HIS17 Já emitiu sua credencial gratuita para o HIS '17? Já são +1.800 profissionais! Clique aqui

Como engajar doentes mentais?

Publicidade

A situação das doenças mentais no Brasil, como quase tudo, é uma verdadeira loucura.

Em apenas 10 anos mais de 20.000 leitos psiquiátricos foram suprimidos como resultado de uma política pública de saúde mental flagrantemente controversa, enquanto a prevalência de doenças psiquiátricas aponta justamente para a direção oposta. Apenas os casos de Alzheimer devem crescer 100% nos próximos 15 anos no país.

Com 1/3 da população atendida pelos planos de saúde já na faixa da terceira idade, esse problema apenas tende a aumentar com o tempo. Doenças como Demência e Parkinson costumam se manifestar mais agressivamente após os 60 anos de idade e o aumento na expectativa de vida da população trará no seu rastro uma avalanche de doentes mentais para dentro do sistema privado.

Face a esse problema é natural que se pergunte: o que pode ser feito, em termos de engajamento digital, para tentar diminuir os efeitos desse problema (num sistema cujo equilíbrio econômico já virou, ele próprio, uma coisa de maluco)?

Para responder a essa pergunta temos que chamar à luz um ator muito negligenciado pelas empresas de saúde brasileiras, mas que nos EUA já é considerado um protagonista capaz de cooperar – e muito! – para ajustar esse estado de coisas: o cuidador.

Ali, onde as coisas acontecem mais cedo, estima-se que até 2020 deve haver uma demanda nacional por 117 milhões de cuidadores. E a indústria de engajamento digital rapidamente começou a se movimentar de olho nesse mercado. Da CareSync à CareLinx uma série de ferramentas leves vêm surgindo para auxiliar essa enorme fatia da população a co-criar essa nova realidade.

O cardápio oferece redes sociais para famílias que buscam apoio emocional e educacional, marketplaces para encontrar serviços profissionais especializados, aplicativos para obter aconselhamento clínico remoto, sensores e até apps de transportes (o Lyft já está com um piloto nesse segmento).

Uma outra questão, que também é muito pouco lembrada, é que ele próprio, o cuidador, também tem sua jornada como paciente alterada durante esse período. Isso porque, não raro, ele enfrenta problemas graves como depressão e restrições financeiras e acaba correndo o risco de agravar o problema das seguradoras, ao invés de ser parte da solução.

Ora, o fato é que ninguém foi educado para ser cuidador.

Então a quem cabe a missão de formar toda uma geração e engaja-la no tratamento de uma pessoa com doença mental? Na minha opinião os planos de saúde teriam muito a ganhar com isso uma vez que eles – os cuidadores – representam muitas vezes a primeira milha na jornada do paciente sobre seus cuidados.

Nesse caso a boa notícia é que esse perfil de internauta é francamente adepto às técnicas de engajamento digital.

Segundo o Pew Institute, o percentual de cuidadores americanos que se engajaram na busca por interações à distância a respeito da doença, no último ano, foi de 26%.

Apenas para que se tenha uma ideia, esse percentual cai para 24% quando se trata de um paciente agudo e 23% quando se trata de um paciente crônico (já havia constatado isso por aqui numa comunidade online que desenvolvemos para pais de crianças autistas: tratam-se de pessoas extremamente preocupadas em não errar e que ao mesmo tempo ficam muito gratas ao encontrar uma iniciativa que os ajude nessa parte da jornada).

Cabe aqui a pergunta: como os provedores locais estão se preparando para fazer frente a esse desafio que – até pelos números – poderá ser chamado de tsunami da saúde no século XXI?

Doentes mentais, cuidadores familiares e recursos digitais são parte de uma mesma cadeia de engajamento que não pode ser deixada fora do radar de empreendedores e gestores de saúde mental no país.

 

Istvan Camargo é especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país onde tem realizado projetos para Laboratórios Farmacêuticos, PBMs, Grupos de Apoio a Pacientes, dentre outros, engajando grupos de pacientes das mais diversas patologias.

 

       
Publicidade

Deixe uma resposta