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Gestão de OPME III – Cuidando da galinha dos ovos de ouro

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Neste post encerramos a série de publicações sobre a gestão de órteses, próteses e materiais especiais ao longo dos últimos anos e seu impacto nas rotinas e relações dos agentes envolvidos no uso de OPME?s.

Caso você tenha perdido os posts anteriores, não deixe de visitar os links abaixo para conhecer mais sobre as etapas ?administrativa? e ?focada em custos? que antecederam o texto que está lendo agora.

http://condutasaude.com.br/site/2013/05/06/a-gestao-de-opmes-capitulo-i-o-liberalismo/

http://condutasaude.com.br/site/2013/05/20/gestao-de-opmes-capitulo-2-a-austeridade/

 

É razoável afirmar que as mudanças que motivaram enfoques diferentes em cada etapa da história da gestão de OPME?s tenham sua origem na tentativa de fornecer respostas à complexa operação de unificar interesses assistenciais (a realização da cirurgia e reestabelecimento dos pacientes) com uma sustentação financeira que garanta a sobrevivência do sistema.

Certamente, essa não é uma tarefa fácil. Não só pela subjetividade envolvida na prestação do serviço da saúde, mas também pela tendência que os atores têm em buscar soluções individuais isoladas, na esperança de que a liquidação dos seus próprios problemas eliminem os conflitos ou riscos da cadeia como um todo. E este é exatamente o motivo das iniciativas anteriores não terem surtido o efeito resolutivo esperado.

O que as experiências dos últimos anos já deveriam ter nos ensinado é que não haverá progresso nas relações comerciais e técnicas no setor da saúde sem abordagens que garantam a sustentabilidade (ou sobrevivência, se preferir) do sistema como um todo.  Entretanto, ainda agimos de forma desconexa, como se hospitais pudessem existir sem planos de saúde, como se médicos não precisassem de salas cirúrgicas e como se operadoras conseguissem atender seus pacientes sem leitos hospitalares.

Como partes de um único corpo, nossas soluções deveriam considerar não só o que é melhor para um dos agentes, mas sim o que é mais adequado para a cadeia completa. Afinal, na mesma proporção em que somos responsáveis pela robustez dos nossos negócios, é preciso entender que eles só existem em um mercado equilibradamente saudável.

Proteger a ?galinha dos ovos de ouro? que nos sustenta, personificada na estrutura do mercado da saúde em si, seria uma boa metáfora para o que é preciso agora.

É neste contexto que entramos na 3ª. etapa da gestão de OPME que tem na busca compartilhada de soluções entre os players, sua principal diferença (e também trunfo para o sucesso) quando comparada aos modelos adotados até então.

O modelo de soluções compartilhadas obriga os agentes da cadeia a se debruçarem em conjunto sobre as dificuldades reais do mercado, separando os problemas das pessoas ou instituições, em uma postura de responsabilidade comum que tem na eficiência operacional, no aumento da previsibilidade e na resolubilidade para pacientes seus objetivos finais.

É nele que se torna possível discutir, de forma madura, os entraves do processo, propondo dentre outras ações:

  • Definição de protocolos aceitáveis por todos os agentes
  • Avaliação do custo X benefício técnico-comercial
  • Busca conjunta pela redução da variabilidade
  • Compromisso compartilhado dos resultados
  • Diminuição do tempo de espera (documental e de atendimento)
  • Comunicação em todas as direções
  • Confiança mútua

O modelo de soluções compartilhadas quebra barreiras, cria bases mais lógicas e precisas para o planejamento estratégico das organizações e, com destaque, fortalece o mercado da saúde através do estímulo à confiança e transparência nas relações.

Mais do que avanços pontuais, ele propõe um crescimento contínuo e em bloco, juntando forças para vencer obstáculos ou para usufruir de oportunidades.

Ele permite mudar a maneira como negociamos , em alguns casos tornando aceitável,ou mesmo prudente, a majoração de preços de produtos como forma de ampliar a contrapartida técnica de longo prazo, a melhora da satisfação de pacientes e a perenidade do mercado.

Por outro lado, traça diretrizes unificadas de resultados esperados, no qual a ação correta e efetiva de cada polo do sistema é a base para a conquista  mútua de um cenário financeiro e assistencial satisfatório.

Há razões plausíveis para acreditar que a gestão através das soluções compartilhadas é o caminho mais promissor para harmonizar um parque de relações historicamente desgastadas e cheias de paradigmas. E, como o leitor sabe, modificar a cultura de um mercado requer esforço, comprometimento e um pouco de utopia inspirada por alguns visionários que assumem o risco de criar cenários melhores.

Seria você um dos líderes que assumirá esta tarefa?

 

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