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Conheça programas de Médicos Hospitalistas em Atlanta (EUA)

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Visitei alguns hospitais e programas de MH em Atlanta.

O Grady Memorial Hospital, fundado em 1892, é um dos maiores hospitais públicos dos EUA e instituição de ensino da Emory University. Atende não apenas pacientes do Medicaid e do Medicare, mas também um número enorme de pacientes sem qualquer cobertura, como indigentes. Tendo iniciado com cerca de 100 leitos, hoje possui quase mil. Há aproximadamente 600 médicos ligados à Emory trabalhando lá, metade deles em regime de dedicação integral. Conheça mais sobre aspectos gerais do Grady aqui.

Todos as admissões clínicas no Grady caem para equipes com generalistas como coordenadores do cuidado, servindo os sub-especialistas clínicos sempre como consultores. Há algumas diferenças entre o que conheci em Boston e no Grady. É evidente, por exemplo, a menor pressão neste hospital público por eficiência em torno de metas como redução de tempo de permanência e aumento de giro, algo percebido como positivo pela maioria dos médicos. Há menos horas protegidas para atuação em atividades não-clínicas além de ensino e pesquisa. Já no Emory University Hospital, onde passei muito rapidamente, aparentemente também distribuem mais, com maior envolvimento dos hospitalistas em uma série de outras funções, e, consequentemente, menor carga de trabalho à beira de leitos. Isto ilustra o fato de não existir uma fórmula universal ou ideal. Devem as organizações e as pessoas envolvidas definir suas prioridades estratégicas e, a partir disto, os programas de MH serem moldados. 

Acompanhei no Grady o internista de formação, e professor da Emory, Neil Winawer (à direita, na foto destacada) e sua equipe. Desta vez, preferi, ao invés de roteiro para conhecer o modelo de organização em si, simplesmente colar no hospitalista e vivenciar o seu cotidiano, avaliando processos de maneira indireta. Foram dois dias com foco maior assistencial, discutindo casos de pneumonia, insuficiência cardíaca descompensada, AVC, trombose, entre outros. Havia na equipe cerca de 20 pacientes por dia, e o trabalho foi dividido com mais três médicos residentes e um estudante de medicina. 

Vantagens do modelo hospitalista foram aos poucos aparecendo. A equipe iniciou por pacientes mais graves, novos ou candidatos à alta hospitalar (há uma iniciativa colaborativa onde tentam, dentro do possível, viabilizar altas médicas até as 10hs da manhã). Fosse o grupo interrompido por qualquer razão, dispersava e reunia-se novamente, assim que possível – por que não no turno seguinte? Lembrei de minha residência médica: acontecesse o mesmo, você provavelmente só veria o preceptor novamente no outro dia. Fosse sexta-feira, apenas no próximo dia útil.

O médico residente, quando precisou rediscutir qualquer questão, simplesmente localizou o preceptor, que, estando por perto, retornou à beira de leito em paciente com sepse. Enfermeiras ligaram e receberam a seguinte resposta: passarei novamente aí mais tarde e conversamos pessoalmente, ok? 

Há um Time de Resposta Rápida no Grady, mas não é composto por médico. Como assim? Simplesmente porque, chegando na cena de atendimento, a enfermeira especialista em pacientes críticos, ao confirmar risco excessivo, aciona a própria equipe do paciente. Dependendo do caso, já vai facilitando a transferência para UTI. Leia mais sobre TRR’s aqui. 

No primeiro dia, assisti atividade, durante o horário do almoço, com professores, instrutores, residentes e estudantes – todos juntos -, uma discussão de caso clínico. No outro, professor e instrutores separaram-se de residentes e estudantes. Presenciei, com os primeiros, uma reunião sobre alta hospitalar, para revisão e repactuação de rotinas. Lembrei novamente de situações no Brasil e de como é difícil reunir todo o pessoal do serviço, quando médicos atuam no modelo tradicional. Não ocorre por desinteresse, mas por questões eminentemente de natureza logística.

Outro hospital visitado foi o Wellstar Windy Hill. Trata-se uma pequena instituição privada, com 50 leitos. Não possui Emergência, recebendo pacientes por situações eletivas ou via transferências. É especializado em pacientes de longa permanência, dependentes, principalmente, de cuidados respiratórios. Durante o dia, 7 dias por semana, ficam dois hospitalistas. São responsáveis por linhas de cuidado como para pacientes complexos e/ou de longa permanência (co-manejando os respiratórios com pneumologistas, que não necessariamente passam visitas diárias, mas atuam juntos na definição do plano terapêutico). A média de pacientes por dia por hospitalista é de aproximadamente 12. E atendem as intercorrências clínicas relevantes de todos os pacientes hospitalizados.

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