”. Suleyman aponta para o grande esforço que a DeepMind tem realizado numa tentativa de construir essa credibilidade; seja forjando alianças com gigantes do setor de tecnologia – através da Partnership on AI – ou criando um conselho de revisores independentes para a DeepMind Health. Mas argumentou que os métodos técnicos propostos pela empresa significam a “outra metade” da equação.

Nicolas Perrin, chefe do grupo de pesquisa “Understanding Patient Data” da fundação Wellcome Trust, parabenizou o conceito de auditoria de dados verificáveis. “Há muitas possibilidades para um formato de auditoria consistente que será capaz de verificar como os dados são usados uma vez que saiam do hospital ou NHS Digital. A DeepMind está sugerindo usar tecnologia para ajudar a fornecer essa trilha de auditoria, de uma forma que poderá ser muito mais segura que qualquer coisa que já vimos antes”.

 

 

Perrin disse que  a abordagem poderia ajudar a DeepMind no desafio de conquistar o público. “Uma das principais críticas sobre a colaboração da DeepMind com o Royal Free é a dificuldade de distinguir entre os usos dos dados voltados para o cuidado com a saúde e para a pesquisa. Esses tipos de aproximação ajudariam na superação da desconfiança e sugerem que eles estão tentando responder aos questionamentos e preocupações dos pacientes. Perrin ainda acrescenta: “Soluções tecnológicas não serão a única resposta, mas acho que podem significar um importante fator no desenvolvimento de sistemas confiáveis que dão às pessoas mais segurança sobre o uso dos dados”.

O sistema de trabalho foi levemente inspirado na criptografia de bitcoin e é a tecnologia de blockchain que o sustenta. A DeepMind defende que, “como ele [blockchain], o arquivo será apenas anexado, então, uma vez que os usos dos registros de dados forem adicionados, eles não poderão ser apagados posteriormente. E, como blockchain, o arquivo permitirá que terceiros verifiquem se ninguém alterou nenhuma das entradas”.

Laurie minimiza as semelhanças, “Não posso impedir que as pessoas o chamem de blockchain”, disse, mas ele descreve os blockchain, no geral, como “incrivelmente desperdiçados” na forma como eles caminham para garantir a integridade dos dados. A tecnologia que envolve os participantes de blockchain queima uma quantidade astronômica de energia em um esforço que garante que a descentralização dos rastros não seja monopolizada por nenhum grupo.

A DeepMind argumenta que os dados de saúde, ao contrário de uma criptografia, não precisam ser descentralizados – Laurie diz que, no máximo, eles precisam ser “federados” entre um grupo pequeno de provedores de saúde e os processadores de dados. Então, os elementos de dispersão da tecnologia blockchain não têm que ser importados de fora. Em vez disso, os sistemas de auditoria de dados usam a matemática funcional, chamada árvore de Markle, no qual permite que toda a história dos dados seja representada por um registro relativamente pequeno, mas que mostra, instantaneamente, qualquer tentativa de reescrever o histórico.

Embora ainda não esteja tecnicamente completa, a DeepMind alimenta altas esperanças para a proposta; na qual poderia formar a base de um novo modelo para armazenamento de dados completos do NHS  e, potencialmente, até fora da área de saúde. Por isso, diz Suleyman, “é realmente difícil para pessoas saberem para onde os dados se moveram, quando e sob que política de autorização”. Apresentando uma luz de transparência em relação a esse processo, acho que será muito útil para os controladores de dados, pois eles podem verificar onde seus processos têm sido usados, alterados ou acessados”, comenta.

“Isto vai adicionar provas técnicas à transparência de governança que já está em curso. O ponto é transformar o regulamento em provas técnicas”. A longo prazo, Suleyman diz que o sistema de auditoria poderia ser expandido para que os pacientes possam supervisionar diretamente como e onde seus dados têm sido usados. Mas tal progresso só será possível quando as preocupações com as questões de acesso seguro forem dissipadas.

 

 


Fonte: TheGuardian // Autor(a): Alex Hern // Tradução: Camila Marinho