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Caso Unimed Paulistana mostra que a ANS não age preventivamente

Créditos: - shutterstock
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É muito desagradável insistir sobre a atuação da ANS porque as pessoas que trabalham lá, inclusive amigos, ficam chateados porque parece que é algo pessoal – mas não é. A questão que algumas vezes já citei em outros posts do blog é: o papel da ANS é o que a sociedade necessita ?

Vamos analisar da forma mais isenta possível a série de absurdos que envolve o episódio Unimed Paulistana, com base nos fatos, e concluirmos que para quem está sendo prejudicado, se a ANS não existisse não faria diferença alguma. Ela só age depois que o dano acontece, e não repara o dano.

Considerando que:

  • Não é de hoje que ouvimos que a Unimed Paulistana tem problemas. Se você tivesse seu último Real para investir em ações, duvido que teria investido na Unimed Paulistana, dada a quantidade e notícias e rumores que cerca a operadora há tanto tempo;
  • Esta operadora tem centenas de milhares de beneficiários – não estamos falando de um pequeno grupo da população que não foi priorizado em função das atenções da ANS estarem focadas em coisas mais importantes;
  • As relações de uma operadora de planos de saúde envolvem uma extensa cadeia de valores, onde serviços de saúde e diversos fornecedores empenham recursos e necessitam remuneração, muitos deles sem condições de sobrevida em caso de inadimplência da operadora;
  • Existe um órgão governamental cuja essência da existência é regular a saúde suplementar no Brasil.

Então a única coisa que não poderia acontecer é que os beneficiários e fornecedores fossem prejudicados, uma vez que o cenário já era previsto. E o que aconteceu:

  • Centenas de milhares de pessoas estão sem atendimento, e ainda com o aconselhamento de que devem continuar pagando por um serviço que não é prestado para não perder o direito da portabilidade para outra operadora. Não dá para entender tamanho absurdo. Você está pagando por um produto que não recebe, e a recomendação é para continuar pagando para não perder seus direitos … é ‘brincadeira de mau gosto’;
  • Milhares de serviços de saúde e profissionais de saúde, que evidentemente pararam de atender os beneficiários da operadora, estão sendo obrigados a atender por ações judiciais. Outro absurdo que não tem tamanho. A operadora não paga e ele é obrigado a atender, sabendo que a operadora não terá recursos para compensar seus custos.

Isso tudo ocorre porque a ANS se especializou em definir regras, aplicar multas e ‘suspender isso ou aquilo’ depois que as coisas acontecem, ao invés de realizar ações que impeçam que estas coisas aconteçam.

Enquanto a operadora agonizava, ao invés da ANS ir tomando atitudes para proteger os beneficiários e a cadeia de valores, o que ouvimos foi a discussão do parto normal x parto cesariana … o que era mais importante: proteger os beneficiários para que o atendimento de maternidade fosse garantido, ou ficar colocando regras para aumentar o volume de parto normal na saúde suplementar ?

Não é possível imaginar que um órgão que deveria zelar pela saúde dos beneficiários, pela eficiência do sistema, pela preservação da cadeia de valores, possa deixar os beneficiários completamente desassistidos como estão. Não adianta fazer discurso em sentido contrário, ou maquiar a situação real: o fato é que os beneficiários da Unimed Paulista não estão conseguindo agendar consultas, não estão conseguindo fazer exames, não estão conseguindo atendimento nos hospitais … estão ‘ao Deus dará’ e tendo que continuar pagando.

Infelizmente estamos passando por uma situação econômica que ninguém queria (pelo menos ninguém que eu conheço queria), e a saúde suplementar está mergulhada no pior cenário que já vimos:

  • Pessoas cancelando plano de saúde, ou trocando planos bons por planos ruins e mais baratos;
  • Pessoas com medo de perder o emprego adiando tratamentos cirúrgicos;
  • Serviços de saúde vendo sua receita cair, ao mesmo tempo que suas despesas crescem no ritmo da inflação;

Tudo ao contrário do que foi nos últimos anos quando a saúde suplementar crescia ano a ano, o que sinaliza que ‘outras Unimeds Paulistanas’ estão prestes a eclodir.

Sabe quem serão os próximos beneficiários de planos de saúde que vão ficar desassistidos, da mesma forma como estão os beneficiários da Unimed Paulistana ?

Sabe quais são os hospitais, clínicas e médicos que terão que arcar com os custos de atender beneficiários da Unimed Paulistana porque ‘o juiz mandou’ ?

Para estas perguntas eu tenho certeza que todos têm a resposta na ‘ponta da língua’.

Sabe quem deveria estar realizando ações efetivas para evitar que isso aconteça ao invés de ficar aplicando multas e inventando regras de menor interesse da sociedade ?

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