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Como seriam outras Indústrias se fossem iguais à Saúde?

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A recente publicação do Institute of Medicine (Better Health at Lower Cost, 2012) está nos trazendo diversas reflexões que iremos abordar nos artigos seguintes, até porque o tema pagamento por performance, é definido como uma das estratégias propostas pelos autores.

No entanto, como provocação inicial, achei providencial trazer algumas reflexões dos autores, analisando como seriam as outras indústrias se elas, rotineiramente, operassem da mesma maneira e em muitos aspectos que a saúde.

Se os bancos fossem como a saúde, as transações das máquinas automáticas não levariam segundos, mas talvez dias ou mais em função de registros não disponíveis ou colocados em lugares errados.

Se as construtoras fossem iguais a saúde, carpinteiros, eletricistas e encanadores trabalhariam cada um com plantas diferentes com pouquíssima coordenação.

Se os Shoppings-Center fossem como a saúde, os preços dos produtos não seriam publicados e o preço cobrado variaria muito dentro da mesma loja, dependendo da forma de pagamento.

Se as fábricas de automóveis fossem como a saúde, garantias que exigem que os fabricantes paguem por defeitos em seus carros não existiriam. Como resultado, poucas fábricas buscariam monitorar e melhorar a performance das linhas de produção e da qualidade do produto.

Se as companhias aéreas fossem iguais à saúde, cada piloto seria livre para desenhar o seu checklist de segurança antes do voo, ou livre para não fazê-lo.

Na realidade é obvio que cada indústria é diferente, mas, como consumidores, damos graças a Deus que não sejam como a saúde! No entanto, seria interessante ver o que poderia ser aproveitado da experiência de outras indústrias, como foi feito, por exemplo, com a indústria de aviação referente ao checklist para cirurgia segura.

Utilizando as outras indústrias como benchmark, os autores trazem algumas sugestões práticas para nossa realidade. São elas:

Os prontuários deveriam ser imediatamente atualizados e disponibilizados para uso dos pacientes; As necessidades e preferências dos pacientes e familiares deveriam ser a parte central do processo de decisão; Todos os membros da equipe deveriam ser totalmente informados, em tempo real, sobre as atividades dos demais; Preços e custos totais deveriam ser totalmente transparentes a todos os participantes; Os pagamentos de incentivos deveriam ser estruturados para recompensar resultados e valor, não volume; Erros deveriam ser prontamente identificados e corrigidos; Resultados deveriam ser rotineiramente capturados e utilizados para melhoria contínua.

Enfim, nada que, em algum momento, não tenhamos pensado, ouvido ou discutido. Mas agora, por que é tão difícil aprender com os outros? O que a saúde tem de especial que não consegue, com humildade, trabalhar para mudar e que é possível fazer isso utilizando as boas práticas existentes dentro e fora dela? Será que as operadoras de saúde têm que ser autuadas, os pacientes ficarem sem atendimento, hospitais quebrarem e os médicos desistirem da medicina por estarem cansados ou desestimulados?

Categoricamente a resposta é não. Só que para isso, temos que ter o discernimento que estamos num caminho errado, e o pior, no mesmo caminho que outros já traçaram e se deram mal. Vamos utilizar como referência a frase de Peter Drucker: ?Velhos problemas exigem compromisso, competência e inovação para solução?.

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