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Entrevista com um Corrupto

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Comum: Após vários anos de conflitos ou relações pouco harmoniosas, estamos nos comunicando com o intuito de abrir um canal de discussão que permita, apesar das diferenças que compõem nosso comportamento, refletirmos em conjunto sobre as motivações que distinguem de maneira tão peculiar as decisões profissionais ou pessoais que tomamos.

Corrupto: Desde já agradecemos seu contato, nos colocando à disposição para esclarecer suas eventuais dúvidas, bem como ratificar a habitual intenção de agregá-los à nossa comunidade.

Comum: Como se forma um bom corrupto?

Corrupto: Carregar a alcunha de corrupto requer tremendo esforço daqueles que postulam tal titulação, uma vez que o longo caminho para atingir este objetivo tem como ponto de partida as tendências apresentadas desde a infância.

Predisposições naturais costumam aparecer muito cedo, através de pequenas apropriações indébitas  de doces e brinquedos ou eventuais manipulações da verdade no contato com seus próximos.  Entretanto, é notável a importância do ambiente familiar na construção do perfil de um bom corrupto. A flexibilidade moral e, principalmente, o estímulo de exemplos recebidos pelos responsáveis são cruciais para que membros da nossa comunidade executem, com excelência, desvios de conduta ao longo de toda sua vida.

Poderíamos dizer que pais esforçados em manter seus filhos distantes de supervisão e orientações éticas contribuem fundamentalmente para a garantia de um futuro pleno de desonestidade.

Uma vez capacitado pelas lições aprendidas na infância, o jovem corrupto inicia sua vida social já protegido de conceitos de índole que o privam da satisfação plena. Esta é uma fase muito perigosa para nossos corruptos, posto que sob a influência da humanista sociedade, ele pode chegar a conclusão que o respeito mútuo e o caráter são características que se sobrepõem ao benefício próprio e à busca de suas metas a qualquer custo.

Felizmente, ao entrar no mercado de trabalho, nossos membros são acolhidos por corruptos da velha guarda que garantem a transmissão dos consagrados conceitos de hipocrisia e falta de princípios às gerações futuras.

A partir de então, o corrupto formado começa a traçar sozinho seu caminho, tendo a liberdade de desenvolver esquemas e alianças que alavanquem seu plano de carreira.

Comum: Todos os corruptos são iguais?

Corrupto: Há 03 níveis de desenvolvimento de um corrupto:

O primeiro deles é o corrupto clássico, aquele que deliberadamente comete atos ilícitos em benefício próprio, atribuindo os efeitos de seus atos à incapacidade dos que o cercam em responsabilizados.

Esta classe costuma preferir manadas da mesma espécie, posto que o conjunto de suas articulações geralmente funciona melhor quando blindadas pela interdependência de interesses e riscos.

Hábeis nas técnicas de camuflagem, eles conseguem mimetizar personalidades respeitáveis, mantendo sua carapaça de idoneidade mesmo quando descobertos.

O segundo grupo se caracteriza por membros da sociedade que não atuam diretamente nas práticas recomendadas, mas que através da omissão, mantém-se alheios às consequências ocasionadas pelo primeiro tipo, preferindo não revelar sua percepção sobre os movimentos do primeiro tipo.

Apesar de não contribuírem efetivamente com a evolução dos trabalhos, este tipo de corrupto age perfeitamente segundo as diretrizes de desempenho desenhadas por nossa comunidade, posto que se não ajuda, também não interfere na conquista dos objetivos que temos. Assim, os consideramos grandes aliados, e agradecemos imensamente sua discrição e fidelidade para com os companheiros. E o melhor, sem exigir participação.

O último grupo é constituído de pessoas chamadas comuns, que não se reconhecem como sendo corruptas, mesmo tomando posturas alinhadas com nossos conceitos. Tratam-se, basicamente, daqueles indivíduos que cometem pequenas transgressões quando, provavelmente, não podem ser punidos.

Aqueles que não devolvem o troco a mais, que estacionam seus carros em vagas proibidas ou mesmo que consideram a máxima de levar vantagem em tudo são potenciais participantes de nossa categoria, mesmo que não saibam disso.

Comum: Há um tipo de pessoa mais suscetível à corrupção?

Corrupto: Somos bem democráticos. Não fazemos diferenciações entre gênero, faixa etária ou profissão. Na verdade, nos orgulhamos de ter membros de nossa comunidade nos mais diversos e respeitáveis setores. Do alto executivo ao auxiliar de limpeza, todos podem agregar nosso time de agentes.

Comum: Como vocês se reconhecem?

Corrupto: Mesmo discretos, nossos atos são de conhecimento do habitat em que estamos, o que é uma forma bastante eficaz de atrair nossos semelhantes. Obviamente, nossa rede de relacionamento aproxima os interesses, protegendo-os da ação danosa daqueles inocentes que continuam a acreditar que há um caminho moral e correto a ser seguido.

Via de regra, manifestamos nossa presença através do simpático hábito de presentear, sempre usando o bom tom de não mencionar explicitamente a necessidade de contrapartidas de mesma proporção.

Temos também um aperto de mão típico. Mas isso é um segredo que só posso contar em situações especiais.

Comum: Quais são as grandes preocupações dos corruptos para o futuro?

Corrupto: Tememos não conseguir expandir nossa cultura entre a maioria da sociedade não iniciada que ainda se apega a valores e escrúpulos nas relações pessoais ou profissionais.

Tememos que os grupos opositores tomem uma postura mais agressiva contra nossa classe, ampliando ideias subversivas tais como a justiça, o respeito, a verdade e a indignação.

Receamos que não seja descoberta a vacina contra o vírus da consciência, que tem feito muitos dos grandes nomes de nossas fileiras sucumbirem à insônia e à vergonha.

Em resumo, tememos a mudança de atitude.

Também disponível no site www.condutasaude.com.br

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