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Como se calculam os altos índices de inflação?

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Muito se tem ouvido falar sobre o índice de inflação, que vem a ser um valor percentual que reflete a variação dos preços dos bens e serviços de um país em um determinado período de tempo. Este período de tempo costuma ser de um ano, contado a partir de 01 de Janeiro e se encerrando em 31 de Dezembro, coincidente com o ano fiscal.

A Resolução 4.237 do Banco Central do Brasil, de 28/06/13 estabeleceu como meta de inflação para o ano de 2015 o índice de 4,5%, com intervalo de tolerância de mais ou menos dois pontos percentuais, devendo este, portanto, se situar entre 2,5 e 6,5% neste ano. Um tanto difícil de ser alcançado, na verdade. Neste ano, grandes chances deste índice ficar em patamar superior.

Muitos acreditam que um pouco de inflação, desde que controlada, não é de todo ruim, pois as medidas para se conter a chamada inflação costumam ser recessivas e desestimulantes ao crescimento da economia. E para este governo, tudo pode ser dito, exceto que esta ou aquela medida desestimule o crescimento econômico, raiz de todos os males na percepção de algumas mentes mais atentas.

Mas o que se quer é entender de onde surgem esses números que tantas conseqüências trazem para a economia e para a sociedade como um todo.

O cálculo da inflação se dá através de um índice que mede a variação de preços (e quantidades) de bens e serviços de uma determinada economia. Longe de algo que seja muito técnico, mas com certa acuidade percebe-se a necessidade de que sejam definidos quais bens (e serviços) comporão a cesta para análise de variação de preços e qual será a ponderação ou o peso de cada um desses bens e serviços no mecanismo de cálculo.

Para simplificar o raciocínio, considerem 4 grupos de bens em certo mercado: ALIMENTOS, CONSTRUÇÃO CIVIL, BENS DE CAPITAL e SERVIÇOS EM GERAL. Considere também que cada um desses grupos tenha um peso de 25% na composição do índice. Isto quer dizer que qualquer variação de preços em qualquer desses itens terá igual impacto no índice de inflação a ser medido.

Considere também que o Valor da Cesta de Consumo (VC) no instante 0 e no instante um 1 respeite a tabela abaixo:

Capturar

No instante 0, os preços foram padronizados no índice 100. Assim, cada unidade de preço considerada no instante 0 foi $100,00 para cada um dos bens ou serviços deste mercado. Se for calculada a inflação ao final do instante 1, com base nas variações de preços de cada um dos setores considerados, ela teria sido de 5,75% no período.

Em que pesem algumas simplificações, coisas bem interessantes podem ser observadas a partir destes números:

  1. Para as pessoas que só consumiram alimentos, a inflação foi (bem) maior.
  2. Os setores de serviços e da construção civil sofreriam fortes pressões para aumentos de custos superiores aos apurados na economia como um todo.
  3. Apesar da inflação, teve um setor onde ocorreu deflação (onde também ocorreriam pressões altistas de preços).
  4. Em alguns setores, um desestímulo ao investimento deveria ocorrer, pois a renda deles foi inferior à do exercício anterior em termos reais.

Este pequeno exemplo aqui desenvolvido dá uma razoável dimensão dos problemas que hoje estão sendo enfrentados pela equipe econômica do governo.

Se forem adicionadas as questões de cunho político, as diferenças partidárias, a corrupção e suas conseqüências e um grande descrédito por parte da sociedade, tem-se uma boa visão das dificuldades que existem para a saudável condução dos rumos do País.

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