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Deixem hospitalistas, emergencistas e intensivistas serem médicos!

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Participei como painelista no Simpósio de Liderança Clínica / HIS2016. O Hospital Innovation Show (HIS) é o principal trade show de inovação focado no mercado de saúde na América Latina.

Quando falo de hospitalistas como “expert convidado” e focado na questão, talvez iniba a aproximação de algumas pessoas e certas colocações sobre o tema. Desta vez apenas citei hospitalistas. Fui abordado, ao final da atividade, por alguns gestores – duas conversas marcaram-me mais. Houve um com aparente bom case de Medicina Hospitalar, na minha perspectiva, pelo menos. Veio, na melhor das intenções e num ótimo tom, considerando que o termo hospitalista para mim seria apenas um referencial teórico, ilustrar sua experiência, como forma de não apenas concordar comigo, mas de reforçar o que eu havia dito. Contei sobre meu envolvimento prático com o assunto. Trocamos ideias e contatos. Um hospitalista do grupo dele já me escreveu para saber mais do congresso que realizaremos em outubro. Abaixo as conversas destaques:

De outro gestor, recebi uma boa explicação de como o trabalho de hospitalistas poderia ser executado no Brasil por médicos residentes. “Os americanos não dão muita autonomia a profissionais em treinamento que, afinal de contas, já são médicos. Eu próprio aprendi colocando a mão na massa, aprendendo com os erros. Aqui no nosso país, então, certamente muito do que se espera de hospitalistas pode ser proporcionado por residentes, custando muito menos. Já ocorre, na verdade. Precisamos é colocar qualidade e segurança no trabalho desta gurizada, não?”.

E a melhor vem a seguir. Colega apresentou-se como gestor de empresa de intensivistas, emergencistas e hospitalistas. “Temos mais de 200 hospitalistas já”, contou orgulhoso. 

Prosseguiu dizendo que o modelo americano não era aplicável nos hospitais privados brasileiros. “Os hospitais aqui não tem maturidade suficiente”, disse ele, aproveitando para redefinir o core da atividade hospitalista para o Brasil:

“Nossos hospitais privados são diferentes e temos que aceitar. Muitos chegam a ter leitos reservados para doutores tipo … (referindo-se à famoso médico brasileiro que atende milionários e celebridades, cujo nome prefiro omitir). Fazendo um paralelo com bons restaurantes, estas organizações já deram-se conta que não podem depender de chefs o tempo todo nas enfermarias. Está aberto o mercado para hospitalistas. Nas UTIs já é assim, não?”.

Cheguei a considerar resposta, mas desisti ao avaliar mentalmente seu potencial alcance. Sei exatamente do que ele está falando, não é como ocorre por exemplo na UTI onde trabalho, em que Medicina Intensiva é de fato uma especialidade médica, mas o que ele diz não é mentira não, e escutar uma perspectiva diferente não iria alterar sua própria visão de mundo, nem falo dos hospitais a que se referiu.

Voltando a questão dos tais leitos reservados, inferi que os médicos VIP’s possuem leitos próprios, intocáveis, independente da taxa de ocupação e da lotação da Emergência/PS dos tais hospitais. Compreendi que não somente estes leitos, mas a maioria no modelo apresentado, seriam como mesas. Que o médico assistente é o chef. E o hospitalista é o garçom!

Quando confundido com médico que atua exclusivamente em times de resposta rápida, já o definiram para mim como bombeiro também. Pode ser policial quando tratado como auditor de qualidade.

Antecipando-se a fragilidades da adaptação proposta, apontou soluções: “é um modelo bom para mulheres médicas. Elas já estão surgindo em maior número e querem exatamente algo assim, para cuidar da casa e dos filhos a maior parte do tempo, sem deixar de ter seu próprio dinheiro. E pagamos bem”. Garçonetes bem pagas então…

Estava pronto para convidar todos para o Congresso Brasileiro de Médicos Hospitalistas, mas confesso só convidei aquele primeiro. Depois de muitos eventos já aprendi que hospitalistas que trabalham no formato “garçom” não participam. O envolvimento deles com nosso tema acaba quando acaba o plantão. Não posso falar em nome deste congresso ou da diretoria da ABMH, mas confesso que, dentro de uma posição absolutamente pessoal então, nem quero a participação destes outros gestores. Quando dizem que os hospitais não estão preparados, apenas justificam posições deles próprios, e provavelmente não mudarão.

O movimento que particularmente me interessa hoje é diferente de quando fundei uma associação de hospitalistas anos atrás. Tem mais a ver com “Health 3.0* no hospital”. Interessam-me não apenas hospitalistas, mas também intensivistas, emergencistas, enfermeiros, e gestores ou hospitais que estejam dispostos a pensar fora da caixa, tal como o Carlos Motta, diretor técnico do Hospital da Cruz Vermelha do Paraná e uma das mentes gestoras mais abertas e sensacionais que já conheci.

* “Our goal is to restore the human relationship — that sacred analog heart of medicine — while re-personalizing care for the unique patient in front of us. We should support each other as caregivers. We will be evidence-empowered but never protocol-enslaved. We will get paid to do the right thing for our unique patient and will enlist science and technology to help, rather than to obstruct and dehumanize. Think old skool record player, but amplified by the latest digital tech. Compassion will be the standard of care, for ourselves and our patients. Sound like a dream? It’s not. It’s already here in fits and starts and it’s on US to make it stick and grow from the grassroots upward to the C-Suite and government. Welcome to Health 3.0.

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