Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Destaques do I Simpósio Brasileiro de Pediatria Hospitalar

Publicidade

Foi empolgante o I Simpósio Brasileiro de Pediatria Hospitalar, por várias razões, a destacar:

– Apresentação do modelo de Medicina Hospitalar a um público distinto do que vínhamos atingindo;

– Palestrante Geeta Singhal, que tem também como paixão educação médica, não deu aula apenas de MH, mas de como dar aula. Quebrando o ritmo com vídeos e estratégias para envolvimento do público, prendeu a atenção com brilhantismo.

– Em vídeo institucional do Texas Children’s Hospital apresentado por ela e do qual participa como “atriz” (http://youtu.be/3mVxs9Av4Iw), o hospitalista (no caso a própria Dra Singhal) é trazido como “the boss“, “doctor in charge“, “big cheese“, o que, garante ela, não fere a auto-estima de ninguém por lá, já que o encaminhamento para a equipe de profissionais dedicados é sempre voluntário (são justamente os médicos externos que referenciam por conveniência, podendo eles próprios internar seus pacientes se desejarem, o que tornou-se com o tempo bastante incomum). A demonstração clara de que na equipe há hierarquia e divisão de funções e tarefas, e de que isto é estimulado, pode nos fazer refletir também sobre algumas formas de trabalho em equipe apregoadas por brasileiros ligados até mesmo a importantes órgãos governamentais, como o Ministério da Saúde, e que mais incitam a discórdia entre os profissionais da saúde do que qualquer outra coisa. Saúde Web publicou recentemente lições de gestão da Mayo Clinic, baseando-se no livro de Kent Seltman. Em entrevista, Seltman diz ainda: “Você tem razão. Trabalho de equipe é o “como” dos valores da Clínica Mayo. Membros de uma mesma equipe trabalham juntos para responder às necessidades do paciente. Nas pequenas ações, todos têm o poder de agir em prol das simples necessidades do paciente. No entanto, eu não me sinto confortável em usar a palavra “autonomia” – particularmente em relação às grandes tarefas clínicas de saúde. Isso porque autonomia enfatiza o direito individual de agir independentemente dos outros. Os times que prestam assistência na Clínica Mayo são compostos por profissionais que juntos podem alcançar objetivos que não seriam possíveis se cada um trabalhasse individualmente pelo paciente. Sendo assim, os times compartilham seu conhecimento, conversam. A opinião e informação de cada um são respeitadas. O capitão do time é normalmente um médico que ficará responsável pelas grandes decisões. No entanto, cada membro do time – enfermeiras, técnicos, responsáveis pelo laboratório e administradores – também podem e devem tomar decisões que envolvam o seu escopo de atuação”.

– Foi interessante saber que ambos os hospitalistas de Houston que participaram do evento iniciaram sua vida profissional com o início da Pediatria Hospitalar nos EUA e assim nunca tiveram pacientes fora do hospital. Demonstram absoluta satisfação com a carreira que escolheram, “based in the hospital setting, where they serve as physicians-of-record after accepting “hand-offs” of hospitalized patients from primary care physicians, returning those patients to the care of the primary care physician at the time of hospital discharge“.

– Ocorreu saudável questionamento do que foi proposto pelos convidados estrangeiros, principalmente após a apresentação sobre Patient/Family Centered Rounds. Participante sugeriu que seria difícil envolver pacientes e familiares desta forma no Brasil, pois “em nossa realidade, médicos e pacientes já partem de um relação de desconfiança mútua; muitos pacientes aqui têm limitada proficiência de linguagem e/ou educação sobre saúde, impedindo que nós os envolvamos nas decisões; nas instituições públicas, a presença comum de quatro ou até cinco pacientes no mesmo quarto inviabiliza o modelo”. Você concorda?

– A participação de pediatras da Argentina serve como exemplo do sucesso atingido. As médicas Maria Eugenia Cobas e Carolina Gilibertti, do Hospital Italiano de La Plata, comentaram que no seu país os hospitais já estão recebendo das fontes pagadoras um valor fixo, e não mais por dia. Acreditam que isto serviu e servirá de facilitador local ao modelo. No primeiro encontro oficial da Argentina sobre Medicina Hospitalar, o clínico de adultos Sebastian Sevilla já tinha comentado desta forma. Seu hospital (Austral) nasceu inserido nesta realidade de remuneração no início da década passada e já com equipe de internistas dedicados, alternativa escolhida pelos fundadores para garantir, através de eficiência, viabilidade ao audacioso projeto, hoje consolidado e com os hospitalistas mais fortes do que nunca.

– A falta de conhecimento da comunidade médica e de saúde sobre o modelo provavelmente ainda é grande em nosso meio, a despeito de todo trabalho realizado. Uma pesquisa aplicada nos participantes antes de serem apresentados formalmente ao hospitalista, com validade externa questionável, demonstrou que menos da metade sabia o conceito. Enquanto 17% reconheceu que desconhecia completamente, cerca de 1/3 dos participantes errou feio e trouxe algumas definições que estão sendo reforçadas erroneamanente na internet sobre qual seria a atividade principal do hospitalista, tais como: 

“aquele médico que está no hospital para atender prontamente intercorrências de pacientes em enfermarias e até que chegue o médico assistente/responsável, preferencialmente compondo os chamados Sistemas de Resposta Rápida”

“um médico que passa a atuar para o hospital, como auxiliar técnico-administrativo, se tornando facilitador de metas estratégicas da alta direção, e que é aproveitado ainda para atender intercorrências graves de pacientes hospitalizados na ausência do médico titular”.

Avaliação semelhante foi feita no PASHA2010, e o resultado foi ainda pior. Ambas servem de estímulo para que as nossas lideranças sigam empregando esforços para esclarecer mais e melhor o significado do que motiva a existência deste blog e de um movimento organizado nacional.

Fotos do evento podem ser vistas em http://t.co/x4XxJYAj.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta