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Como perder aquela vaga de emprego na área da saúde

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Em alguns projetos de consultoria acabo selecionando ou indicando profissionais para empresas do segmento da saúde, e se fosse listar as 10 coisas que eu mais detesto na vida, certamente isso estaria em primeiro lugar … “com louvor”.

Infelizmente estamos colhendo frutos de algumas décadas de degradação dos valores, inversão de valores e, principalmente, queda acentuada do nível de profissionalismo. Na média, a maioria das pessoas perdeu completamente o senso de entendimento de como deve se portar em situações diferentes. As pessoas estão tendendo a agir como se tudo fosse brincadeira, não encaram oportunidades de emprego com a seriedade que devem, e perdem oportunidades instantaneamente.

Recentemente publiquei pela minha empresa algumas vagas para selecionar profissionais para um hospital. Utilizei um serviço gratuito de anúncios de vagas, muito eficiente por sinal, e os próprios sites de conteúdo da minha empresa. Recebemos uma boa quantidade de bons currículos para cada vaga, e evidentemente uma boa quantidade de currículos que não tinham nada a ver com as vagas, porque o desemprego é muito maior do que os números oficiais querem indicar, e tem muita gente passando dificuldade e “atirando para todo o lado”.

Pode não parecer, mas a seleção entre centenas de currículos é não tão difícil, justamente porque as pessoas não se dão conta das grandes bobagens que fazem ao participar de processos seletivos, e perdem a oportunidade instantaneamente – fica fácil selecionar os que estão focados: acaba sobrando um volume relativamente pequeno, entre as centenas de candidatos.

Gostaria de comentar alguns pecados que os candidatos cometem, e posso jurar que isso é verdade – aconteceu, acontece e vai continuar acontecendo.

O anúncio informa que não serão considerados currículos sem pretensão salarial e mais da metade vem sem esta informação. As pessoas não se dão conta que empresa alguma quer perder tempo entrevistando candidatos para descobrir se ele está fora do padrão da empresa. Imagine se uma empresa vai entrevistar centenas de candidatos à toa. Alguns acham que informar a pretensão salarial pode ser “a combinar”, e outros (juro que é verdade) dizer que a pretensão é entre 1 e 2 … sim 100 % de variação na pretensão salarial … como pode?

O anúncio pede para o candidato responder algumas perguntas dirigidas a posição, e que o currículo só será solicitado em uma segunda etapa. O candidato não responde às perguntas, e anexa um currículo de 5 páginas. Sabe aquela situação em que você coloca um aviso na porta “entre sem bater” e a pessoa “bate e não entra” – faz 2 coisas erradas ao mesmo tempo!

Ainda tem gente que acredita que algum selecionador vai ficar lendo centenas de currículos para filtrar neles as informações que interessam para comparar o candidato com os demais. É gente que imagina que as empresas têm um “exército norte-coreano” de pessoas para ler milhares de páginas de currículos, cada um de uma forma diferente. E, você pode não acreditar, mas deve ter alguém ensinando que para conseguir um bom emprego é necessário enviar um power point de apresentação. Recebemos algumas dezenas, um deles com mais de 30 MB de tamanho – só falta começarem a enviar vídeos … beira ao ridículo.

Você envia um e-mail para o candidato confirmando as condições da vaga, os requisitos para o cargo, e marca uma entrevista, ressaltando a necessidade de cumprir a agenda, e pede para trazer o currículo atualizado e focado na vaga. O selecionador evidentemente não quer perder nem o tempo dele nem o do candidato. E no momento mais crítico, o da primeira entrevista (afinal a primeira impressão é muito importante), o candidato:

  • Não cumpre a agenda – chega atrasado e põe a culpa no trânsito, ou tenta remarcar um dia antes alegando algum problema;
  • Não traz o currículo atualizado e diz que vai enviar por e-mail;
  • Não tem ou não demonstra ter, os requisitos que afirmou ter, e fica enrolando na entrevista.

Mas o mais grave mesmo é a linguagem que as pessoas andam utilizando na comunicação com o potencial empregador. A começar pelo e-mail pessoal – só o nome que a pessoa utiliza no e-mail já espanta qualquer empregador – fala sério: você contrataria uma pessoa para o cargo de chefia com um e-mail tipo “gatodahora”, “ocara”, “maluka” … vamos parar por aqui para não baixar o nível ok ? … pode acreditar: tem gente que acha o máximo.

Você também pode não acreditar, mas tem candidato que informa um endereço e-mail para contato e quando você envia e-mail deve ser confirmado passando por uma página que exige que você identifique figuras para saber se você não é um robô. Ainda tem caso que o candidato acha que o e-mail é SPAM e pede para você retirá-lo da lista. É um show de horror – parece que você está ofendendo o candidato por fazer contato com ele – sendo ele quem pediu o contato!

A linguagem. As pessoas trocam informações com o empregador como se estivessem teclando nas redes sociais. Português ? Português é coisa do passado, eles acham que quem está no Brasil fala “brasileiro”.

É engraçado pedir informações sobre alguma especialização e ela lhe tratar como uma pessoa íntima – pode não acreditar, mas tem gente que termina a resposta com “um beijo”. Acham que um e-mail em processo seletivo será lido por uma única pessoa, como se o emprego fosse assim alguma espécie de “namoro”.

Pegue tudo isso e leve para a área da saúde, onde existe todo tipo de profissional:

  • Os mais humildes que trabalham em setores como o de higiene
  • Os mais especializados, como médicos professores doutores.

É um segmento de mercado multidisciplinar por excelência, e exige que as pessoas que atuem nela tenham um mínimo de entendimento do papel que representam quando estão cuidando da saúde de pessoas.

Já imaginou um prontuário de paciente escrito na linguagem do Facebook ou do WhatsApp ? É possível expor o paciente ao risco desta brincadeira que este tipo de linguagem representa?

Se não existir um mínimo de formalidade na comunicação é a “Torre de Babel” na mais pura expressão da linguagem: o paciente morre!

Iniciei comentando sobre inversão de valores. Vivemos em uma época em que tudo que está errado é culpa do governo. Se o bandido roubou a culpa não é do bandido: é do governo que não evita que o bandido roube.

Sabe aquela piada da pessoa que pegou o parceiro traindo no sofá, ficou com raiva e jogou o sofá fora? É o que está acontecendo com as pessoas que perdem a oportunidade de emprego: acham que obrigação do empregador lhe empregar.

Passaram na escola sem fazer prova, não respeitam os mais velhos, não respeitam professores, não respeitam leis. Não sabem mais ler e pensam que sabem, o que é pior. A pessoa lê o que está escrito e não entende – e age de acordo com o que entendeu e não como a situação exige.

Enquanto tem gente disposta a pagar por um emprego, a maioria acha que vai conseguir chegar a diretor de uma empresa mostrando suas fotos nas baladas postadas em redes sociais.

Boa sorte para a maioria … a minoria vai continuar não necessitando de sorte!

       
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