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FORA DO SERVIÇO, GRUDADO NO TRABALHO

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Uma excelente matéria assinada por Marcia Rodrigues, publicada no jornal Estado de São Paulo no dia 3 de abril, traz a discussão sobre uma importante pesquisa realizada pelo IPEA denominada ?Trabalho e Tempo Livre? que faz parte do Sistema de Indicadores de Percepção Social, que pode ser obtida em http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/120321_sips_tempolivre.pdf .

Sem dúvida, é importante que o Estadão traga para o grande público a questão do trabalho, que vem sofrendo grandes transformações nos últimos anos, com a redução da informalidade e a introdução de novas tecnologias e o uso do tempo livre em nosso país.  Este estudo é de leitura obrigatória para os profissionais que atuam nas áreas de recursos humanos, saúde e bem-estar.  Os seus achados ajudam a desfazer alguns mitos e contribuem para a elaboração de estratégias de ação nas organizações.

A pesquisa envolveu 3.796 adultos, com entrevista domiciliar, realizada em todo o país, através de um questionário de 64 questões. Constatou que 31,8% dos brasileiros trabalham 45 horas ou mais. Destaca-se o grupo de empregadores como o que tem a maior carga horária de trabalho (mais da metade trabalha mais de 45 horas por semana). As pessoas que desejam ter o seu próprio negócio devem estar conscientes de que, provavelmente, trabalharão muito mais do que quando eram empregados.

Com relação ao equilíbrio vida pessoal e profissional, quase metade dos entrevistados afirma ter dificuldades para se desligar totalmente do trabalho, mesmo após o término de sua jornada de trabalho. Quase a metade dos trabalhadores relatou reações negativas quando necessita dedicar parcela do seu tempo livre a atividades próprias do trabalho remunerado. Como conseqüência principal, relataram que há comprometimento da qualidade de vida pois se gera cansaço e estresse. Pesquisas internacionais demonstram que o estresse ocupacional faz com que as pessoas necessitem de várias horas para descompressão e, com freqüência, isso acaba contaminando a sua vida pessoal. Neste contexto, surge o desafio para as empresas para que busquem processos de gestão que não gerem estresse excessivo e aos gestores de saúde e bem-estar, oferecer alternativas saudáveis para a descompressão dos trabalhadores. Caso contrário, a fórmula envolverá o uso abusivo do álcool, o consumo de drogas e medicamentos como tranqüilizantes e antidepressivos.

Curiosamente, a pesquisa não demonstrou diferença estatística entre a posição na ocupação e a capacidade de desligar-se totalmente do trabalho quando encerra o horário de trabalho, com exceção dos autônomos. No entanto, não basta ter tempo livre. Somente menos de um terço dos entrevistados consegue assumir outros compromissos regulares, para além do trabalho, com destaque para atividades religiosas, estudos e prática de atividade física. Surge aí, um importante campo de atuação dos profissionais de saúde e bem-estar para estimular práticas relacionadas ao estilo de vida saudável nos momentos de lazer. Eles não podem ser preenchidos assistindo televisão ou bebendo no bar da esquina. As abordagens em aconselhamento devem envolver as relações sociais, culturais, ambientais e de conexão espiritual.

Enfim, os resultados desta pesquisa oferecem subsídios preciosos para a compreender as novas dimensões do trabalho nos dias de hoje, contribuindo para ações relacionadas a organização do trabalho e programas de promoção de saúde e bem-estar, notadamente nas áreas de gerenciamento do estresse, estilo de vida e comportamentos saudáveis.

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