Medicina Laboratorial

Por Gustavo Campana

Como racionalizar a demanda por exames?

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A Medicina Laboratorial possui um impacto significativo nas decisões clínicas, com artigos reportando que 70% destas baseiam-se em resultados de exames laboratoriais. Mesmo com importância inegável ao bom desempenho assistencial, é uma especialidade de baixa absorção de custos. Nos EUA respondem por cerca de 5% dos custos em saúde. No Brasil, no âmbito privado, não há ainda dados para esta avaliação, visto que os números publicados pela ANS, de cerca de 20% dos custos assistenciais, levam em conta outras especialidades médicas diagnósticas, tais como a Radiologia e imagem e a Anatomia Patológica.

Observamos nos últimos anos um crescimento do volume de exames solicitados, pautados especialmente no advento de novas tecnologias (o que é alinhado às boas práticas assistenciais!); maior uso de exames laboratoriais na prevenção de doenças e avaliação da saúde; envelhecimento da população e, consequentemente, maior prevalência de doenças crônicas; crescimento do número de beneficiários da saúde suplementar (melhor acesso em comparação ao SUS) e, finalmente; um maior interesse e pressão de utilização pela população em geral.

Tal crescimento de demanda gerou uma importante pressão por preços por parte das fontes pagadoras, com reajustes mínimos ou ausentes nos últimos anos, forçando que o setor migrasse sua gestão para o racionamento dos custos, ainda que estes continuem sendo reajustados com base em índices inflacionários, cambiais ou outros. Nasce aqui a busca de escala e da produtividade, com capilarização de unidades de atendimento e incorporação de novos custos e despesas, relacionados ao modelo de crescimento.

A Medicina Laboratorial possui dados e conhecimento para iniciar discussões sobre o uso racional de exames, auxiliando na definição do exame certo para o paciente certo no momento certo, avaliando o impacto de seus resultados no desfecho clínico e na segurança ao paciente. Esta é uma boa solução para esta equação tornou-se de difícil controle, visto que é pequena ou ausente ingerência dos laboratórios clínicos na demanda por exames, sendo estes prestadores de serviços solicitados ou prescritos no âmbito assistencial. Para isso, o setor espera a contrapartida da remuneração justa por estes serviços.

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da Live Healthcare Media ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

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