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Deu “zika”! Por que só nos conscientizamos da importância da gestão na crise?

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Surto de dengue e as derivações de zika vírus, chikungunya e as possíveis ligações com casos de microcefalia e de Guillain-Barré, que só aumentam a cada dia, atestam o maior problema por trás deste cenário lastimável que se configura no segmento da saúde no Brasil. Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou estado de emergência de saúde pública internacional, decisão adotada em 2009 com a gripe A e em 2014 com o ebola, colocando em vigor mecanismos para coordenar a detecção, a prevenção e a vigilância do problema, além de mobilizar recursos que expandem a fronteira do nosso país. Mas, será mesmo que precisaríamos esperar e depender de um sinal vermelho da OMS para nos mobilizarmos e termos recursos para gerir crises na saúde?

Durante a crise hídrica, agravada em 2014, por exemplo, os casos de diarreia se multiplicaram, especialmente em São Paulo. Não tão distante, em 2012, também vivenciamos uma epidemia da gripe causada pelo H1N1. Na ocasião, o Ministério da Saúde registrou 790 casos. Porém, a mesma ameaça do H1N1 volta a preocupar, já que só neste começo de ano, 70 pessoas procuraram unidades de saúde, em São Paulo, com os sintomas da gripe e 23 delas tiveram o diagnóstico confirmado, além do registro de quatro mortes em menos de um mês. Isso porque ainda nem estamos no inverno, período típico de contágio pela gripe.

Mas, o que fica evidente diante de todas estas ocorrências que volta e meia nos permeiam, é a fragilidade dos sistemas de gestão da saúde, em diferentes estágios do processo, da coleta de dados, da sua notificação interna, da sua integração, do atendimento da demanda da população, da comunicação, do desenvolvimento de campanhas de educação e contenção do problema, entre outros.

Sim, são casos complexos, de crescimento rápido ou quase isso, se formos analisar há quantos anos temos problemas com o mosquito da dengue, antes de vermos os desdobramentos atuais da doença.

De fato, nos falta um plano de contingência e vemos com certa frequência as justificativas para a lentidão de soluções pela burocracia que engessa os sistemas públicos, mas se já sabemos das dificuldades da estrutura do SUS, não seria o caso de ter um planejamento estratégico contemplando está dinâmica? Mais do que falta de recursos, orçamento, verba, o cerne do problema e da resolução da grande maioria das epidemias está na necessidade de investimento em serviços de inteligência em gestão e logística que se apresentam como o melhor custo-benefício para todos: gestores, serviços e população.

Desculpe-me o trocadilho, mas não dá para esperar a zika para começarmos a nos mexer. Afinal, “quem sabe faz a hora,  não espera acontecer”!

Domingos Fonseca, Presidente da UniHealth Logística Hospitalar

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