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Ética na Prática 1

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A ética (e sua falta) tem se tornado cada vez mais uma questão crucial para o sucesso de uma empresa, pois ela afeta os resultados, os funcionários e todos os stakeholders de forma intensa. Ela é a base da confiança que, por sua vez, sustenta os relacionamentos internos e externos, o atendimento, a liderança, a comunicação, a qualidade etc.

Isso não é uma novidade, mas este simples ?entendimento? não tem sido suficiente para mudanças de atitude e foco dentro das organizações, fora e dentro da saúde. Uma pesquisa publicada no ano passado pela empresa ICTS com 3.211 profissionais de 45 empresas brasileiras mostrou dados preocupantes, pois aponta que 52% tende a conviver sem restrições com atos antiéticos e que cerca de metade dos profissionais tende a adotar atalhos antiéticos para atingir as suas metas. Assusta também saber que 18% responderam que furtariam valores consideráveis da organização e que 32% dos profissionais com ensino superior e em cargos de chefia utilizarão informações privilegiadas para seu benefício em detrimento aos interesses da organização.

Outro ponto interessante da pesquisa é que ela pergunta sobre as motivações dos respondentes, especificamente se é por princípio ou por pressão. Quem age por princípios age pelo que acredita ser certo/convicção. Já quem age por pressão é influenciado por situações ou pressões do ambiente. O resultado mostra que a quantidade de pessoas que age por princípio varia conforme o tema, e que, em algumas questões, mais da metade age por pressão.

Similar aos resultados desta pesquisa, sobram exemplos negativos envolvendo diversos protagonistas na área de saúde, como o desrespeito em relação ao paciente ou à equipe de trabalho, o uso desnecessário de recursos, às restrições ao uso do que se é de direito, a distorção na aplicação das verbas públicas etc.

A leitura de uma pesquisa como essa e a constatação da nossa realidade, mais do que gerar medo ou uma atitude basicamente reativa, como querer controlar tudo, traz clareza para a necessidade de se investir nos princípios, ampliando a consciência sobre o impacto prático da ética na empresa e nas relações. Embora os controles sejam importantes, é fundamental investir nos princípios, focando as causas das decisões, já que, por detrás de cada ação antiética existe uma escolha, consciente ou não.

A capacitação da ética na prática, ao invés de uma abordagem teórica, tem como foco trazer entendimento da realidade e da autorresponsabilidade em tudo o que fazemos, mostrando os comportamentos reais que temos no dia a dia da empresa e suas consequências, bem como a real intenção que nos leva a agir. A clara percepção dos exemplos nos permite assumirmos as nossas escolhas e sermos capazes de redirecioná-las. E simplesmente porque queremos. Por uma questão de princípios.

Na área de saúde significa envolver a todos, como médicos, profissionais, equipe, gestores, líderes e fornecedores com ações objetivas, perenes e frequentes. Aristóteles já dizia que a coragem é a primeira das qualidades humanas, pois é a que garante as outras. Vamos ter coragem para sermos mais éticos, começando por nós
mesmos e espalhando por toda a empresa e à saúde. Você topa?

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