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E o que 2012 tem para ensinar para 2013?

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O tempo físico não mudou praticamente nada nos últimos séculos. O dia segue tendo 24 horas, a semana tem 7 dias e todo mês temos algo em torno de 20 dias úteis (se bem que é justa a controvérsia se a melhor definição de dia útil é realmente de segunda a sexta!)?. Mas a percepção de velocidade de passagem do tempo parece ter mudado muito. No ano de 2012 tivemos Bóson de Higgs, julgamento de mensalão, eleições norte-americanas, conflito armado na Síria?. e vai acabando o ano. Agora ? sem dúvida ? 2012 fica marcado também pela crise política e econômica europeia, que afeta, neste mundo globalizado, todo planeta. Não seria diferente na área da saúde.

A inflação médica vem se mantendo acima da inflação geral, sob risco de, em breve, tornar o custo da saúde impagável. Muitos países passaram a adotar medidas de contenção de custos em saúde. Políticas de assistência médica foram e estão sendo centro de debate (como no caso do Obamacare) pautados na insuficiência orçamentária e na forma de avaliar quem vai pagar a conta. O que se tem feito para tentar soluções? Os alemães ? sempre muito práticos – definiram, em 2012, que toda incorporação de tecnologias em medicina deve ter uma contrapartida de exclusão de despesas que permita manter o orçamento da saúde no mesmo valor já pré definido, ou seja, se vamos incluir algo, temos que excluir alguma despesa igual! Os franceses aumentaram significativamente treinamento médico em farmacoeconomia ? ou seja, análises técnicas para definir se o valor dos produtos é compatível com as vantagens que ele oferece. Os ingleses seguem firme na sua meta de utilização de um modelo sofisticado chamado ?preço baseado em valor? (value-based-princing) ? no qual se define qual o valor que a população quer pagar para cada ano que adicionamos à vida do paciente e, somente depois, se precifica novas tecnologias com base naquilo que ela oferece. Os conceitos tem lotado plateias de especialistas e deixado a maioria confusa, mas se encaixam neste mundo dinâmico e complexo.

 

O Brasil, por sua vez, definitivamente formalizou obrigatoriedade de avaliação entre custo e efetividade (o que chamamos de análises farmacoeconômicas), com a publicação da lei 8080 que torna obrigatória que toda nova tecnologia médica a ser incluída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passe por estas análises. Vários pontos na lei não ficaram ainda claros como, por exemplo, qual o valor que aceitaremos, como sociedade, para cada ano de vida que possamos agregar a um paciente. O ideal é que a resposta fosse “infinito”. Evidente que, com orçamento finito, a decisão deve ser muito mais prática e objetiva. Não se visualiza, portanto, solução prática mágica no horizonte de curto prazo. Definir preço dos remédios e dispositivos médicos, internacionalmente, foi um grande desafio, também. As indústrias farmacêuticas e fontes pagadoras tentaram solucionar impasses ensaiando implementação de acordos comerciais criativos, como ?compartihamento de risco?(risk sharing) – sistema de compensar o pagador se o resultado não for o prometido. Aliás…. 2012, sem dúvida, foi o ano em que mundialmente o termo ?Gerenciamento de Acesso ao Mercado? ? no qual se reconhece que medidas que possam dar acesso do paciente aos produtos são fundamentais – ganhou espaço e prestígio?. E deve aumentar.

 

E 2013? Se eu tivermos que apostar em algo para o próximo ano, fiquem atentos ao interessante conceito chamado “Evidência do Mundo Real” (Real World Evidence). Cada vez mais se percebe que dados científicos extraídos do mundo real, adicionais ao ambiente controlado e quase artificial dos estudos clínicos, são fundamentais para melhorar a qualidade das informações. Frente a tanta novidade, parece que realmente o médico que se limitar a meramente entender os mecanismos de ação dos remédios e interpretar os estudos clínicos vai ficar com muita dificuldade de se incluir neste mundo apressado. Fica claro que a nova medicina não é definida pelo lançamento de determinada tecnologia no mercado. Ao contrário, isso é só o começo. Em 2103, temos que continuar buscando soluções com agilidade e protagonismo, uma vez que a posição passiva nestes tempos digitais só aumenta a distância entre os custos e necessidade de modernização da medicina e quem mais sai perdendo é a população.

 

Até agora, os gestores de saúde tiveram o mau hábito de pensar soluções individuais e a curto prazo, numa lógica ultrapassada. Temos que iniciar a criação de uma infraestrutura que contemple informatização moderna, compartilhamento de informações, intercâmbios de dados (data linkage) com rede de trabalho institucional colaborativa se pretendemos ter crescimento capaz de enfrentar as adversidade gerenciais e financeiras que assombram a próxima década na área da medicina. Muita gente vê na mudança de ano uma boa oportunidade de recomeço? mas que não sejam recomeços dos mesmos maus hábitos! Saúde e sucesso para todos!

Saúde e sucesso para todos

 

Artigo originalmente publicado no portal da Revista Amanhã
http://www.amanha.com.br/home-2/4058-saude-o-que-2012-vai-ensinar-para-2013
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