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Como conciliar telemedicina e atendimento presencial?

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Uma das grandes barreiras para o crescimento da telemedicina é a certeza praticamente generalizada de que o atendimento online não tem como oferecer a mesma qualidade que o atendimento presencial. Afinal, por melhor que seja a tecnologia, como é possível que ela substitua a conversa olho no olho, o toque e tantos outros atributos de uma boa consulta que apenas podem ser obtidos quando médico e paciente estão juntos no consultório?

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Os desafios da implantação da Telemedicina

Apesar de dedicar minha carreira a tecnologias em saúde, confesso que eu compartilho do mesmo sentimento. A tecnologia já nos aproximou muito, mas não está no ponto ainda de substituir a interação pontual presencial. A maior barreira provavelmente continua sendo o exame físico, algo que possivelmente será substituído no longo prazo por wearables e uma infinidade de novos sensores que deverão surgir ao longo das próximas décadas. Mas até lá, a consulta no consultório ainda deverá permanecer como o “padrão-ouro” de atendimento.

O ponto que eu quero levantar neste post é justamente o aspecto “pontual” das interações médico-paciente; i.e., as consultas. Da forma como a medicina é executada hoje, a segurança clínica é baseada apenas em uma consulta bem feita, com anamnese e exame físico realizados da forma tradicional (verdade que nas consultas a “toque de caixa” de hoje em dia, muito dessa qualidade já se perdeu, mas isso já é outro assunto…). De um jeito ou de outro, o entendimento comum corrente é de que, através de uma consulta bem feita (e exames complementares), é possível obter a maior parte das informações necessárias para oferecer e prescrever a conduta mais acertada possível para cada paciente.

Atendimento continuado
No entanto, um aspecto que é completamente negligenciado hoje é o atendimento continuado dos pacientes. Embora a grande maioria das consultas termine com a orientação de retorno em X dias ou meses, a grande verdade é que nenhum médico verifica se seus pacientes retornaram ou não ao consultório. Como garantir segurança clínica, portanto, se não sabemos o desfecho dos tratamentos prescritos nas interações pontuais? O paradigma hoje é que o médico oferece a melhor recomendação possível com base na melhor informação possível em um ponto específico na linha do tempo do paciente. O médico se isenta de responsabilidade, caso as condições mudem no futuro ou surja uma nova informação e o paciente não retorne proativamente ao consultório.

É nesse sentido que, eu acredito, a telemedicina pode ser clinicamente mais segura do que o consultório. Como a telemedicina ocorre a distância, a primeira interação é provavelmente sempre menos segura do que uma interação pontual de consultório. A diferença é que, justamente por ocorrer a distância e ser suportada por tecnologias automatizadas de seguimento, a telemedicina oferece segurança clínica por meio de uma série continuada de interações, que permite ao médico acompanhar o desfecho das diferentes ações recomendadas em cada encontro a distância. A telemedicina deve ser continuada e deve permitir o acompanhamento do paciente em encontros de alta frequência, de forma ágil e efetiva ao longo de toda a sua linha do tempo, e não apenas em encontros esporádicos de consultório. A melhor forma de garantir segurança clínica do paciente é acompanhá-lo continuamente no longo prazo!

O Mundo Perfeito
Em um mundo perfeito, então, qual seria a melhor abordagem? Naturalmente, a melhor abordagem é combinar os atendimentos presenciais no consultório com um acompanhamento remoto de maior frequência. Por isso, minha sugestão é reservar um horário da sua agenda apenas para fazer follow-up a distância do seus pacientes. Isso não apenas aumenta a segurança do paciente e do tratamento, como aumenta a fidelização do paciente ao seu consultório.

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