Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Gestão de insumos: o que acontece, de fato, dentro dos hospitais

Publicidade

No post anterior, elencamos os principais motivos para a
falta de materiais e medicamentos em hospitais públicos de todo o Brasil,
apontados em levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Dando
continuidade ao assunto, hoje vamos abordar as principais falhas na gestão intra-hospitalar
desses insumos.

Em visita técnica, os auditores do TCU encontraram,
muitas vezes, situações absurdas, como afixação de cartazes com esparadrapos, estocagem
em corredores, uso de luvas estéreis em vez de luvas de procedimentos,
utilização de agulhas de maior calibre, que dobram o tempo de diluição dos
medicamentos, e uso parcial de insumos, com descarte da parte que sobrou e
ainda estava apta para consumo.

Se muitas vezes a aplicação incorreta se dá por falta dos
suprimentos adequados, em outras os problemas são causados por negligência e
até mesmo furtos por parte dos funcionários. Dos gestores entrevistados, 39%
alegam haver desperdício de insumos por causa de hábitos inadequados ou
negligentes das equipes.

Mais uma vez, percebe-se a falta de processos e da
implementação das boas práticas de logística nessas unidades. Em muitos casos,
a simples prescrição é suficiente para que os medicamentos sejam retirados do
estoque, sem que haja verificação do protocolo ou questionamento das
quantidades solicitadas.

Os gestores reconhecem o problema: 53% afirmam não ter
nenhum instrumento de gestão dos insumos, o que facilita a ocorrência de
furtos, relatados com frequência, e a inutilização de materiais por perda do
prazo de validade: apenas em Sergipe, 32 toneladas foram descartadas por esse
motivo.

Face à restrição orçamentária e ao número de pessoas na
fila por tratamentos de saúde, é inaceitável que situações como essas continuem
sendo rotineiras pelo Brasil. Se há falta de pessoal habilitado internamente
para tratar da logística hospitalar, torna-se urgente a aquisição de serviços
de terceiros especificamente para esse fim, a exemplo do que já acontece em
áreas como segurança e limpeza, por exemplo.

Não se espera que o Estado detenha tão ampla gama de
conhecimentos, mas sim que seja capaz de provisionar seus recursos para
aquisição de bens e serviços que resultem em eficácia, eficiência e segurança ao
paciente, mantendo o foco em sua atividade-fim: o cuidado à população.

Domingos Fonseca, Presidente da UniHealth Logística Hospitalar 

http://unihealth.com.br/


Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta