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Edifícios de Saúde: Caóticos e Desumanos

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Lembro-me, como se fora acontecido ontem, quando em uma primeira reunião entre os dirigentes de uma empresa hospitalar e nós arquitetos, procurávamos alinhar expectativas, desejos e condutas com vistas a construir as diretrizes de um projeto arquitetônico para um novo edifício hospitalar. A instituição se fazia representar por seus dirigentes e pelos responsáveis pela área de cuidados, no caso o diretor clínico e a chefe da enfermagem. Respeitosamente o presidente da empresa deu a palavra inicial à representante do corpo de enfermeiras que perguntou a mim, como arquiteto ouvidor:
– Queremos saber se sua empresa executa plantas funcionais e que resultem na humanização do edifício!!!, não sem antes haver me consultado em que faculdade havia eu estudado!
 


Entendi claramente o desconhecimento por parte da consultante sobre as atribuições e o papel do arquiteto! E percebi pela sua expressão facial sorridente um ar de desafio, à espera de uma resposta convincente.
 
Me valendo de toda vertente diplomática da educação que minha mãe me legou, achei de circundar a resposta com uma pergunta sobre quantas enfermeiras de ?alto padrão? havia no seu corpo profissional. A resposta sibilou precisa: praticamente todas formadas em escolas de renome! Cumprimentando-a pela excelência do perfil de sua equipe, consultei se era de seu conhecimento a existência de alguma faculdade que formasse enfermeiras de ?baixo padrão?. Não lhe dei chance nem de um respiro e argui que não tinha conhecimento de nenhuma faculdade de arquitetura que capacitasse arquitetos a conceberem edifícios caóticos e desumanos.
 
O mal estar criado abriu uma oportunidade impar, – que nem todos colegas tem dela se aproveitado -, de expor o papel do Arquiteto como um profissional voltado ao conhecimento e análise do comportamento social e humano, para somente então organizar os espaços de maneira a torná-los funcionais e agradáveis, e não atuar como mero desenhista de plantas ou fachadas.
 
Devemos salientar que, já nas iniciais de qualquer entendimento com novos clientes, devemos esclarecer o campo de nossa competência profissional, nossa experiência vivida, seja jovem ou madura, como pensamos e atuamos na concepção de projetos integrados de edifícios complexos. Necessário construir uma relação sócio-profissional fluida e duradoura para que venhamos conceber e projetar edifícios ?com eles? a partir do conhecimento transmitido do ?como fazem?, para com firmeza técnica e sensibilidade criarmos ambientes funcionais e que contribuam para o bem estar dos humanos que dele usufruem.
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