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Conheça os 3 tipos de e-patients

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Diz o velho ditado: caiu na rede é peixe. Nesses tempos de super utilização da internet para fins de saúde, não causará espanto se em breve tivermos uma atualização do dito popular: caiu na rede é paciente.

Isso que pode parecer um modismo cheio de riscos para alguns já é – há alguns anos – uma realidade para muitos.

Desde que o acesso à internet tornou-se disponível comercialmente, em meados dos anos 90, essa passou a ser a base da revolução digital na saúde – que hoje inclui tecnologias como big data, genomics e wearable devices.

A adesão de pessoas comuns à internet para obter empoderamento em questões de saúde é objeto de estudos em muitos países. O surgimento dos e-patients é considerado por alguns especialistas uma das maiores transformações na Saúde de nossos tempos.

Não pense que se trata de um mundo árido, impessoal e movido apenas a dados e estatísticas. Ele é na verdade um mundo pulsante onde um número crescente de pessoas (pacientes e profissionais) interagem de forma personalizada entre si.

Executivos, reguladores, empregadores, governos e outros interessados no multifacetado e problemático universo da Saúde ainda não exploram a força e as oportunidades existentes nessa nova faceta do ecossistema.

Um dos possíveis motivos para isso, na minha opinião, talvez ainda seja a falta de informação. Trata-se de algo relativamente novo e ainda não incorporado ao conhecimento comum dos profissionais de saúde.

Segundo um dos primeiros estudos sobre esse tema existem 3 tipos de e-patients: os saudáveis, os crônicos e os agudos.

Os Saudáveis representam a grande maioria dessa faixa da população e utilizam a internet apenas esporadicamente. Enquanto alguns acompanham assuntos como exercícios, stress e nutrição, a maioria dá uma espiada em assuntos gerais sobre saúde e bem estar, da mesma forma como fazem com notícias de economia. Apesar de serem maioria, representam o menor volume de tráfego sobre saúde na rede.

Os Crônicos representam aproximadamente 1/3 dos e-patients. Os participantes desse grupo convivem com uma ou mais doenças crônicas e estão com seus diagnósticos e tratamentos estabilizados. Eles utilizam a web de forma constante para gerenciar sua saúde e manterem-se atualizados sobre a doença. Também buscam pacientes com a mesma doença – tanto em comunidades online quanto em grupos de apoio presencial – e trocam mensagens privadas com seus pares e familiares sobre seus sintomas e tratamentos.

Os Agudos representam menos de 10% do total de e-patients. Trata-se de pessoas que estão enfrentando uma mudança em sua condição de saúde. Alguns estão lidando com o surgimento de problemas como uma acne ou resfriado. Outros acabaram de receber o diagnóstico de doenças mais graves como diabetes ou depressão. Também existem nesse grupo pessoas que, não obstante já tenham conhecimento de seu diagnóstico, constataram que seus tratamentos não estão indo bem. Apesar de serem minoria, eles representam a maioria do tráfego gerado na rede.

Existem tantas outras características marcantes em cada grupo, que irei falar sobre elas em posts futuros. Apenas para deixar alguns exemplos rápidos escolhi lembrar o papel dos Saudáveis – especialmente das mulheres – na função de cuidadores de sua família. Mesmo sendo buscadoras eventuais, o acesso à rede vem tornando-as especialistas- amadoras nos seus lares quando surge algum problema que exija atenção. Da mesma forma os Crônicos tem ajudado outros pacientes através da atuação em comunidades online, em funções como moderadores, hosts e anjos de recém diagnosticados.

Naturalmente nenhum e-patient é igual ao outro, da mesma forma que ninguém é igual a ninguém. Mas essa tipificação ajuda a entender a complexidade e diversidade desse mundo emergente no universo da saúde.

Ainda há muito o que ser feito pelas empresas de saúde para tirar proveito real dessa tendência.

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