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Fraudando a Saúde

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Já há tempos, fontes pagadoras da saúde, públicas e privadas, vinham assinalando que a utilização e demanda de materiais de alto custo – particularmente órteses e próteses -tinham um modelo perverso. Com indicações médicas questionáveis e até fraudulentas, materiais superfaturados passavam a ser utilizados por demandas judiciais. Recentemente, o tema veio à tona após ótimo trabalho de jornalismo investigativo divulgado. Expõe muito mais problemas do que se percebe no primeiro momento. Mostra que o sistema de compras públicas e privadas é contaminado por meliantes, mostra que os custos exorbitantes em saúde crescem por incapacidade de soluções gerenciais ágeis, mostra que o Judiciário por vezes não utiliza a assessoria técnica que seria conveniente e, o mais cruel, mostra que as pessoas podem ter sua saúde usada como produto de comércio. Cruel e assustador. É a ponta de um iceberg que ocorre, em graus variáveis, em várias áreas da saúde. O sistema de saúde tem crescido em demanda e complexidade, sem o suporte econômico e gerencial de que precisa. O trinômio qualidade, segurança e efetividade frequentemente é desconsiderado. 

E o desdobramento disso tudo é, da mesma forma, enorme. A segurança da população no que diz respeito a instituições relevantes para o funcionamento da sociedade, como médica e judiciária, fica prejudicada. São entidades que não poderiam estar doentes. Outro efeito colateral é a extrapolação dos crimes para toda uma classe. Como já escreveu Eric Hoffer, autor do clássico The True Believer, estamos mais propensos a generalizar o mal do que o bem. Assumir que o mal é mais potente e contagiante é desistir de lutar. Generalizar o comportamento de alguns criminosos para toda uma categoria profissional, em sua maioria de bem e tão indignada com os crimes e a impunidade como a grande parte dos brasileiros, só serve para fomentar uma discussão desfocada e improdutiva. Todos esperam investigações ágeis e que não se caia novamente na fossa da impunidade.
Texto originalmente publicado no jornal Zero Hora de 07/01/2015
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