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E o Papel Continua Soberano na Saúde Suplementar

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Quanto mais falamos sobre prontuário eletrônico, mais observamos o quanto esta realidade é distante na Saúde Suplementar.

No SUS a questão também é complicada, mas é meio estagnada ? agora na saúde suplementar é ?show de horror?.

Vou começar comentando o que ocorreu comigo recentemente: um médico prescreveu um antibiótico ? uma receita em papel (é claro!) ? e pediu alguns exames.

1 ? A odisseia da farmácia

  • Já que estamos falando de Saúde Suplementar, fui à farmácia comprar o medicamento, já que o plano de saúde não fornece e eu não sou adepto de pedir que algum conhecido me passe a receita para pegar de graça no SUS;
  • Na farmácia que fui não havia a quantidade que eu necessitava;
  • Como era necessário iniciar o tratamento naquela data e já era tarde da noite, tiraram cópia da minha receita, anotaram meu nome, RG, etc. na cópia que ficou com eles;
  • Devolveram a minha receita com anotação de que havia sido vendida uma parte e se eu quisesse comprar mais, deveria ser vendida apenas a quantidade excedente;
  • Dias depois fui à outra farmácia comprar a quantidade que faltava. Só tinha caixa com quantidade maior, então para não me deixar sem o medicamento, o que prejudicaria meu tratamento, a farmácia forneceu a caixa inteira e anotou na receita que ficou com eles a justificativa do porque forneceu a mais;

Perguntas:

  • Porque neste processo não existe qualquer tipo de automação ?
  • Será que alguém lê as informações que as farmácias estão anotando nas receitas ? Alguém tem ideia da quantidade de receitas que as farmácias estão captando em todo o Brasil ?

Existe uma diferença fundamental entre o sistema bancário e o sistema de saúde: no bancário se preocupam com o custo do processo de controle … em saúde, é evidente que não … então produzimos milhares (ou milhões) de cópias de receitas, arquivamos e ninguém faz absolutamente nada com elas !!!

2 ? A comédia do exame

  • Agendei e fui fazer o exame, em um grande centro de diagnósticos (enorme, diga-se de passagem);
  • Além de tirar cópia dos meus documentos, e de imprimir a guia TISS para que eu assinasse, fui solicitado a preencher e assinar um questionário com informações necessárias à realização do exame (2 folhas), e recebi algumas informações sobre o exame (mais 2, sendo que uma ficou comigo e outra por mim assinada ficou com a recepcionista);
  • Não adiantou eu ter informado no questionário que já havia feito aquele exame 2 vezes, que trabalho na área da saúde e que não necessitava das instruções ? fui orientado que o sistema de qualidade do CD obrigava a entrega, e ela teria ?problema com a chefia? se me vissem levantando sem o papel !!!
  • Ao final do exame recebi um protocolo (mais 1 folha) para retirada do exame. Vou me reservar ao direito de não comentar quantas folhas inúteis havia no laudo ok ?

3 ? O retorno no médico

  • Ao entregar um grande envelope com o laudo, imagens impressas e um CD, o médico disse que o laudo e as imagens em papel eram desnecessários … inseriu o CD no seu computador e analisou o que queria.

E vou terminar comentando o que vejo de forma generalizada nos hospitais:

1 ? ?Muito computador? e ?pouca informação ao paciente?

  • Muita informação é gerada, armazenada e processada, mas tudo fica no âmbito do próprio hospital;
  • O paciente não pode levar seu prontuário em meio eletrônico consigo. Ao necessitar de outro serviço de saúde é como se o seu passado fosse um apagão.

2 ? Processos automatizados vergonhosos

É raro não ver um hospital informatizado hoje em dia, mas estamos passando por uma época que nossos netos não terão orgulho em dizer que éramos seus avós:

  • Produzimos a informação no computador;
  • Imprimimos;
  • Assinamos;
  • E ?escaneamos? para voltar ao computador de novo !!! … e, pior, ainda não jogamos fora o papel assinado … arquivamos por anos !!!!!

3 ? Dados imbatíveis

  • Não existe rigor na alimentação das informações, a não ser as que têm a ver com o pagamento das contas;
  • Os dados referentes ao faturamento têm toda uma estrutura de captação e auditoria e são minimamente organizados e tabulados porque senão ?o dinheiro não entra?;
  • Mas as outras informações não sofrem auditoria alguma. Se um médico erra ao codificar um diagnóstico e isso não tiver nada a ver com o recebimento da conta ninguém vai avisá-lo do erro. Não existe aqui nenhuma crítica ao erro de codificação por parte do médico, ou quem quer que seja … se existe erro nas contas a ponto de necessitar de auditoria dos dois lados, porque não haveria erro nas informações assistenciais que são muito mais sensíveis à interpretação pessoal ?
  • Por isso os dados são ?imbatíveis? … ?não batem? uns com os outros … a saúde suplementar não está preocupada com a informação assistencial que o atendimento gerou: apenas se preocupa em coletar informações estatísticas para saber se vai ou não pagar a conta. E se estas informações estão em sistema informatizado ou em papel tanto faz, por isso pede o papel para simplificar a auditoria da conta.

Quem diria que eu, de uma época em que não havia sistema para registrar as informações médico hospitalares, fosse presenciar uma época em que os sistemas sobram em funcionalidades, e as informações não são alimentadas adequadamente !!!

Sou dos que acham que a falência da Saúde Suplementar é questão de tempo: pode ser imediata como algumas pessoas que muito estimo dizem … pode demorar um pouco mais porque ?o sistema sempre protege as estruturas?, mesmo que elas sejam ineficientes … mas é só uma questão de um pouco mais ou menos de tempo.

Enquanto estamos aqui discutindo o assunto ? não tenho a menor dúvida ? alguma nova regulamentação está ?saindo do forno? para complicar um pouco mais a Saúde Suplementar, fazendo que o ?Papel Continue Reinando Soberano … e não é culpa da TI !

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