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Gestores clínicos também devem seguir processos de qualidade

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É preocupante a posição das pessoas que trabalham dentro das organizações de saúde em geral, e em particular dos médicos e gestores clínicos, acerca da necessidade de implementação de medidas simples e elementares para o alcance de melhorias assistenciais. Melhorias assistenciais, como todos sabem ou deveriam saber, refletem-se de imediato no cuidado ao paciente sob responsabilidade da organização e em todas aquelas questões que vêm sendo exaustivamente colocadas por institutos de acreditação no Brasil e no mundo, principalmente no que concerne à segurança dos processos, visando minimizar riscos e ocorrência de efeitos adversos aos pacientes internados e aos colaboradores que lá estão. Entretanto, não é incomum encontrarmos gestores se escusando de assumir seu papel nesse processo, deixando essas ações para um plano secundário ou negligenciando-os, por não vislumbrarem contra-partidas de ordem material ou financeira para si próprio ou para a organização que ele representa.

Algumas organizações fazem bem esse papel de busca ativa e vigilância dos processos, sem nem se darem conta que estão promovendo ações de qualidade e sem rotularem a iniciativa ou fazer auto-promoção. E o fazem pura e simplesmente porque sabem o quão impactante essas medidas contribuem para a missão da organização e sua reputação perante o indivíduo e a comunidade.

Outras avançaram bastante no processo de percepção do quanto a melhoria do processo assistencial pode ser importante, investiram na capacitação de líderes para implantar medidas de qualidade, evoluíram um pouco mais, atingindo qualificação perante institutos de acreditação e são efetivamente reconhecidas nas mídias pelo alcance desta condição. Mas que, entretanto, não reproduzem no seu dia a dia as premissas estabelecidas anteriormente no processo de planejamento de ações e continuam a se relacionar com seus pacientes e clientes da mesma forma que uma organização que acredita que apenas a prestação de serviço secularizada nas suas consideradas ?boas práticas? é suficiente para manter a viabilidade funcional e financeira da mesma, esta última prioritariamente em relação à outra.

Para não deixar de fazer justiça, existem organizações que aliam perspectiva com ações eficientes. São poucas no universo de organizações no Brasil, e seu crescimento em número não segue uma curva ascendente muito inclinada.

O fato é que promover meios para melhorar a qualidade assistencial em todos os níveis dá trabalho. Além disso, incomoda pessoas e tira algumas de sua zona de conforto. Interfere nas relações internas de poder e promove desgaste político. Tem um custo associado e expõe algumas vísceras perante o público interno e externo. Suscita novas formas de relacionamento com fontes pagadoras e provoca questionamentos por parte destas, principalmente quando algumas medidas preconizadas elevam o custo médio por paciente. E, finalmente, exige do gestor clínico um conhecimento e posicionamento capaz de testá-lo se está à altura do desafio. E nem todos querem esse tipo de exposição, a despeito das inúmeras vantagens conhecidas dessas ações.

É fato que tanto melhores e mais eficientes as ações voltadas para a qualidade assistencial quanto maior for o apoio e incentivo da alta direção. Mas parece ser consenso que muitas das iniciativas com essa finalidade podem ocorrer à margem desse apoio oficial. Pois é no cotidiano da organização que vemos e sentimos o estado das coisas e fazemos nosso diagnóstico situacional e das necessidades assistenciais mais urgentes.  

Uma recomendação para quem vai assumir a função de gestor clínico: não deixe de caminhar pelos diversos setores de sua organização. Faça disso um hábito. Converse com as pessoas, ouça o que os diversos profissionais têm a dizer. Ouça também os pacientes e seus familiares. Lições e idéias valiosas podem ser incorporadas nesse ?tour?. A sua ação bem conduzida é o substrato para o sucesso das ações voltadas para a qualidade.

E, principalmente, não esperem reconhecimento festivo.

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