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É possível lidar com a explosão de exames diagnósticos no Brasil ?

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Uma matéria de Beth Koike no Valor Online apresenta um levantamento feito pela consultoria MDS que constata um aumento de 32% nos gastos com exames de análises clínicas nos últimos dois anos. Apesar deste aumento, houve um aumento nos preços de apenas 3% no ano passado. Deste modo, este aumento nos custos, que chega até a 30% dos gastos totais está relacionado ao aumento de utilização. Este fenômeno tem sido constatado por muitas operadoras de saúde, em todo o país.

O levantamento destaca, dentre outros exames, a dosagem de vitamina D e vitamina B12. Curiosamente, uma matéria na edição 119 da revista ?Viva Saúde?, assinada por Carol Nogueira, intitulada ?Vinte e Cinco Exames que Seu Médico Deveria Pedir? destaca exatamente a importância de ?lembrar? o médico para pedir a dosagem de vitamina D e Vitamina B12! Deste modo, além da forte atuação de marketing da indústria farmacêutica na classe médica, há a influência da mídia, que induz o ?consumo? destes exames pela população.

Com relação à dosagem de vitamina D para pessoas assintomáticas, uma publicação recente do portal Medscape citando o US Endocrine Society Guideline contraindica a realização de screening  na população adulta em geral  ou que não apresentem condições como osteomalacia, doença renal crônica, fibrose cística, doença de Chron, doença intestinal inflamatória, entre outras. O US Preventive Services  Task Force está realizando uma revisão ampla da literatura sobre o tema.

Com relação à dosagem de vitamina B12, o Center of Disease Control (CDC) dos Estados Unidos relata que a maioria dos especialistas não recomenda a sua dosagem na população em geral, mesmo em indivíduos de alto risco (como idosos fragilizados). O US Preventive Services Task Force também não recomenda o screening em pessoas assintomáticas.

Assim, provavelmente, pelo grande número de dosagens de vitamina D e B12 atualmente realizados no Brasil, particularmente pela rede privada, infere-se que há muitos exames desnecessários e recursos desperdiçados. Talvez somente a co-participação não esteja sendo suficiente para controlar a demanda para serviços como estes e será necessária uma ação integrada, com a publicação de diretrizes clínicas e orientações à classe médica, acompanhamento constante da realização de exames laboratoriais pela rede credenciada e a integração com os serviços assistenciais da empresa, inclusive para evitar a inclusão de exames desnecessários em exames periódicos de saúde e ?check ups? executivos, mesmo que recomendados por laboratórios de análises clínicas renomados.

 

 

 

 

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