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Em qualidade e segurança, é permitido colar

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Os resultados do modelo hospitalista no Hospital Divina Providência de Porto Alegre foram colossais, superaram até minhas melhores expectativas.

Proporcionamos uma retumbante redução de média de permanência (vide detalhes aqui), gerando leitos virtuais, aumento de produção e ganhos financeiros para a organização. Beneficiamos também as fontes pagadoras, contaminados pela filosofia Choosing Wisely. Foi iniciativa protagonizada por grupo de médicos que despejou consideráveis esforços e muita, mas muita, empolgação. Fechamos, há pouco tempo, 2 anos de alto comprometimento e engajamento, período em que contrariamos até mesmo postura médica usual de exigir tudo o que se quer já na largada. Entramos dispostos a semear trabalho, colher resultados para os outros – a médio prazo – e, somente após, buscar a própria valorização.

Quando apresento os resultados Brasil afora, muitos querem saber dos segredos para atingi-los. Pois nós não inventamos praticamente nada. Sob minha liderança, muito foi é copiado. No moderno movimento da qualidade assistencial a da segurança do paciente, não vacilamos em roubar ideias quando elas servem para ajudar os pacientes. Da mesma forma, compartilho tudo que produzo de positivo, basta pedirem.

Exemplo é a criação de um dasboard de indicadores e variáveis de desempenho. Lutei alguns meses pela ferramenta demonstrada abaixo. Servirá para o hospital fazer a gestão de outros grupamentos ou profissionais médicos do corpo clínico. Tudo copiado ou adaptado de hospitais que já visitei, ainda distante do “painel de bordo” ideal.

Replicar o que aprendi com outras organizações serviu ainda para moldar comportamento interno do nosso grupo de hospitalistas. Permitir que o médico individualmente fosse capaz de se enxergar em comparação com o restante do pessoal, confrontando seu tempo de permanência, suas taxas de readmissões e de utilização do ambulatório de follow-up precoce pós-alta, certamente ajudou no fenômeno de regressão à média observado ao longo do projeto, melhorando a performance da maioria dos hospitalistas. Serve ainda para identificar os boicotadores ou com visão estreita, como aquele que desempenha mal em readmissões, e mesmo assim não enxerga a necessidade de utilização do ambulatório pós-alta e outras medidas consagradas na literatura como facilitadoras de uma transição de cuidado bem feita (saiba mais sobre alta hospitalar aqui e aqui).

Se havia funcionado em instituições como Mayo Clinic e hospitais da Harvard, por que não haveria de ocorrer com nosso modesto grupo? Iniciativas desta natureza muitas vezes são evitadas com o argumento de que os médicos não as recebem bem. Aceitar ser avaliado é premissa para seleção de um bom grupo de hospitalistas (outra dica aprendida com programas bem-sucedidos que visitei). Se em instituições de ponta, onde estão os melhores, não apenas aceitam, mas constroem juntos estas plataformas de avaliação, teríamos condições de dizer não? Certamente não! E assim fizemos:

Em qualidade e segurança, é permitido colar! Para estimular seus médicos a fazer a coisa certa, tente compará-los com seus pares!

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